“A minha escrita assenta muito na observação da vida” – Padre Armando

Padre Manuel Armando

“A minha escrita assenta muito na observação da vida, em muitos dos seus pormenores”, refere Manuel Armando Marques, pároco de Aguada de Baixo, que acaba de lançar o seu oitavo livro, “O Meu Anjo não perdeu as Asas”, que vai ser apresentado em Aguada de Baixo, no dia 30.

P> Acaba de lançar o seu oitavo livro, “O Meu Anjo não perdeu as Asas”, que vai ter apresentação pública em Aguada de Baixo, no dia 30. O que continua a motivá-lo a escrever?
R> Há uma necessidade intrínseca na minha forma de estar na vida e na comunidade a levar-me a partilhar o que penso, medito e gosto.
Não escrever seria esconder a candeia debaixo do alqueire, ainda que seja de luz humilde e frouxa. Pelo menos, é bem luminosa para mim.
Escrever é aproveitar os momentos privilegiados de educar silêncios; é arranjar oportunidade de falar comigo mesmo e deixar que, depois, outros “ouçam” o eco dessa conversação.
P> De que se “alimenta” a sua escrita? Em que se inspira?
R> A minha escrita assenta muito na observação da vida, em muitos dos seus pormenores. Entusiasmam-me, deveras, as atitudes e gestos, simples e sinceros, das crianças; olho a Natureza e tento inalar a sua originalidade pura; medito nas catástrofes do mundo, sobretudo aquelas que dividem as pessoas ou as desviam do caminho da fraternidade, da lealdade e sã convivência. O dever moral de escrever obriga-me a enriquecer-me de certos valores que ficariam no anonimato de uma consciência intranquila.

P> É um livro muito diferente dos anteriores?
R> Este meu oitavo livro insere-se na mesma dinâmica e sentido dos anteriores – em verso ou em prosa. Não será muito diferente dos outros, até porque, intimamente, continuo a ser o mesmo homem, incompleto mas feliz por saber que “ajudo” outros a joeirarem o grão, deixando ao de cima o melhor que se possa aproveitar.

“Escrevo porque amo o mundo em que vivo”

P> Saramago dizia que escrevia por desassossego… “Escrevo porque não gosto do mundo em que vivo”. E o padre Armando escreve por que razão?
R> Muito pelo contrário, eu escrevo porque amo o mundo em que vivo.
Quem dera pudesse eu descobrir a plenitude de tudo quanto se passa em redor de nós: – as pessoas, as descobertas, as belezas naturais, o ritmo do tempo e das estações, o trabalho e o afinco humanos…
Não deixo de lamentar, porém, toda a conspurcação do lado negativo de tantos indivíduos que transtornam o destino de felicidade a que todos somos convidados. Ainda vou alimentando a certeza de que o nosso “Anjo não perdeu as asas” e a esperança de que a sociedade também se deixe conduzir na direção mais humana e espiritual.

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