“Águeda identifica-se com o PSD mas não se tem identificado com os dirigentes locais” – Luís Tendeiro (PSD)

Luis Tendeiro, novo presidente da comissão política concelhia do PSD/Águeda

Há um mês à frente da comissão política concelhia do PSD, Luís Tendeiro diz que tem um projeto a quatro anos. Critica a estratégia seguida pelos dirigentes do PSD local nos últimos anos e diz que aprendeu muito com António Cruz Silva, garantindo, desde já, que o PSD concorrerá sozinho nas próximas eleições autárquicas. Recorde-se que o dirigente assume a liderança da concelhia numa altura em que o PSD nunca teve tão pouca representação nos órgãos autárquicos municipais e sem as freguesias com maior peso eleitoral que lhe garantiam importantes vitórias autárquicas. “Águeda identifica-se com o PSD mas não se tem identificado com os dirigentes locais”, refere

P> O que o motivou a entrar na vida político partidária ativa?
R> Na verdade não se trata de uma entrada… comecei na vida política ativa quando era estudante no ensino secundário. Fui presidente da Associação de Estudantes da Marques de Castilho. Naquele tempo, como ainda hoje, era uma prática comum os partidos apoiarem as listas. Depois fui para a JSD e, entretanto, fiz aí a chamada “carreira política” nas juventudes partidárias, tendo sido presidente da comissão política da JSD. Fui também vice-presidente da distrital na altura de Hermínio Loureiro e fui conselheiro nacional da JSD e presidente da mesa da JSD distrital. Depois ingressei no partido e fui vice-presidente de Cruz Silva. Mais tarde afastei-me…

P> E o que esteve na origem desse afastamento?
R> Sobretudo razões familiares. Na altura, podia ter seguido a vida política, mas por razões profissionais e familiares, abracei outros projetos.

P> Foi um interregno de quanto tempo?
R> Foram 15 anos. Desde 2000 até há dois anos em que fui convidado por Carlos Franco para presidir à mesa da assembleia da secção de Águeda e aceitei porque era um projeto interessante e não dava grande trabalho…

“Senti que era necessário dar uma lufada de ar fresco”

P> E agora o que o motivou a candidatar-se à liderança do PSD Águeda?
R> Senti que era necessário dar uma lufada de ar fresco ao partido local.

P> Acha que é essa lufada de ar fresco que falta ao partido?
R> Posso contribuir para isso. O partido é líder por natureza em Águeda. Ganhou as últimas eleições nacionais todas.

P> Ao contrário das autárquicas em que tem perdido representatividade…
R> … Penso que as pessoas em Águeda se identificam com o PSD, mas não se têm identificado com os dirigentes locais nos últimos anos.

P> Só com os dirigentes ou também com os candidatos escolhidos?
R> Acho que o partido local tem trabalhado de forma fechada. As pessoas que estiveram no PSD nos últimos 15 anos têm muito valor, só que não fazem o que é importante, do meu ponto de vista, fazer na política.

P> Ou seja?
R> Chegar às populações… dar-se a conhecer. As pessoas gostam de conversar com os seus dirigentes políticos e o PSD local não tem promovido isso. O intuito desta minha candidatura foi principalmente esse. Não sou uma pessoa de grandes discursos, sou mais uma pessoa que trabalha a verdadeira génese do PSD, privilegia o contacto humano.

“Aprendi muito com Cruz Silva”

P> Fez referência ao facto de ter sido vice-presidente de António Cruz Silva… Pretende fazer renascer a velha “escola” de Cruz Silva?
R> Aprendi muito com Cruz Silva. Fui, sou e continuarei a ser grande amigo do Cruz Silva. Estive ao lado dele em muitas guerras e aprendi muito com ele. Percebi como é que se ganham eleições!

P> Mas é essa “escola” que quer fazer renascer?
R> Tenho 48 anos e, mesmo afastado da vida política ativa, sempre acompanhei a atividade. E percebi – e isso é que me levou a candidatar – que o caminho tem de passar pela aproximação não só aos militantes mas também aos simpatizantes. Acho que também é muito importante a comissão politica reunir semanalmente para haver um acompanhamento efetivo da atividade política. Quero fazer, inclusive, reuniões da comissão política, uma vez por mês, nas freguesias, para podermos chamar os nossos militantes e simpatizantes.
Infelizmente, neste momento, temos apenas uma vereadora, mas é uma vereadora a quem é reconhecido mérito por parte de quem a conhece na sua atividade profissional. Uma pessoa inteligente e capaz, caso contrário, não estaria à frente de uma instituição há tantos como a CERCIAG. Mas o que é que acontece? As pessoas do concelho não conhecem a Dra. Luísa… já ouviram falar, viram a fotografia nos cartazes, mas pouco mais. É meu objetivo dar a conhecer a Dra. Luísa e o seu trabalho.

“O meu projeto é a quatro anos”

P> O seu objetivo é levar de novo o PSD rumo às vitórias?
R> …O meu projeto é a quatro anos…

P> Haverá eleições para a concelhia pelo meio… já está a anunciar que se irá recandidatar daqui a dois anos?
R> Sim… o futuro a Deus pertence… O PSD irá apresentar-se com listas próprias. O PSD é um partido de poder e vai disputar as próximas eleições com o objetivo de voltar a liderar os destinos de Águeda, mas sozinho sempre. Não precisamos de ninguém nem de muletas nem de nada. Temos força suficiente para voltarmos a ser o maior partido em Águeda. Aliás nós somos o maior partido em Águeda!

ISABEL GOMES MOREIRA
(entrevista completa na edição da semana de 7 de fevereiro de 2018 – versões e-paper e impressa)
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