Águeda é o país… , por Santos Silva (*)

Habituámo-nos a ouvir esta frase com alguma frequência, no sentido de ufanamente relevar a importância da cidade no panorama nacional. Claro que isto reflectia uma vaidade admissível, mas que só romanticamente coincidia com a realidade.

Hoje, estamos perfeitamente de acordo com o aforismo em epígrafe, pois finalmente atingiu o estatuto que vinha reivindicando e que perdeu a sua carga romântica. É pura realidade!

Assim, Águeda é realmente o reflexo de um país que se tornou palco de atropelos à dignidade e ao bem-estar dos seus cidadãos. Num país em que os governantes apenas impõem sacrifícios e austeridade sobre os tristes e amachucados Portugueses, sem que imponham a si próprios a solidariedade dessa austeridade. Antes, pelo contrário, aumentam as despesas e engordam os seus proventos à custa dos pobres maltratados. 

Assistimos em Águeda, numa época em que temos conhecimento de famílias que passam fome, e cujas necessidades sociais cada vez mais se agravam, a um esbanjar indecoroso de milhões de euros num conjunto de obras de muito dúbia pertinência e questionável utilidade. Não adianta vir com o chavão de “Velho do Restelo” ou com a estafada desculpa de que era preciso aproveitar verbas que vinham não sei de onde, nem tão pouco com o que se tem ouvido de que é preciso esperar para ver o que das obras vai nascer e só então nos pronunciarmos… O que já é visível dá-nos a certeza de que o esbanjamento é real e que o resultado final da obra será muito medíocre, a saber no Jardim virado rotunda Conde Sucena, na Praça 1º de Maio e no Cais das Laranjeiras. É voz comum dos Aguedenses que aquelas obras descaracterizaram Águeda-a-Linda (apesar de esta pouco ter de característico para além dos pastéis), tornaram estes locais inóspitos, frios e pouco acolhedores, o que justifica o afastamento das pessoas.

Num governo autista, que não ouve e só impõe com o posso, quero e mando, os valores democráticos esmorecem e as preocupações sociais são esquecidas. Os Portugueses não são ouvidos para nada, por muito que protestem. Também neste vector podemos assemelhar Águeda ao país. Sabemos que alguns dos próprios responsáveis autárquicos fiscalizadores da actividade do poder executivo desconhecem os grandes pormenores, limitando-se a linhas gerais e, mesmo estas, muito mal definidas. Assim vai a democracia também neste reino…

A única diferença entre Águeda e o país é que aquela é a primeira cidade inteligente! Assim, tem à disposição do seu presidente e funcionários uma dúzia de bicicletas eléctricas como exemplo de desenvolvimento sustentável! Além disso, Águeda tem um sistema de iluminação pública altamente sofisticado que nos deixa à escuridão absoluta no início da noite. Inteligência? Sim, porque Águeda também “descobriu” a separação de lixos para reciclagem, etc. Assim sendo, afinal Águeda não é o país. Está muito à frente. Gaspar & Passos têm muito que aprender!

(*) – Colaborador

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