Nomeações@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)
Tenho assistido, com alguma incredulidade, ao alarme social promovido pelos partidos da oposição, com o apoio tácito de alguma comunicação social ávida de “sangue” mediático, relativamente à alegada “avalanche” de nomeações para cargos públicos efectuadas pelo actual Governo. Os jornais e televisões relatam as imensas nomeações de boys e girls do PSD e CDS para a máquina do Estado, dando conta de centenas de escolhas baseadas exclusivamente na detenção do cartão partidário dos partidos do poder, em detrimento de putativos excelentes profissionais, estes, evidentemente, todos ligados a partidos da oposição.
A demagogia vai ao ponto de confundir nomeações com reconduções, tendo o Primeiro Ministro explicado (sem que ninguém o ouvisse…) que a maior parte dos casos mencionados se refere à recondução nos cargos dos responsáveis anteriormente nomeados pelo governo socialista. Segundo dados atualizados no início da semana, e sem os números dos ministérios da Economia e da Segurança Social, foram 1.193 as nomeações e reconduções feitas pelo Governo para os gabinetes dos ministros e dos secretários de Estado, para a administração directa e indirecta do Estado e para o sector empresarial do Estado, sendo pelo menos 580 reconduções das mesmas pessoas nos cargos. Fonte oficial do Ministério dos Assuntos Parlamentares esclareceu à Lusa que 77% de todos os casos, que estão hoje referidos naquele portal, são, na realidade, reconduções, representando as novas nomeações 23% do total. No caso da administração directa do Estado, foram 81% as reconduções e 19% as novas nomeações. Na administração indirecta, os números foram de 67% e 22%, respectivamente, segundo a mesma fonte.
Mas há mais: pela primeira vez, um Governo teve a coragem de produzir legislação no sentido de regulamentar as nomeações dos cargos dirigentes, determinando que estas nomeações sejam precedidas de procedimentos concursais, o que será regra a partir de 2013.
Parece que o partido socialista não estava preparado para tanta transparência, demonstrando um enorme desnorte nos ataques infundados ao Governo. Na verdade, esta despartidarização da administração pública deve ser estranhíssima, para um partido que sempre começou os seus mandatos no poder varrendo, de cima a baixo, todos os cargos passíveis de nomeação, independentemente do seu cariz político ou técnico. Ao pé do PS, o PSD e o CDS têm sido uns verdadeiros anjinhos, reconduzindo dezenas de quadros nomeados pelo PS, correndo riscos (bem reais) de autênticos boicotes internos à prossecução das políticas deste Governo, sufragadas maioritariamente pelos portugueses.
E desengane-se quem pensa que esta situação não encontra paralelo na realidade local. O PS de Águeda continua, de forma recorrente, e quando lhe dá jeito, a acusar o PSD por 30 anos de alegado clientelismo e colocação de “amigos” nos quadros da Câmara. Pois bem, caro leitor, tente perguntar a qualquer pessoa minimamente informada sobre a autarquia, o que foi feito nestes seis anos de poder socialista em Águeda… A “varridela” foi colossal (para utilizar um termo tão do agrado do PS): chefias de departamento e divisão, cargos intermédios, responsáveis por serviços, enfim, promoções e afastamentos cirúrgicos de cima a baixo, quase sempre em benefício de simpatizantes do actual executivo.
A cereja no topo do bolo foi o caso recentemente denunciado em Assembleia Municipal e na comunicação social, do lançamento de concursos “à medida” para a passagem ao quadro da Câmara de vários profissionais actualmente em funções de nomeação política, logo de caráter limitado no tempo. O próprio presidente da Câmara não se cansou de repetir, quando foi eleito, que quem entrasse com ele (por nomeação política), sairia com ele. Já dizia o poeta, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Luís Vaz de Camões via mais com um olho, do que muitos querem ver com os dois…
(*) – Membro da Assembleia Municipal pelo PSD/Águeda
Governo “mata” Governo …! , por José Marques Vidal (*)
No meio de medidas de austeridade avulsas, mas contínuas, o povo vai -se acomodando no reconhecimento de que algo está mal que é preciso alterar, mas toma também conhecimento que este Governo nascido da “troica”, com um discurso dito de rigor, com um falar “verdade !?” afirmado vezes sem conta, não passa de mais um Governo, desgovernado, pior que os outros porque comete os mesmos erros, depois de saber que o são.
No espaço de somente 6 meses, entre os aumentos de todos os dias e os anúncios da desgraça em que estamos e que aí vem, começa a despontar aqui e ali, tempo para comentar os desmandos dos caciques do PSD e CDS, nas pisadas de governos anteriores.
Vejamos:
– A Diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Aveiro foi demitida, não por incompetência, mas para dar lugar ao Presidente da Câmara da Murtosa (PSD) que estando em último mandato não se poderia recandidatar. O Governo ( com o nosso dinheiro) tem de pagar 60 mil euros à pessoa que demitiu e o ordenado ao novo Diretor do PSD, sendo assim um dos Diretores mais caros do País. A atitude revela o pior do PSD / CDS no poder que sem qualquer vergonha, gastam o nosso dinheiro no favorecimento pessoal dos seus amigos, sendo a crise somente para os outros!!!
