“Águeda é indiscutivelmente e desde há décadas uma força industrial nacional”

Fernando Castro, presidente da AIDA

Antecipando o sexto Fórum Empresarial do Distrito de Aveiro, que a  Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) realiza em Águeda a 16 de novembro, Fernando Castro, presidente da direção da associação, no seu segundo mandato, em entrevista ao RA, fala dessa realização e dos desafios que se colocam às empresas do distrito, considerando que “Águeda é indiscutivelmente e desde há décadas uma força industrial nacional”

P> Está no seu segundo mandato como presidente da direção da AIDA. O que é que definiu como prioridades e que balanço faz destes quase seis anos à frente da associação?
R> Realçar a importância do associativismo empresarial, dinamizar o desempenho da AIDA e aproximar as empresas da associação, foram as principais prioridades estabelecidas. Ainda que não me considere suficientemente satisfeito com os resultados do trabalho desenvolvido, o balanço apresenta-se positivo. Quando iniciámos o mandato, vivia-se numa época com bastantes incertezas à nossa volta. Era fundamental reatar ligações e restabelecer confiança, inclusive nas associações empresariais.

P> Que papel acha que verdadeiramente desempenha a AIDA para indústria do distrito?
R> Nas várias frentes em que atua, e não são poucas, esta associação procura disponibilizar aos empresários ferramentas para que possam executar melhor os seus projetos, estabelecer pontes com entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras que possam servir os objetivos daqueles.

P> Esse papel é reconhecido pelos associados e empresários de uma forma geral?
R> A formação e a índole dos empresários não é toda igual. Há uns que são mais participativos e outros que são mais individualistas.
Os primeiros procuram e colaboram com a AIDA, enquanto os segundos aparecem apenas quando sentem alguma dificuldade. Achamos isso normal, pelo que tratamos todos de igual forma e não nos temos dado mal com essa forma de proceder.

P> Quantos associados tem atualmente a associação?
R> Ultrapassa largamente as oito centenas, representativas dos mais diversos setores industriais do distrito e com a mais variada dimensão.

P> Quantos associados tem do concelho de Águeda?
R> Cerca de uma centena.

“FRAGILIDADE FINANCEIRA E DIMENSÃO DAS NOSSAS EMPRESAS É PREOCUPAÇÃO”

P> Quais são as maiores preocupações da associação no que ao setor industrial diz respeito?
R> Desde há anos que nos vimos preocupando com a fragilidade financeira e a dimensão das nossas empresas e que vimos reclamando medidas que contribuam para corrigir a situação.
A crise de 2008 colocou bem a nu esse handicap. Sem empresas financeiramente saudáveis não é possível desenvolver os projetos, assim como se não tiverem dimensão adequada também não podem ter economias de escala que lhes permita melhorar o seu desempenho e ambicionar alargar os horizontes.

P> Disse, recentemente, que Aveiro tem falta de mão de obra qualificada em todos os setores. Esse é o maior problema que enfrentam as empresas da região? Como é que, na sua opinião, se ultrapassa esse constrangimento?

R> Essa é uma evidência, não só de mão de obra qualificada como de indiferenciada. A falta de mão de obra qualificada deve-se, por um lado, à emigração provocada pela crise de 2008, mas também à desadequação da mão-de obra existente face à evolução tecnológica que está constantemente à acontecer. A mão de obra indiferenciada deve-se ao desenvolvimento geral da atividade económica, sobretudo no setor do turismo, por ser um setor que rapidamente aceita mão de obra sem exigir grandes qualificações. Para colmatar a falta de mão de obra qualificada, no plano das empresas, há que promover a requalificação dos recursos humanos existentes o melhor e o mais rapidamente possível, ao mesmo tempo que devem ser repensados os processos de produção, os investimentos e os níveis de remuneração. No plano externo, sobretudo no ensino, devem ser revistos os currículos dos cursos de modo a aproximá-los o mais possível da atual realidade da atividade industrial.

“PARQUE EMPRESARIAL DO CASARÃO FOI UMA EXCELENTE INICIATIVA”

P> Como é que vê as apostas que Águeda tem feito dirigidas às empresas, nomeadamente a construção do seu parque empresarial?
R> A construção do parque empresarial foi uma excelente iniciativa, que só pecou por tardia. Águeda é indiscutivelmente e desde há décadas uma força industrial nacional, que foi crescendo de forma algo natural sem grandes preocupações com o ordenamento do território, até que as consequências começaram a sentir-se. Ainda bem que foi possível concretizar o projeto de um parque industrial. Agora venham os acessos adequados, porque a sua necessidade está mais do que justificada.

Isabel Gomes Moreira
(entrevista completa na edição da semana – 7 de novembro de 2018)
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