Água.da.pocheira@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

A Assembleia da República emitiu há dias um parecer negativo a um projecto do PS que queria adoptar o consumo de água da torneira, acabando com a água mineral engarrafada. A bancada do PS queria instituir o consumo de água da torneira na Assembleia da República invocando a redução de resíduos. Mas o parecer aprovado diz que a água mineral – em garrafas ou máquinas de distribuição – tem garantida a sua total higiene, enquanto “essa garantia não existe na utilização da água canalizada”. Isto porque o fim da água mineral implica a sua substituição por jarros individuais, colocando questões de manutenção e da falta de pessoal para os encher e levar aos deputados. O parecer foi aprovado por unanimidade, à excepção do BE, que não esteve presente. São exigentes, estes nossos deputados…

Consistente na sua senda de “sptitting image” do PS nacional e de José Sócrates, o executivo de Gil Nadais instituiu (sem direito a voto ou contestação) prática semelhante nas sessões da Assembleia Municipal de Águeda. Agora, nas longas reuniões (por vezes até depois das duas da manhã), os membros da Assembleia só podem matar a sede através dos minúsculos copos plásticos pousados junto à “pocheira” da água. Claro que, ao contrário da proposta da AR, aqui não existem funcionários para levar a água aos deputados e, por vezes, nem para repor a pocheira vazia… Para reforçar a sua posição, o Presidente da Câmara deu-se ao trabalho de enviar aos membros da Assembleia um e-mail com uma exaustiva apresentação em powerpoint sobre os malefícios ambientais do consumo de água engarrafada.

Não tenho qualquer problema em beber “água da pocheira”, nem qualquer fixação com a água engarrafada. A fazer fé nas análises laboratoriais, a água das nossas torneiras é potável, e pode ser consumida sem restrições. Para mim, isso basta. Agora, não queiram é fazer de nós parvos. É evidente que esta medida tem subjacente uma mensagem populista, insinuando poupança e sacrifícios por parte de alguns órgãos de soberania. E é óbvio que a verdadeira poupança se obtém evitando decisões e obras desnecessárias, e não nos poucos cêntimos “poupados” com a água da torneira. Mais: a avaliar pelo novo tarifário da (L)ADRA, chego a ter dúvidas de que esta alteração fique mais em conta para os cofres da autarquia, e não me espantaria se a água da torneira ficasse mais cara do que a engarrafada! Mas isso são “contas de outro rosário”, assunto ao qual brevemente dedicarei algumas linhas…

Já agora, permitam-me a observação: perante este discurso radical “anti água embalada”, o que pensará a conhecida empresa de águas do nosso concelho que, não raras vezes, colabora com iniciativas da Câmara Municipal, fornecendo (e oferecendo) precisamente a sua água engarrafada? Irá sugerir à CMA que lá vá buscá-la com um camião cisterna?

Realmente, isto é mesmo uma questão de água. Os governantes socialistas, nacionais e locais, estão mais do que experimentados em meter água, e querem distrair-nos com mais esta. O que eles querem mesmo é manter-se à tona de água. Será que os portugueses, e os aguedenses, irão ceder à vontade de os afogar na sua própria água?…

 

(ainda, e sempre).vias.cicláveis@Águeda.pt

 

Regresso a este tema (e voltarei até que a Câmara desista das passadeiras vermelhas), para dar conta de mais um facto que aumenta a minha estupefacção. Depois das críticas generalizadas (estética horrível, caos e confusão no trânsito, custos elevados, eliminação de estacionamentos, danos nos automóveis e, mais importante, absoluta inutilidade), eis que muitos utilizadores regulares de bicicletas me fazem chegar um novo e espantoso facto: as chamadas “vias cicláveis” de Águeda são perigosas! Afinal, apesar de toda a propaganda tentando justificar o injustificável, são os próprios beneficiários das vias cicláveis que vêm alertar para o perigo que estas constituem quando o piso está molhado. A célebre tinta vermelha não proporciona aderência, e as bicicletas escorregam perigosamente. Se mais evidências fossem necessárias, aqui está um dado a ter em conta. Resta saber se o executivo municipal vai assumir o erro, eliminando de imediato uma ”obra” criticada por quase todos ou, pelo contrário, vai apenas aguardar que a tinta desbote ou que alguns automobilistas mais irritados comecem a arrancar os reflectores que lhes andam a dar cabo dos pneus. O destino das “vias cicláveis” parece estar traçado, faltando saber a data do epílogo…

(*) – Vice-presidente do PSD/Águeda

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