– O PSD/CDS acabaram com os Governos Civis, dizendo ao povo que era para poupar dinheiro. Seis meses depois, continuam a pagar os ordenados dos governadores civis e seus adjuntos, sem que estes realizem qualquer trabalho. medida revela a falta de preparação do governo, o populismo das suas medidas e mais uma vez gastos desnecessários do nosso dinheiro !!!
– A administração do Hospital Distrital de Viseu foi demitida pelo Governo, apesar de ser considerada uma das melhores administrações do país e dos bons resultados obtidos. Os lugares vagos foram ocupados por militantes do PSD, havendo mesmo guerra entre eles na disputa dos lugares.
A competência não interessa para o Governo, só interessa a cor do cartão partidário !!!
– O governo vendeu parte da EDP aos chineses e estes em agradecimento pelo negócio feito, nomearam administradores, membros do PSD e CDS, caso de Catroga, Cardona, Braga e outros, com ordenados “milionários”. Estes ordenados são “retirados” ao povo, através dos aumentos escandalosos da eletricidade, mostrando a falta de vergonha existente na gestão dos bens de todos nós !!!
– O governo nomeou a nova administração das “Águas de Portugal”, colocando na mesma os seus “amigos”, em distribuição de cargos entre o PSD e o CDS, todos com ordenados acima do Presidente da República. Entre os nomeados lá está um autarca, cujo mandato seria o último, tendo como a única recomendação, o estar em tribunal com processos, contra a empresa que vai agora liderar.
A incompetência e a falta de vergonha num só caso !!!
Com estas atitudes e muitas outras que se passam pelo país todo, o Governo mata as boas intenções que apregoa aos quatro ventos, não se distinguindo dos anteriores, antes contribuindo para a degradação da democracia e para o afastamento do povo, da classe política que se diz representativa.
Na defesa de quem nos governa e na defesa dos valores inerentes à liberdade e democracia é necessário que não existam adormecimentos na denúncia destes e de outros casos similares.
Esteja atento, lute pelos seus direitos, não se acobarde !
Nota: O Governo anunciou “grandes medidas” na Educação, tentando convencer os Pais que é para a melhoria do ensino dos seus filhos. Entre as várias medidas, está a divisão da disciplina de Educação Visual e Tecnológica, em duas disciplinas, com menos de metade do tempo para cada uma, com um só professor para cerca de 26 / 30 alunos.
Só quem não sabe nada do ensino e não conhece os “nossos” alunos é que acredita numa “patranha” destas, em que se pretende melhorar os atos educativos, com menos tempo disponível e mais alunos por professor.
Em relação ao Ministro da Educação é caso para dizer .“Bem abençoados os ignorantes, porque é deles o reino dos céus”!!!
(*) – Membro da Assembleia Municipal pelo PS/Águeda
Linha do Vouga , por António Martins (*)
Ao fim de mais de cem anos questiona-se agora o encerramento (?) da Linha do Vouga. Não sendo a primeira vez que tal acontece, porque já por outras vezes o encerramento da circulação esteve equacionado, é no entanto, agora, o desfecho do que parece ser a visão estratégica do governo relativamente ao desenvolvimento dos transportes para um futuro próximo.
A sobrevivência da linha e da mobilidade ferroviária em quase todo o seu trajecto é absolutamente defensável sob alguns pontos de vista – turístico e ambiental e, há quem diga que também energético – todavia quando nos posicionamos sob diferentes realidades históricas e económicas o caso pode apresentar contornos diferentes daí resultando também perspectivas e análises diversas.
Se me perguntarem se a Linha do Vouga deveria encerrar eu diria no imediato que não. No entanto ninguém discordará que um dos nossos grandes problemas tem sido, quase sempre, a falta de planeamento consensual no que respeita ao desenvolvimento do país, no seu todo. Nunca uma maioria qualificada de decisores esteve de acordo com aquilo que deveria ser o modelo de desenvolvimento estratégico – dos transportes - a médio prazo e, por isso mesmo, caímos no paradoxo de um governo decidir fechar o que outro, pouco tempo antes, decidira remodelar. Pelo meio ficam uns quantos negócios de milhões geridos por zelosas elites administrativas de quem, com desusada frequência vamos ouvindo falar. E nós… cá vamos todos opinando e pagando.
No entanto, como bem sabemos, estamos agora sob condições excepcionais. O endividamento diário é de tal ordem que, aliado ao baixo nível de produtividade de riqueza que vimos enfrentando nos últimos anos, obriga a que sejamos muito mais racionais em detrimento da emotividade.
