AEA: Dificuldades no acesso ao crédito bancário e aumento do gás natural levam empresários a escrever ao Governo

A Associação Empresarial de Águeda (AEA) expressou, em carta dirigida ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, “a preocupação das empresas associadas quanto à inexistência de crédito bancário para as PME’s”.

Segundo a associação presidida por Ricardo Abrantes, “estas dificuldades estão a criar complicações às empresas portuguesas, nomeadamente, ao sector exportador, que está a sofrer com a descida do rating da República, com a constante subida dos spreads e das comissões bancárias e com a redução do crédito bancário”.

A AEA considera ser “urgente” que o Governo encontre “uma solução para este problema, que está a afectar as exportações portuguesas”. Adianta que “as PME’s estão disponíveis para, em conjunto com o Governo e Bancos, encontrarem uma solução que satisfaça ambas as partes”. Alerta a AEA que “os bancos não podem continuar a retirar crédito às PME’s sob pena destas não sobreviverem à austeridade que nos foi imposta”. Por isso, acrescenta, “na actual conjuntura económica, uma moratória adicional nas linhas PME Investe constituiria um apoio fundamental para as PME’s que não têm condições financeiras para retomar a amortização de capital dos empréstimos concedidos ao abrigo destas linhas, mesmo para financiamentos que já tenham beneficiado de anteriores prorrogações”.

AUMENTO DO PREÇO DO GÁS NATURAL

Entretanto, a AEA escreveu também ao ministro da Economia, Álvaro Santos, para repudiar os aumentos do preço do gás natural para consumidores empresariais, solicitando que promova a redução da tarifa. “Ao longo dos últimos dois anos e meio, são superiores a 57% face ao preço praticado em Janeiro de 2010”.

A dificuldade do momento presente e a perda de competitividade externa são dois dos argumentos para a AEA considerar que “não há razões económicas nem de mercado que sustentem tal aumento”. Por outro lado, “há uma tendência de descida do preço do gás natural nos mercados internacionais (ex. EUA), pelo que, tal não se reflecte no nosso país”, enquanto “os lucros dos operadores aumentam de forma vergonhosa face à forte austeridade que as PME’s e famílias estão a atravessar”.

A AEA volta a criticar a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), acusando-a de nada fazer e de não atender nem defender os interesses dos consumidores empresariais. “Esta é mais uma entidade ao serviço dos distribuidores e comercializadores de gás natural, quando, na actual conjuntura económica deveria estar ao lado dos consumidores, dos portugueses e a promover a competitividade externa das PME’s”.

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