ABSTENÇÃO, VERGONHA PARA OS ATORES POLÍTICOS , por Augusto Semedo (*)

Em Águeda, em cada 10 eleitores só 3 votaram. A nível nacional, por cada 3 apenas 1 votou. Este panorama, por si só, é confrangedor! E uma vergonha para os agentes políticos.

 

Não é sério culpar-se do alheamento crescente apenas os cidadãos quando é a credibilidade dos atores que está posta em causa. Numa campanha centrada em assuntos domésticos (que não passaram é certo de questiúnculas e de chavões para caçar o voto fácil) os resultados demonstram que os portugueses não gostam de que veem mas também que olham, e voltam a olhar, não vislumbrando alternativas que mudem o rumo. Viajam ao passado quando chocam no presente com rostos – e tantos são os que pupilam pelos partidos e pelas televisões… – que levaram o país para um caminho de irresponsabilidade, temendo que este “arco de governação” não saia do ciclo vicioso que cavou o buraco!

Deve haver gente para além daquela que emerge do colete partidário, só porque controla melhor os corredores dos partidos, tolhendo movimentos a outra gente. Haverá, sim!

 

O triunfalismo socialista apenas menorizou um partido que, assumindo-se como alternativa, não se pode contentar com tão magra vantagem depois de ter utilizado como principal argumento eleitoral que o voto seria um “cartão vermelho” ao Governo. Com tão fraco resultado da Aliança Portugal e com tanta abstenção, sabendo-se da insatisfação dos eleitores para com o Governo, uma alternativa credível teria saído altamente reforçada destas eleições. No mínimo, muito próxima da maioria absoluta.

 

A verdade é que a alternância de poder, nas eleições mais recentes em Portugal, tem-se dado apenas à custa do desgaste de quem está no poder – e isso, por si só, é insuficiente. Ao votarem para desalojar, os eleitores refletem uma rejeição mas não necessariamente a confiança naqueles que passarão a ocupar o palacete da governação e a dominar os túneis do poder. 

 

Será imperioso que os agentes políticos reflitam. Se quiserem ser sérios, que olhem primeiro para si e para dentro das suas organizações, para a forma como exercem a sua atividade e como representam os cidadãos – que, pelos números da abstenção, não se revêm nos representantes que resultaram do voto popular.

Para o nosso futuro coletivo, em que deve obviamente continuar a acreditar-se, esse exercício político seria certamente decisivo para reforçar os alicerces do sistema que os tem como atores. Seria muito mais decisivo que a doida intriga dominadora do palco mediático – que os tem menorizado, também, mais do que os beneficia; que o espetáculo de permanente entretém; e que a simpatia geradora de empatia mas não garante de conteúdo para a participação efetiva na solução do que realmente interessa.

(*) – diretor adjunto do Região de Águeda

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