Apesar dos números relativos à Linha do Vouga indiciarem algum crescimento no que toca a passageiros; constatando que há muito deixou de ser uma opção credível no transporte de mercadorias; aceitando que o encerramento entrará, de algum modo, em contra-ciclo com investimentos feitos e a fazer na cidade de Águeda; ponderados os custos correntes de manutenção e também as necessidades de investimento quer na remodelação de material circulante quer das infra-estruturas de apoio aos passageiros, nas diversas estações e apeadeiros; não negando que a linha foi, até anos recentes, um factor importantíssimo na redução do isolamento do interior ( se bem que hoje nem tanto assim será); ponderados mais uns quantos elementos de análise que não se podem descurar quando se pretende discutir a manutenção de projectos desta natureza, é lícito perguntar-se:
- Algum privado ousaria, neste momento, concessionar a Linha do Vouga? Investindo os seus próprios meios – ou mesmo absorvendo alguns fundos comunitários disponíveis mas sem recorrer aos usuais e regulares “financiamentos públicos”? Haveria massa crítica na Linha para pagar a sua sobrevivência?
Ou, então, todos aqueles que defendem a operacionalidade estão dispostos a suportá-la do seu próprio bolso, com mais impostos?
Não defendendo claramente o encerramento não me repugna aceitar uma suspensão temporária – acompanhada de soluções rodoviárias equilibradas - até que o óptimo e o possível consigam conviver à mesma mesa.
(*) Membro da Assembleia Municipal de Águeda pelo CDS/PP
Prémios.escolares@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)
Discordo absolutamente da decisão do Ministério da Educação de cancelar a entrega dos prémios aos melhores alunos do ensino secundário, poucos dias antes das respectivas cerimónias. Em sentido contrário ao que Ministro Nuno Crato tem vindo a defender, dá-se, de uma penada só, uma machadada no reconhecimento do mérito, e na credibilidade do Estado como pessoa de bem. Não se faz isto, muito menos desta forma. Os sinais que passam para os alunos – os premiados, e os outros – são precisamente o oposto do desejável. A solução do Ministério (os alunos premiados não receberão o prémio, mas terão uma palavra no encaminhamento da verba respectiva a favor das suas escolas) não resolve o mal-estar desnecessariamente criado por esta insólita medida. Posso até compreender alguns fundamentos na base desta opção, nomeadamente o facto de a entrega de dinheiro aos alunos poder ser mal interpretada; posso, ainda, aceitar a solução da entrega às respectivas escolas; o que não é compreensível é a “mudança de regras a meio do jogo”, desapontando centenas de estudantes que, legitimamente, assumiram expectativas de receberem uma distinção e um valor monetário, que utilizariam como entendessem.
No caso particular dos alunos das escolas de Águeda, o sentimento de injustiça é atenuado pela existência de vários prémios para os melhores estudantes em diversas áreas de ensino, promovidos, alguns, pelo próprio Município, e outros por empresas e instituições. Tantas vezes apresentado como bandeira desta terra, o empreendedorismo dos empresários aguedenses materializa-se nesta atribuição de prémios, fazendo pelos alunos e pela escola o que o Estado (sempre o Estado…) não consegue fazer na plenitude.
Eu próprio, enquanto estudante em Águeda, já recebi alguns destes prémios (da Fundação Dionísio Pinheiro e da Sociedade Comercial do Vouga, por exemplo) e, apesar de as verbas então envolvidas serem consideravelmente inferiores aos actuais quinhentos euros que o Ministério “ficou a dever”, posso assegurar-vos que a sensação de ver reconhecido o esforço de um ano inteiro é altamente motivadora e inspiradora. Os alunos de Águeda, felizmente, continuam a contar com este estímulo, ainda que à custa das gentes da terra. Espero que, quando o Ministério da Educação arrepiar caminho, não seja tarde de mais…
Ainda.e.sempre.as.vias.cicláveis@Águeda.pt
Há poucas semanas, li atentamente o excelente trabalho do director deste jornal, onde explicava, clara e inequivocamente, a inutilidade das chamadas vias cicláveis em Águeda. Mal planeadas, pessimamente concebidas, e ainda pior executadas, as “passadeiras vermelhas” (agora também negras, fluorescentes, enfim…), continuam a gerar estupefacção em locais e forasteiros.
Perante as evidências, o que fez o senhor Presidente da Câmara? Assumiu o erro que todos já perceberam? Nada disso. Recorrendo ao direito que a lei lhe confere, com números de artigos, alíneas, e outros preciosismos, exigiu a publicação de cerca de 10.000 carateres de uma defesa(?) da qual, após bem “espremida”, retirei o seguinte: “blá, blá, blá… Propaganda do executivo…. Blá, blá, blá”. Não havia necessidade, senhor presidente… Não vale a pena esforçar-se. Por mais que tente, dificilmente encontrará mais que uma meia dúzia de pessoas (e estou a ser generoso) defensoras desta “obra”, incluindo o senhor presidente e um ou outro técnico do Município que não queira assumir o óbvio… Até quando teremos de conviver com esta aberração?
A Assembleia Municipal desta semana, destinada a discutir o “Estado do Concelho”, inclui como um dos dois pontos da ordem de trabalhos o seguinte: “Feriado Municipal – Porquê e quando?”
