A desertificação… triste sina

Quem não se lembra da Rua Fernando Caldeira  e da Praça Conde de Águeda, um dos locais mais aprazíveis da cidade?

Quem não se lembra do Largo do Botaréu, local paradisíaco junto ao Rio, com o seu frondoso arvoredo, onde no Verão se acolhiam os nosso visitantes, e os nativos tomavam o fresco junto ao seu Rio?

Quem não se lembra da Praça 1º de Maio, com os suas árvores acolhedoras que davam uma frescura nos longos dias de canícula e muitos aguedenses se deixavam na doce letargia de bem estar, numa das mais acolhedoras esplanadas da cidade?

Quem não se lembra do Jardim acolhedor no Largo Elísio Sucena com uma riqueza enorme de várias espécies de árvores entre elas um sem número de tílias frondosas, que falecerem recentemente?

Estes alguns exemplos, mas com certeza muitos mais haverá, que reflectem a triste sina que se abateu sobre Águeda-a-Linda desde há uns anos e que em nome duma renovação bacoca, e de argumentos fitosanitários muito duvidosos, tentam justificar o crime ambiental que é a destruição maciça destes seres que não se queixam, mas sofrem… é o aperto.

Na verdade triste sina se abateu sobre esta cidade, que vê de repente a destruição maciça de árvores sem a alternativa de renovação. No caso da Praça das Palmeiras, seres ainda muito jovens e cuja beleza era de facto insofismável, que qualquer cidade com sensibilidade ambiental mínima se orgulharia, o seu destino foi traçado por argumentos duvidosos de que as suas raízes estariam a destruir várias infraestruturas. Sendo assim a única solução foi a condenação imediata à deportação… assim foi o seu destino.

Também com argumentos deste tipo, que ouvimos de responsáveis, as árvores do Largo do Botaréu e recentemente do Largo 1º de Maio, incomodavam alguns transeuntes, pois no seu ciclo anual os pólenes e as resinas traziam inconvenientes, para alguns. Estes pequenos argumentos pesaram na sanha destruidora e desta vez esqueceu-se o bem e a beleza usufruída por todos e pronto … abatam-se. Não lhes deram oportunidade de defesa, nem ouviram outras opiniões e argumentos contrários. Posso…  quero… logo mando. É a senha dos chefes e aprendizes.

Decorrem agora grandes obras de remodelação no Largo Elísio Sucena, não conhecemos o que se passa, mas que envolve grandes despesas em época de crise não temos dúvidas, mas pelo que observámos mais uma grande fatia de árvores foi assassinada. Não tivemos oportunidade de contabilizar mas receamos pela vida de algumas frondosas tílias.

Agora o que temos a certeza é que mais uma vez se caiu na asneira de megalomanias, com obras que não sabem para que serve, à semelhança do actual Botaréu, que é um elefante branco, sorvedouro de verbas. Apenas vive duas vezes por ano, na festa do leitão e agitágueda, porque de resto a sua aridez, falta de gosto, não é capaz de acolher ou de atrair os aguedenses para o Rio.

Pensamos também nesta cidade tão pobre de Jardins e zonas verdes, que melhorias se introduziram, no Parque da Alta Vila para atrair a população, ou renovar a flora e a fauna do local? Nada ou muito pouco. Não teriam aqui melhor proveito as verbas que se esbanjam nestas obras junto ao rio?

Que se espera para a Praça António Breda? Nada se sabe, ou apenas se ouvem rumores que outra matança está na forja.

Quando em Portugal todas as cidades pugnam pelos seus jardins e árvores, veja-se a distinção de Viana de Castelo pela União Europeia, aqui destrói-se.

Que aconteceria em Lisboa se os responsáveis, com o argumento que as árvores libertam resinas, lançam pólenes ou destroem o passeios, mandassem abater as árvores da Avenida da Liberdade? Haja bom senso e humildade para ouvir outras vozes. O poder autárquico não é umbilical.

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1 comentário;

  1. Precioso Macário said:

    Quem conheceu Águeda e a imagina da forma como está descrita, só pode ficar triste com aquilo que se vem fazendo. Em nome do progresso!!!,diga-se.
    Não haveria outra forma de fazer as obras sem matar aquilo que durante dezenas de anos foi o ex.libris da cidade? Se calhar…mas os políticos assim não quiseram.

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