1200 assinaturas contra a duplicação do IC2 na Mourisca

Um abaixo assinado com 1.200 assinaturas foi enviado esta sexta-feira para a Agência Portuguesa do Ambiente e para a Estradas de Portugal, defendendo a construção de um novo troço para a auto-estrada, na freguesia da Trofa, como a solução que menos lesa a população.

Um grupo de cidadãos compareceu na reunião de Câmara de quinta-feira, apelando ao executivo que defendesse essa solução, contrariando a opção de duplicar o actual IC2 na Mourisca. Solução essa que também é a mais indicada pelo Estudo de Impacte Ambiental.

A população pressionou entretanto o executivo a tomar uma posição sobre esta matéria.

(informação completa na edição impressa)

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1 comentário;

  1. Estevão Portela-Pereira said:

    Saudações,

    não sou natural de Águeda nem resido próximo, mas sou um utilizador das estradas deste país, pelo gostaria de poder opinar sobre a problemática descrita no vosso site…

    Já há cerca de 1 ano que não circulo por este troço da N1/IC2… mas lembro-me perfeitamente que exceptuando o lanço do IC2 que serve de variante a Águeda, o resto do percurso entre o IP5(A25) e o IP3 não passa de uma nacional (N1) onde o risco de acidente é considerável, dado os cruzamentos/entrocamentos existentes, bem como as diversas povoações. Sendo assim é obviamente necessário proceder à sua remodelação… mas será necessário construir um traçado “tipo auto-estrada (A-E)” (2×2), quando no PNR2000 apenas indica a construção de um traçado (2×1), ou seja, “tipo via-reservada-a-automóveis (VRA)” sensivelmente semelhante ao que existe na variante de Águeda!?
    Na minha humilde opinião a resposta é apenas uma: obviamente que não…
    As desvantagens são muitas e as vantagens são poucas…
    Desvantagens:
    – se é uma A-E, logo vai ter portagens.
    – dobro do investimento;
    – maiores impactes quer nos ecossistemas, quer nas povoações;
    – para quê uma 2.ª alternativa à A1 em auto-estrada (pensando agora a nível regional), quando já há a A17?
    A única vantagem à partida será a maior segurança da estrada… pois uma A-E (bem construída) oferece maiores condições já que evita, em grande parte, os choques frontais.

    Penso que a opção descrita no PRN2000 para este troço do IC2 é a mais indicada (perfil 2×1), ou seja, uma VRA.
    Vejamos a vantagens de se construir uma VRA:
    – não tem portagens (nenhuma VRA, dos poucos troços em funcionamento em Portugal, tendo em conta os previstos no PNR2000, tem portagens);
    – custa, sensivelmente, metade do preço do que a construção de uma A-E;
    – menores impactes;
    – permite velocidades de 100km/h (em vez dos 120km/h das AE), mas oferece segurança (em condições normais de circulação) para quem circula nos 120km/h (obviamente que está a desrespeitar o Código da Estrada que, neste caso, indica uma “infracção/coima-leve”… um conceito contraditório, mas essa já é outra discussão… Obviamente que uma A-E, em condições normais, oferece segurança a velocidades mais elevadas (140/150km/h).
    – quanto à segurança da via, esta é menor que uma A-E pelas razões apresentadas, mas se forem construídos os “nós” de saída/entrada num perfil 2×2 como acontece em outras VRA do país (ex: IC28 (Ponte de Lima-Arcos de Valdevez/Ponte da Barca); IC3 (Tomar Sul-Tomar Norte); IC27 (Castro Marim-Alcoutim, e mesmo na variante de Águeda (IC2) exceptuando nos nós terminais…) o risco de acidente é reduzido em grande medida; da mesma forma se se pensar locais de ultrapassagem em segurança (2 faixas de rodagem) de x em x quilómetros.
    Uma das causas de acidentes nestas estradas é precisamente este aspecto de, por vezes, haver vários quilómetros onde não é permitida a ultrapassagem, o que leva a que condutores menos pacientes corram um risco desnecessário, provocando acidentes quase sempre com consequências danosas… Isto porque este tipo de estradas, a maior parte das vezes, apenas têm dupla faixa de rodagem em locais de maior declive, e, sobretudo nas VRA mais recentes, nos “nós de acesso”. Contudo se houver maior sensibilidade por parte daqueles que projectam estas estradas a 2.ª faixa pode e deve surgir sempre que se ultrapassem 3/4km de perfil 1×1, p.e. e até indicando aos condutores quantos quilómetros faltam para uma ultrapassagem em segurança…
    Ou seja, melhor pensadas as VRA são uma opção que oferece elevados níveis de segurança… obviamente que a educação cívica dos condutores portugueses na estrada não é a melhor, mas se estes forem bem informados e souberem que há diferenças entre uma A-E e uma VRA, os acidentes diminuirão… o problema é que em Portugal mesmo as EM (estradas municipais) são confundidas com A-E!?
    Para terminar, é pena que ninguém (ou quase ninguém) discuta este “aparente pormenor” das vias que estavam predestinadas a não terem portagens, já que iriam ter traçados 2×1, estejam nesta legislatura a serem todas elas pensadas como A-E!!!… Serão assim necessárias tantas A-E neste país? Somos dos países do mundo com mais quilómetros de A-E por habitante, e mesmo assim a mortalidade e os acidentes graves continuam?! Parece-me é que daqui a uma década nenhuma estrada nova deixará de ter portagens, pois para as, recentemente privatizadas, Estradas de Portugal, o objectivo é apenas o lucro e não se liga aos milhões de euros que se poderiam aproveitar para outras necessidades da população portuguesa. Um ex. disso mesmo é o futuro troço do IC5 de Vila Pouca de Aguiar – Miranda do Douro… previsto para ser uma VRA até há cerca de 1 ano atrás, mas desde que as EP foram privatizadas passou a ser mais uma A-E (A7)… e mesmo o novo troço do IP4. Se faz sentido haver uma A-E até Vila Real, até Bragança deixa de fazer… pois o tráfego diminui bastante…
    É o dinheiro dos contribuintes que está em jogo, são fundos europeus que poderiam ser aplicados em modos de transporte muito mais sustentáveis,p.e. e não meros slogans de que “Bragança é o único distrito sem qualquer quilómetro de A-E!”. São políticas de mediatismo e muito pouco sustentáveis, e muitas vezes corrompidas, que fazem do nosso país um belo exemplo para não ser seguido.
    PS: o problema do distrito de Bragança não é o IP4 (que já está construído) são as VRA prometidas há décadas que tardam a ser contruídas… (IP2 e IC5…) e a restante rede viária ditada ao abandono…

    Estevão Portela-Pereira, geógrafo.

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