Confesso que não percebo estas coisas… Nos conturbados tempos que vivemos, com tanto assunto sério para debater, com tanto que falar sobre as opções do actual executivo, com tantas soluções para o futuro que urge encontrar, alguém pretende ocupar parte considerável desta Assembleia com um fait divers que mais não serve para desviar a atenção dos verdadeiros problemas. Assim, não vamos lá. Por estas e por outras, é que a classe política vai sendo tão desprestigiada…
(*) vice-presidente do PSD/Águeda
O Vouguinha vai compreender , por Abrunhosa Simões (*)
O Vouguinha vai-me compreender e de certeza estar solidário connosco!
Em Setembro de 1911 foi inaugurado o Ramal de Aveiro da Linha do Vouga, ligando a Sernada do Vouga a Aveiro e passando por Águeda. Cem anos e alguns dias depois, parece que a linha vai mesmo acabar.
Se não fosse tão grande a tristeza e a desilusão que atravessa coração dos Portugueses, resultante da incompetência de todos os nossos governantes nos últimos 30 anos e que está espelhada na situação de crise vigente, seria de tocar bem alto as trombetas para que o povo se reunisse e lutasse contra tão nefasta tomada de posição.
Uma linha a ligar 2 cidades activas e que se pretende que ainda consigam crescer, com condições de transporte rápido e não poluente. Uma linha ainda com potencial turístico evidente, uma das vantagens competitivas que ainda não foi malbaratada! Encerra-se porquê?
Porque será que na nossa factura da electricidade só metade do seu valor corresponde à energia eléctrica efectivamente consumida. E porque será que da metade restante, grande parte vá para o financiamento das energias renováveis (por não serem poluentes?), ou melhor, que vá para o “lobby” das eólicas de tão duvidosa eficiência pela forma como está ser gerido e se encerra uma linha ferroviária com condições de vir a ser economicamente rentável e ambientalmente ecológica?
Mas com a pobreza a crescer, a fome espalhada no rosto de cada vez mais crianças, o desemprego crescente, a humilhação porque passam portugueses sérios, dignos e trabalhadores, será que faz sentido clamar contra o encerramento da Linha do Vouga? Ou melhor, fazer sentido faz, mas será que nesta situação caótica em que vivemos tal luta é prioritária?
Quando a nossa história, ou melhor, quando a história do povo do país/nação mais antigo da Europa corre o risco de, pelos últimos acontecimentos, chegar à sua desintegração, fará sentido priorizar causas nobres e lutar contra os seus inimigos? Ou será que faz mais sentido da parte de todos nós fazer uma reflexão que nos diga ou nos ajude a entender minimamente porque chegámos até aqui?
Se tal formos capazes de fazer, poderemos estar certos que, com sacrifícios, com muito esforço, com a responsabilização efectiva dos criminosos e com o pagamento do deficit por aqueles que, ao roubarem o estado roubaram os portuguesas, voltaremos a ter dias em que as crianças voltem a sorrir, os homens voltem a sentir-se dignos e por isso livres e o Vouguinha, talvez sem fumo ou gases de escape poluentes, volte a circular por estas paragens.
É pois tempo de participação e de luta. Hoje, amanhã, a 24 de Novembro dia da Greve Geral. É tempo de gritarmos aos nossos governantes locais e aos Eurocratas sedeados em Bruxelas, Berlim ou Paris, que somos um povo com dignidade e com História. De lhes gritarmos que não fomos nós os responsáveis pelo deficit e pela crise.
Os responsáveis foram eles, as marionetas dos grandes grupos financeiros mundiais, que têm demonstrado diariamente e de uma forma consistente a sua pequenez, a sua arrogância e a sua incompetência.
Os gregos, os portugueses e os outros povos da Europa, que certamente se seguirão neste via apertada e de retorno difícil, que tanto têm contribuído para o avanço da ciência e da tecnologia, para a criação de melhores condições de vida à humanidade, enfim, todos os povos da Europa, não necessitam de Merkels, Sarkozys, Berlusconis, Passos Coelhos, etc, etc. que apenas causam perturbações profundas na marcha inexorável da história.
O que existe, foram os povos que construíram. As ruínas e a miséria que se vislumbram no horizonte, são da responsabilidade dos políticos incompetentes, desonestos e corruptos que nos têm governado. Por isso devemos também compreender e apoiar os jovens que se têm manifestado de forma crescente nas grandes capitais do mundo, contra esta sociedade que, embora moribunda, ainda faz tanto mal ao mundo. Prometo que depois desta luta, tentarei arranjar tempo para ajudar a ressuscitar o nosso Vouguinha. Ele vai-me compreender e de certeza estar solidário connosco!
(*) Membro do PCP / Águeda
PSD/CDS “encerram” Águeda! , Por José Marques Vidal (*)
O Governo da direita, perante a situação de crise financeira e a coberto de orientações supostamente tomadas pela “tróica”, aplica uma política liberal, em que as pessoas passam a ser números e se confundem no meio de milhões e milhões de euros.
