A força da indústria transformadora em Águeda

Águeda, vista aérea

Em Águeda, mais de metade do pessoal ao serviço da atividade económica está a trabalhar na indústria transformadora. Neste setor, que é o que mais gente emprega entre os 11 municípios da CIRA, Águeda representa um quinto dos 50 mil trabalhadores da Região de Aveiro. Os dados, referentes a 2016, são da Pordata

O município de Águeda empregava 10.514 pessoas na indústria transformadora em 2016, menos 343 que em 2009. Mesmo assim, esse número representa mais de metade do pessoal que se encontra ao serviço da atividade económica (empresas) na agricultura, indústria, comércio e outros serviços não financeiros. Ao todo, Águeda tinha 19.908 pessoas ao serviço da atividade económica – sendo o segundo município dos 11 da CIRA com mais trabalhadores.
Só Aveiro – com 29.417 pessoas abrangidas em todos os setores, 7.609 das quais na indústria transformadora – tem mais pessoal ao serviço da atividade económica que o município de Águeda, devido aos setores de comércio e, sobretudo, serviços.

OVAR PRÓXIMO DE ÁGUEDA

Ovar apresenta números próximos dos de Águeda: 18.994 pessoas ao serviço da atividade económica, 8.287 das quais na indústria transformadora, no último ano contabilizado. Aumentou, ao contrário de Águeda, o número de empregados neste setor, que era de 7.759 em 2009.
Ílhavo surge a seguir (12.021 pessoas ao serviço da atividade económica, 5.021 das quais na indústria transformadora). Todos os sete restantes municípios da CIRA/Região de Aveiro (Anadia, Albergaria-a-Velha, Oliveira do Bairro, Estarreja, Vagos, Sever do Vouga e Murtosa) tinham em 2016 menos trabalhadores em empresas de todos os setores que Águeda apenas no setor da indústria transformadora.
Houve seis municípios, porém, que aumentaram o número de pessoas ao serviço da atividade económica entre 2009 e 2016 (ver quadro), com particular destaque para Albergaria-a-Velha (mais 1.052 trabalhadores), Vagos (mais 730) e Estarreja (mais 693). Em sentido inverso surge especialmente Aveiro (menos 2.307 trabalhadores).

COMÉRCIO DE ÁGUEDA RESISTE

O impacto da indústria transformadora em Águeda, e a legitimidade para que Águeda faça valer os seus direitos, surge assim reforçado pela estatística oficial que a Pordata publica no seu sítio.
Há outros setores com tradição no município, como o do comércio por grosso e a retalho (3.986 pessoas envolvidas em 2016), que ao contrário do que se poderia supor tem-se mantido estável desde 2009 (3.960), apresentando um ligeiro aumento.
Águeda é o segundo município dos 11 da CIRA com mais pessoas ao serviço do setor comercial, superado apenas por Aveiro (5.373 pessoas envolvidas em 2016), mas com a curiosidade de, neste município, ter diminuído o número de pessoal ao serviço desta atividade económica (menos um milhar de pessoas comparativamente a 2009). Ovar, que surge em terceiro lugar com 3.850 pessoas, apresenta também uma diminuição em cerca de três centenas de pessoas entre 2009 e 2016.
Os números de Águeda quanto aos profissionais ligados ao comércio duplicam praticamente os de Ílhavo (1.689), Albergaria-a-Velha (1.580), Estarreja (1.542) e Anadia (1.379). Oliveira do Bairro tinha 1.965 pessoas ao serviço da atividade comercial a grosso e a retalho.

CONSTRUÇÃO VERSUS SETOR PRIMÁRIO

As pessoas envolvidas no setor da construção diminuíram de forma acentuada em Águeda (931 em 2016, 1.750 em 2009) e na Região de Aveiro (7.462 em 2016, perdendo 5.200 pessoas nos 11 municípios face a 2009). Aveiro é o município com mais pessoal ao serviço neste setor (1.383) mas este é ainda o setor de atividade com números mais equilibrados entre os municípios da CIRA.
Em contraponto ao setor da construção – neste mesmo período – surge a agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca. Águeda mais que duplicou o pessoal ao serviço deste grupo de atividade económica: eram 256 pessoas em 2009, passaram a ser 542 em 2016.
Dois municípios lideram neste setor de atividade (5.993 pessoas nos 11 municípios CIRA): Ílhavo tem um quinto das pessoas envolvidas na Região de Aveiro (1.251), seguido por Anadia (926).

 

Onde Águeda perde?

Águeda perde para Aveiro, e em muitos casos para o município de Ovar, no pessoal ao serviço de atividades económicas relacionadas com o comércio e serviços.
Aveiro é esmagador em setores como educação (1.066 representa um terço das 2.926 pessoas envolvidas profissionalmente com o setor em toda a região da CIRA); atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (2.552 das 6.432); atividades administrativas e serviços de apoio (3.050 das 8.772); saúde humana e apoio social (1.489 das 4.277); alojamento, restauração e similares (2.367 das 6.601); atividades de informação e comunicação (1.470 das 2.044); e atividades artísticas, desportivas e culturais (395 das 1.246).
Em muitos destes setores, Águeda fica mesmo atrás de Ovar, como nas atividades administrativas e serviços de apoio (1.664 pessoas em Ovar; 774 em Águeda); educação (413; 249); saúde humana e social (552; 477); atividades artísticas, desportivas e culturais (179; 140).
Relativamente ao alojamento, restauração e similares, Águeda é suplantado também por Ovar (819) e Ílhavo (735). O setor em Águeda apresentava uma diminuição em 2016 (673) face a 2009 (752).

AUGUSTO SEMEDO
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