AFS: Jovens contam “experiências para a vida” em famílias de acolhimento

Massimo Ingrande e Fernando Alves

Fernando Alves, Piqui para os amigos, concluiu na última semana um ano em família de acolhimento numa cidade costeira dos Estados Unidos da América. Herda o mesmo nome do avô e do pai, que teve um colega da faculdade que já tinha estado naquele país ao abrigo do programa AFS – Famílias de Acolhimento. “O meu pai achou que seria uma boa experiência, perguntou-me se estava interessado, eu achei que sim”. O jovem de Mourisca do Vouga, que este mês vai entrar na maioridade legal, não conhece “outro caso de colega” que tivesse já vivido experiência semelhante. Contudo, no dia em que se mudou da Escola Adolfo Portela para rumar a Tillamook quis o acaso que um outro jovem ocupasse o seu lugar na turma do 12º ano de escolaridade de economia e jogasse na mesma posição (a defesa central) nos juniores do Mourisquense. Massimo Ingrande veio de Itália pelo seu “espírito independente” e para conhecer a sua quinta língua. Os dois falaram ao Região de Águeda das experiências que o programa AFS lhes proporcionou

O programa AFS – Famílias de Acolhimento é muito comum em Itália e noutros países pelo mundo. “Na escola, éramos 14 estrangeiros de intercâmbio, de Espanha, França, Itália, Alemanha, Rússia, Paraguai, Argentina e Japão”, contou Fernando Alves, o único português que integra o contingente de jovens acolhidos em famílias norte-americanas e na escola de Tillamook.
Hoje, regressado a casa, faz um balanço muito positivo. “Não falava praticamente o Inglês e agora falo; consegui praticar algum Castelhano; tenho uma mente mais aberta, consigo aceitar mais facilmente uma pessoa com outro pensamento… e construo um pouco melhor as minhas ideias, a minha própria ideia sobre as coisas”.

AMIGOS PARA A VIDA

A experiência, como todas as experiências vividas, teve coisas boas e menos boas, como a conversa foi revelando, mas o contacto de Fernando Alves com “as muitas culturas que se cruzam nos Estados Unidos” redundou num “crescimento pessoal” importante. “Vivi muitas aventuras e tenho histórias para contar”.
Massimo Ingrande, o italiano que completou 18 anos com a sua família de acolhimento, residente na Trofa, regozija-se com a “quinta língua” que já consegue falar. E fluentemente – testemunhámos. Na casa que o acolheu teve um “irmão” da mesma idade, colega de equipa nos juniores do Mourisquense, que também foi uma mais-valia.
“Já era muito independente mas agora sou mais: um ano longe da família biológica e dos amigos de sempre dá-nos outra perspetiva das coisas”, referiu Ingrande. “Tive aqui uma vida nova, amigos novos, pessoas novas, uma cultura diferente… Foi uma experiência de vida que também é uma demonstração de força psicológica porque ao início desconhecemos o que vamos encontrar e agora podemos dizer que fizemos amigos para a vida e que valeu a pena”.

RELAÇÕES FAMILIARES

Ambos tiveram que trocar de família de acolhimento. Nos EUA, Fernando Alves estava para ficar apenas três meses na primeira família mas só em fevereiro deste ano se mudou para a segunda família. “Fui o quarto estudante recebido mas não senti grande interesse; senti-me protegido mas não me senti verdadeiramente parte da família, passava o tempo mais com os meus amigos”.
Já com a segunda família de acolhimento foi “diferente”. Foi o 22º acolhido, o que mostra bem a dimensão deste programa naquele país. “Foram mais interessados e dei-me muito bem com o meu ‘pai’”. Trabalhou no último mês com esse ‘pai’ da família de acolhimento a “apanhar ostras” e a ‘mãe’ fez-lhe uma proposta para ir para a Guatemala “fazer parte de um projeto para desinfetar águas”.
Em Águeda, Massimo Ingrande “sempre” teve “boas relações” com as duas famílias, “muito disponíveis comigo”. A principal diferença que referiu foi que “na segunda família, na Trofa, os avós também vivem lá e comia-mos todos juntos”. Salienta: “Construi uma boa relação com as famílias que vai perdurar no tempo”.

(informação completa na edição da semana de 17 de julho de 2019)

 

FERNANDO ALVES
é conhecido como Piqui. Completa este mês 18 anos. De Mourisca do Vouga, onde reside, foi para Tillamook, no Estado de Oregon, na costa oeste dos Estados Unidos da América. O Estado da Califórnia (cidade de São Francisco) fica 900 kms a sul, o Canadá (Vancouver) fica 600 kms a norte.
MASSIMO INGRANDE
é italiano de Musile di Piave, povoação com 11 mil habitantes situada a 36 kms a norte de Veneza. Fez 18 anos em abril. Estudou na Escola Secundária Adolfo Portela e jogou futebol nos juniores do Mourisquense. Regressou no domingo a Itália. O pai é segurança e a mãe trabalha na lavandaria de um centro social.
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