Se é verdade que temos que ter em conta a austeridade, não é menos verdade que o Governo tem tomado medidas a esmo, sem fundamentação alguma, sem trabalho de escolha de alternativas, aplicando a receita mais fácil, a subida de impostos, a quem paga e sempre pagou, a descida de salários em parte(?!!) da população, deixando de fora os grandes grupos económicos e financeiros, a corrupção, o compadrio, os ordenados milionários, os sinais exteriores de riqueza, não tomando em conta a especificidades das pessoas , das profissões, dos espaços geográficos onde vivem.
Em Águeda, o Governo PSD/CDS deu por terminada a esperança da construção de uma estrada decente de ligação a Aveiro, apesar de o anterior governo ter consigo inserir a obra no caderno das Estradas de Portugal, ao não considerar a sua importância particular, acabando com o projecto onde a mesma estava integrada, sem ter em conta a sua necessidade para as populações, para o desenvolvimento industrial, para o emprego e todo o impacto económico daí decorrente.
Em Águeda, o Governo PSD/CDS esvazia o Hospital, ao considerar a extinção de sete áreas clínicas, entre as quais a anestesiologia, cirurgia geral, radiologia e ortopedia, obrigando à saída de 18 (!!?) médicos e pessoal auxiliar. Se tal for verdade, mais uma vez se verifica a inexistência de bom senso e a tomada de simples medidas económicas, sem ter em conta as valências de qualidade, caso da ortopedia, serviço até à pouco tempo realizado sem atrasos excessivos, realizando mesmo mensalmente actos cirúrgicos a doentes enviados de outras unidades de saúde.
Em Águeda, o Governo PSD/CDS encerra a Linha do Vouga, pensando na sua substituição por transporte rodoviário. Mais uma vez é algo de incompreensível, mesmo tomando em linha de conta os prejuízos da sua exploração, tendo em atenção os investimentos feitos na melhoria das suas condições de segurança e circulação, o aumento verificado e expectável do número de utentes do serviço (um dos maiores aumentos do País, no último ano), a sustentabilidade ambiental a prazo e fundamentalmente a degradação do serviço público que constitui a sua substituição por autocarros. É de acrescentar que a Câmara Municipal não foi ouvida nem achada na situação, o que revela a importância que o Governo dá aos autarcas.
Em Águeda e no País, é preciso fazer sacrifícios de optimização de recursos, sem no entanto deixar de ouvir as pessoas, como estas nada valessem e contassem somente para as estatísticas, os seus rendimentos e quanto lhes era possível “sacar” ainda.
Não deixem que o tornem num número!
(*) Membro da Assembleia Municipal de Águeda pelo PS
Cambada de parasitas , por Santos Silva (*)
O que os portugueses não sabem é que muitos políticos, por terem passado algum tempo na manjedoura do poder, ficam com direito a uma pensão vitalícia a que chamam subvenção. Alguns exemplos são bem conhecidos. Mira Amaral, Almeida Santos, Marques Mendes e muitos mais, recebem mensalmente alguns milhares de euros que vão dos dois aos dez mil.
O Estado gasta com estes senhores perto de 8 milhões de euros anualmente. Agora, sendo solicitado que também estes políticos colaborem na austeridade com redução correspondente aos subsídios, reagem mal e a reacção mais chocante foi a de Mira Amaral que (com o seu ar agressivo e salivoso) disse que nunca poderão reduzir-lhe a subvenção, pois esta só corresponde a doze meses; por isso é ilegal qualquer redução. Resta acrescentar que este cidadão ganha milhões pois é, além de muitos tachos, administrador do BIC e BPN. Que denominação se pode atribuir a esta gente? Só pode, cambada de parasitas.
Os portugueses que recebem uma reforma são roubados, espoliados em dois meses de vencimentos, pois se fosse uma subvenção, tudo seria diferente. Roubados sim, sem medo de o afirmar, porque, após 40 e tal anos de descontos, obrigado a isso, vejo-me pura e simplesmente assaltado e a ficar sem o que é meu. São sempre os mesmos a suportar toda essa cáfila de oportunistas, que dia a dia se vão desmascarando. Mas a vergonha é pouca!
2. Encantador de carteiras
Não há dúvidas de que o cobrador de impostos, Gaspar de seu nome e ministro de Coelho, tem as melhores qualidades para a função que exerce. Com o seu ar seráfico, tom de baixo monocórdico, qual sacristão de Abade de aldeia, melifluamente consegue com o seu arengar sem pausas hipnotizar os contribuintes, que sem reacção vêem a sua carteira, já muito depauperada, voar para o bolso do citado cobrador… e depois regressar de novo à sua algibeira totalmente vazia. Este ciclo vem-se repetindo e não vemos fim.
Gostaríamos de que o citado hipnotizador, com muito menos trabalho, com muito menos desgraça para este desgraçado povo, resolvesse a situação de outra forma. Aqui vai senhor cobrador a minha sugestão, que deve ser seguida, pois, qualquer dia, nunca mais o porta-moedas dos portugueses terá uma moedinha para o senhor comer.
