Afonso de Melo, autor de “O Outro Nome que a vida Pode ter”

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“Às vezes, os lugares ou os mundos estão dentro de nós próprios e nem damos por isso”, diz Afonso de Melo, jornalista e escritor, que acaba de lançar, em Águeda, o seu mais recente livro, intitulado “O Outro Nome que a Vida Pode Ter”. Um livro que relata histórias e memórias de infância e juventude e episódios vividos ao longo dos seus 30 e tal anos de atividade jornalística

P> Acaba de apresentar o seu mais recente livro em Águeda. O que pode o leitor encontrar em “O Outro Nome que a Vida Pode Ter… – crónicas anacrónicas e pensamentos a conta-gotas”?
R> Exatamente crónicas. E algumas peças soltas de memórias de vida. Muitas histórias de infância e adolescência, em Águeda (será sempre a minha terra, a terra dos meus avós) e na Barra, na Madeira, no Olival, nos Olivais Sul (onde também ganhei irmãos com os quais convivo diariamente) muitos episódios dos meus trinta e tal anos de jornalista. Gente, lugares, momentos. Uma procura de que haja algo em comum ao longo do que foi sucedendo ao longo deste tempo todo – um fio que vá ligando personagens, que são autênticas, mas vistas pelo meu prisma. Sei que parece confuso, e é mesmo. Tanto este livro como o anterior – Tira o Cavalo da Frente – servem para contar a história da minha vida e de muitas outras vidas. Mas acrescento que apesar do confuso, o leitor não se sentirá confundido. Há lógica em todo esse caos. A lógica da prosódia. Do ritmo.

P> “É uma escrita em que o autor ambiciona a perfeição”. As palavras são de Paulo Sucena a propósito do seu livro. Concorda? É isso que busca na escrita?
R> Não. Não me levo assim tão a sério. Escrevo por vontade, por paixão, por necessidade. E por profissão. Há muitas histórias nestes dois livros recolhidas nos jornais para os quais trabalhei em reportagens um pouco por todo o lado. Não busco perfeição, mas faço um esforço para nunca cair na mediocridade. Foi o próprio Paulo Sucena que me ensinou um dia: “Se escreveres uma frase fantástica e a seguir uma banalidade, ficarás amarrado à banalidade”. Pode ser utópico, mas eu no fundo quero é escrever a vida.

“VIAJEI POR
MAIS DE 120 PAÍSES”

P> É um livro que relata as experiências que viveu e a sua visão do mundo?
R> Sim. Tive a oportunidade de viajar por mais de 120 países, ou algo assim. A viagem faz-me escrever. Provoca-me sensações. Dá-me imagens e ritmos. Mas depois há também o jornalismo. E eu sou, sobretudo, um jornalista. Como dizia o Alfredo Farinha, que fez o favor de me ensinar muitas coisas, vou sempre com a necessidade de contar, opinar, esclarecer e ser útil. Acho isto formidável: o jornalista sentir a necessidade de ser útil!

P> Por onde é que este livro nos leva no relato dessas experiências? A que lugares? A que mundos?
R> Um nunca acabar de lugares: do Fojo ao Tibete, das lavadeiras do Sardão a Timbuctu, do rio e do velho Bério aos confins da Sibéria, do futebol que se jogava no adro ao convívio com tantos dos melhores jogadores do mundo que conheci – Eusébio, Pelé, Beckenbauer, Cruyff, Cristiano Ronaldo… E na literatura, na música, no teatro, de Saramago a Assis Pacheco, o meu querido Manuel Alegre, dos meus companheiros de jornada Rui Veloso, Fernando Tordo, Carlos Mendes, João Gil e por aí fora. Tive a sorte de viver num tempo em que o jornalismo não se fazia à secretária. Íamos. Íamos sempre à procura das histórias, de algo para dar aos leitores. E tive a sorte de ter, além de uma família que vive no ponto mais alto da ternura, amigos riquíssimos, de uma riqueza que é humana e não financeira. Às vezes, os lugares ou os mundos estão dentro de nós próprios e nem damos por isso.
ISABEL GOMES
MOREIRA

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