Bastava senhor ministro aplicar a mesma taxa dos trabalhadores, à volta de 15%, à imensa fortuna dos mais ricos de Portugal. As contas são fáceis de fazer e só meia dúzia desses ricos, como Belmiro de Azevedo, Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e outros … dariam uma contribuição muito superior aos três mil milhões que vão ser roubados aos mais pobres.
Bastava que o senhor Gaspar soubesse também hipnotizar esses cidadãos, que com certeza ficariam felizes pela sua contribuição.
Onde está a coragem para governar? Como é possível afirmar-se que Passos Coelho teve muita coragem em impor esta política? Coragem seria adoptar esta medida, pois os buracos e as crises têm que ser pagas pelos responsáveis que as provocaram! Por que razão os Bancos não são taxados, quando têm lucros de milhões mensalmente? Coragem é necessária.
3. Por cá… A morte anunciada do Metro de Superfície
Anunciou o desgoverno de Coelho o desmantelamento de perto de 700 quilómetros de linha ferroviária, entre as quais se encontra a centenária Linha do Vale do Vouga.
Depois de muitos anos sem qualquer investimento, o Vale do Vouga foi caindo, desmembrado e actualmente apenas o troço Aveiro Águeda estava e está a ser renovado, investindo-se até esta data mais de 3 milhões de euros, nomeadamente em segurança, e aumentando o fluxo do movimento. Se se concretizar esta morte estamos perante um belo exemplo de desperdício e todos os planos e investimentos são deitados ao lixo.
A importância deste troço levou ao sonho de implementar entre Águeda-Aveiro-Ilhavo, um Metro de superfície. Claro que a região de Aveiro não tem o peso político do Porto ou de Lisboa e o sonho foi sempre adiado…
No entanto, o peso do actual traçado tem vindo aumentar e a importância para a região aveirense é bem evidente. Mais comboios e melhores horários transformariam esta linha num investimento rentável, conforme estudos da Câmara Municipal de Aveiro.
É absolutamente necessário um grande movimento popular usando as redes sociais, por exemplo Facebook, ( não ao fecho do Vale do Vouga) para mostrar aos destruidores de património que a vontade popular tem que ser respeitada, pois, aquilo a que se assiste, é mais um exemplo de roubar aos mais necessitados o meio de transporte mais eficaz e barato. Com certeza o meio rodoviário alternativo não satisfaz e é mais uma machadada no já miserável orçamento familiar. Os nossos eleitos locais, Câmaras e Juntas da Região, têm que mostrar o seu peso e bater o pé contra mais uma diatribe coelhal.
(*) Candidato pelo BE à Assembleia Municipal nas últimas eleições autárquicas
Festa.do.Leitão-Maioridade@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)
Passei junto ao rio, e lá vi a primeira tenda a ser montada. Está aí a 18ª edição da Festa do Leitão à Bairrada. Como o tempo passa… Parece que foi ontem que eu, os meus colegas de direcção, funcionários, e vários amigos da ACOAG, saíamos noite dentro para afixar centenas de cartazes em postes e sinais de trânsito, puxando pela cabeça para escolher os melhores locais onde pendurar as tarjas que tínhamos, durante horas, pintado à mão na sede da associação. (É importante dizer que, alguns dias após a festa, dávamos a volta de novo para recolher a publicidade, pois não poderia ficar a poluir os locais onde tinha cumprido a sua função de divulgação). No fim, com as mãos pretas e com calos, ainda havia disposição para umas cervejinhas e algum petisco providencial que nos aparecesse… Cada ano tentávamos enriquecer o evento com mais algumas atracções, o que obrigava a longas maratonas nocturnas à beira rio, com a planta do Largo 1º de Maio na mão, tentando encaixar restaurantes, bares, stands, artesanato, diversões infantis, palcos, estacionamentos, bilheteiras, sanitários, entradas, enfim, montando o puzzle de cada Festa do Leitão. Depois, era a azáfama da montagem do recinto. Todos os directores e funcionários punham a mão na massa. Alguns, “esqueciam” os seus trabalhos durante alguns dias e “assentavam praça” na praça. Por vezes, saía da festa de madrugada, e ainda ia trabalhar para a minha empresa, pois o trabalho não aparecia feito por magia… Os dias de inauguração eram os piores. Tanto para fazer, e tão pouco tempo para resolver. Era a luz que falhava, a água que não saía, o esgoto que entupia, o expositor que não tinha espaço, os amigos que ligavam a pedir bilhetes, o espumante para descarregar, o jantar dos convidados para preparar, e o discurso ainda por fazer. Era pousar o martelo e o alicate, ir a casa para um banho rápido, ao mesmo tempo que “ensaiava” o que iria dizer às personalidades que vinham inaugurar a festa. Chegámos a ter três ministros e dois secretários de estado numa inauguração, o que atesta a relevância que a Festa do Leitão assumiu a nível nacional.
Não, não se trata de saudosismo… Ou talvez trate, pouco importa. São memórias que anualmente revivo, orgulhoso por ter feito a minha parte em prol de uma das iniciativas mais marcantes da nossa terra. Eu e os dirigentes da ACOAG que me acompanharam nos meus mandatos, não esquecendo os que nos antecederam, e que lutaram com ainda mais dificuldades. Imagino o que o Gil Abrantes não terá passado nos primeiros anos de Festa do Leitão, na praça antiga, com chão de terra e sem as “mordomias” que, mais tarde, nos disponibilizaram… E que dizer dos nossos sucessores… O José Pires e o Castilho que, com as suas equipas, conseguiram fazer a festa dar o salto de que precisava para se manter apelativa. No primeiro ano após a minha saída, ainda estive muito ligado à organização mas, nas últimas edições, tem sido “à distância” (mas muito atento e colaborante conforme posso) que tenho acompanhado o excelente trabalho dos organizadores. Um dos objectivos, alicerçar a almejada auto-suficiência financeira, ainda não está garantido, pelo que, todos anos, a ACOAG luta pela angariação de patrocinadores, expositores e apoiantes da Festa do Leitão, tarefa facilitada – há que reconhecê-lo – pelo espírito empreendedor de muitos empresários aguedenses (quase sempre os mesmos…) que têm associado as suas marcas ao evento. Papel fundamental teve, também, a Câmara Municipal de Águeda, parceiro da ACOAG nesta organização desde a primeira hora, apesar do incompreensível (ou talvez não…) afastamento iniciado no ano passado e confirmado este ano. A autarquia resolveu apostar noutro evento de animação, em claro detrimento da Festa do Leitão. São opções discutíveis mas, obviamente, legítimas, que este executivo tomou, das quais, temo, virá a arrepender-se. Mas isso são contas de outro rosário, e não faltarão ocasiões para escalpelizar os meandros desta “viragem municipal”…
Já o escrevi neste jornal, na Festa do Leitão, porém, nem tudo é perfeito… Todos os anos, apesar dos insistentes esforços em sentido contrário, há quem continue a servir o leitão com batatas fritas, a impingir aos visitantes uma bebida chamada “frisante”, remotamente parecida com espumante (do mais fraco), a servir leitão frio, a descurar a apresentação das travessas, enfim, pequenos e grandes pormenores que, sendo tão fáceis de corrigir, poderiam garantir a excelência que o produto merece. Tem-se verificado, no entanto, uma clara melhoria de ano para ano, o que atesta a qualidade do trabalho desenvolvido pela ACOAG na sensibilização dos agentes económicos envolvidos no negócio do leitão. Num período de crise económica como o que atravessamos, este tipo de iniciativas assume primordial importância, e deve ser aproveitado não só pelo sector envolvido, mas também por todos os comerciantes e empresários que podem aproveitar uma das principais “montras” à sua disposição para dinamizarem e divulgarem os seus negócios. Foi essa, aliás, a ideia que este na origem da Festa do Leitão, há mais de dezoito anos…
Quanto a si, caro leitor, repito o convite para que nos encontremos à beira rio para, entre uma sandes de leitão e um pastel de Águeda, erguermos as taças ao sucesso da Festa do Leitão, num brinde com espumante da Bairrada, sempre “bruto e fresco”…
(*) - Membro do PSD na Assembleia Municipal de Águeda
O PSD na “Ilha de Jardim”! , por José Marques Vidal (*)
Num momento em que está em plenas funções o novo Governo PSD / CDS, que acedeu ao poder baseado em “novas?” propostas, de reequilíbrio das contas públicas, tomada de medidas de contenção de despesa do Estado, reavaliação dos contratos existente com os privados (as famosas PPP), limitação ao acesso de “boys e girls” aos lugares de poder, transparência nos actos da administração, não subida dos impostos, etc, etc…, deparamos com as “palhaçadas” de Jardim que colocam todo o País perante a “normalidade ?!”dos últimos anos.
Alberto João lá do alto da sua cátedra, em berros para o seu rebanho de fiéis, vem mais uma vez “pedir” o “nosso” dinheiro, para as suas obras faraónicas, de contas sempre em derrapagem, com nomeações a seu gosto, com recusas em aplicar as reduções salariais aos seus deputados e afins, deitando dinheiro “nosso” num jornal pago pelo seu (des) governo, onde em média aparecem cerca de 15 fotos de Sua Meritíssima Excelência, em opiniões públicas desbocadas contra os do “Continente”, ou inaugurando obra paga por todos nós, aos seus amigos da construção civil e outros.
Ao longo dos anos os vários governos, incluindo os do PS, sabe-se lá porquê, sempre se curvaram mais ou menos às exigências cheias de boçalidade, do Sr. Alberto, permitindo-lhe desaforos sem fim, em relação aos governos do País e mesmo ao Presidente da República.
Estranho é que na generalidade, as pessoas elogiam o “seu fazer obra”, a transformação da região da Madeira, como fosse de admirar, alguém que com o dinheiro de todos, gastando a rodos, sem parcimónia, na defesa dos interesses de meia dúzia, sem pagar as suas dívidas, muitas vezes por caminhos de legalidade duvidosa.
Estranho, por ser preocupante não só na Madeira mas em muitos recantos deste País, o elogio “à Obra”, sem que se tenha em consideração os meios mais ou menos correctos como essas obras foram realizadas, se estão pagas, se favoreceram alguém.
O PSD/ CDS tem agora uma oportunidade única, de afirmar se vamos continuar a ceder às exigências desse espalhafatoso deseducado, ou se pelo contrário temos finalmente um governo com seriedade, capaz de por na ordem quem não se sabe comportar. Posso mesmo afirmar que depois dos desvios já verificados no Governo, nestes primeiros tempos, no que diz respeito às atitudes éticas, caso de nomeações polémicas, ordenados despropositados, ingerência relvísticas nas nomeações de alguns cargos, ataque aos trabalhadores que pagam impostos, defesa dos mais ricos, sobre “chantagem” de fugirem com o dinheiro para paraísos fiscais (saem diariamente de Portugal cerca de 9 milhões de euros para paraísos fiscais), esses que o governo ouve que o aconselha que decide de muitas das nossas vidas de pobreza.
É possível ao Governo ser sério, quero acreditar em tal e denunciar os “Jardinismos” não só da Madeira como no País, dando assim alguma réstia de esperança, a quem todos os dias sofre para arranjar comida e só ouve falar de milhões de um lado para o outro, não percebendo onde anda esse dinheiro e porque nunca lhe calha algum para as contas da farmácia e do pão.
Não podemos deixar de ser sérios e de exigir aos outros, pelos visto poucos, que o sejam também. Aguardamos a derrota “dos Jardins” deste Portugal!
(*) - Membro do PS na Assembleia Municipal de Águeda
Depois de tudo queimado, restam as cinzas , por João Graça
1. Apesar de haver quem continue a garantir aos portugueses que Portugal não precisa de ajuda externa e que estamos no bom caminho (sabe-se lá para onde), só quem for completamente desmiolado é que leva esta a sério quem profere tamanho dislate.
E não é que, para meu espanto, há imensa gente a acreditar ou a fazer de conta que acredita?!
2. Outra realidade que me surpreende é haver mais candidatos à presidência do Sporting do que a Chefe do Governo. Fico sem saber qual dos cargos é mais louvável ou exige mais competências.
De uma coisa tenho a certeza – a futura direcção do Sporting não irá decretar o aumento do IVA, nem o aumento dos combustíveis nem o congelamento de salários nem das reformas.
E certamente o putativo presidente dos leões não será chamado a prestar contas à senhora Ângela Merkel.
3. Ultimamente, andamos numa aflição para conseguir assegurar alguma credibilidade nos mercados financeiros externos. Sim, porque dentro de portas já ninguém vai em engodos.
Deu-lhes para nos cortarem o crédito e não quererem emprestar-nos mais massa para podermos continuar a viver à barba longa.
Era previsível que não iríamos poder enganar toda a gente o tempo todo.
Como é que podemos exigir que acreditem em nós se nós próprios não acreditamos em ninguém?!
4. A única saída para a crise passa por conseguirmos bolar um plano para exportar água salgada e latinhas de sol de conserva.
Assim de repente não vislumbro que mais possamos exportar que nos garanta um futuro promissor.
Habituados que fomos, nos últimos séculos, a viver de expedientes, ter que voltar a pegar na enxada para cavar o que iremos comer, não vai ser pêra doce. Mas a fome opera milagres.
5. Como sabemos, não é fácil nem – depois do 25 de Abril – legítimo, retirar benesses consagradas na Constituição. Mas há sempre uma outra forma de enfiar minhocas.
Retirar o telemóvel de serviço a um juiz – quando em tempos até chegaram a distribui-los por pastores - não passaria pela cabeça do mais pintado. Reduzir-lhes o plafond para 16 euros mensais não deixa no entanto de ser uma forma ardilosa de os encostar à parede e faze-los entregar esses sorvedouros de euros. Ainda por cima, para poupar numa Justiça inexistente!
Será que se limitassem os litros de combustível destinados à frota do Estado os milhares de veículos em leasing não seriam devolvidos à precedência?! O que não se poupava em gasolina em choferes.
6. Ao ritmo que a carga fiscal evolui e que a necessidade de desencantar dinheiro para pagar juros aumenta, tarda nada voltaremos a pagar imposto para usar isqueiro e ouvir rádio a pilhas.
A malta mais nova não sabe bem o que isso é mas vai passar a perceber quando tiver que ter apenas uma televisão em casa, apenas um computador para a família e quando um quilo de camarão tiver que dar para todos.
Suspeito até que a bicicleta de BTT, para diversão de fim de semana, passará a ser o meio de transporte corrente para chegar ao emprego. De quem o tiver.
7. E assim como a sigla “SCUT” – SEM Custos para o Utilizador, derivou para COM Custos para o Utilizador, não vai ser de estranhar que o Rendimento Mínimo Garantido degenere em Trabalho Mínimo Exigido.
Acabou o ouro do Brasil, acabaram as especiarias da Índia, acabaram-se os diamantes de Angola e acabou-se a mama da CEE. Agora é que é.
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