Águeda: Pandemia agrava fragilidade das IPSS

IPSS procuram responder ao presente mas o futuro é visto com preocupação e incerteza

Algumas das medidas adotadas pelas IPSS passam pela proibição de visitas, alteração de turnos, criação de áreas de confinamento e funcionários em regime de lay off, para fazerem face às dificuldades decorrentes do estado de emergência decretado no país. Dificuldades essas que tornam ainda mais difícil a sobrevivência de uma existência já por si frágil

As estratégias das IPSS do concelho de Águeda para vencer este desafio podem ser diferentes, mas o discurso é semelhante, pautado por uma grande preocupação e incerteza quanto ao futuro. Sobretudo para as instituições que trabalham apenas com crianças, como é o caso da Bela Vista, com 221 crianças e 32 colaboradores em casa. “O momento é de incerteza, não sabemos muito bem quando é que isto vai terminar e como vamos estar todos nessa altura”, refere Luísa Coelho, diretora desta IPSS. “Vamos vivendo um dia de cada vez, mas receio que se o Estado não apoiar seriamente, haverá muitas instituições que encerrarão portas”, alerta aquela responsável, dando nota que espera também alguma solidariedade por parte dos pais para com a instituição, que reduziu a mensalidade em 50%.
Colaboradoras da Bela Vista ligam todas as segundas-feiras aos encarregados de educação para saber do que precisam e vai enviando por email materiais com atividades que podem fazer com os filhos. Aqueles que preferirem podem ir à instituição buscar materiais.

SANTA CASA ATRIBUI PRÉMIO AOS FUNCIONÁRIOS

Já a Santa Casa da Misericórdia de Águeda tem valências nas áreas da infância mas também dos idosos. A opção nesta IPSS, como dá nota o provedor Mota Rodrigues, recaiu na criação de turnos de serviço de 12 horas, com duas equipas de 16 elementos, a fazerem sete dias de trabalho seguidos e a folgar outros sete.
Com as valências de infância fechadas, 13 funcionários aceitaram trabalhar no apoio aos idosos, entrando os restantes, cerca de duas dezenas, em regime de lay off. As mensalidades pagas pelos pais também sofrerão uma redução de 50% e além disso a Santa Casa atribuiu um prémio pecuniários aos funcionários, que totaliza os 23 800 euros.
Desde o dia 11 de março que a Santa Casa prepara a sua estratégia com vista a travar e a impedir que a Covid 19 atinja as unidades de Águeda e de Barrô, como dá nota Mota Rodrigues. Nomeadamente com a criação de uma ala no ginásio para isolamento com oito camas, para acolher os utentes que tenham de sair da instituição para ir ao hospital ou para fazer hemodiálise, que são transportadas por um funcionário da instituição, que depois entra também em isolamento.
Além disso, a Santa Casa reforçou as equipas com mais enfermeiros e médicos, que passaram a estar todos os dias na IPSS. De acordo com o provedor, a instituição está a gastar em média por dia 300 a 400 máscaras, adquiriu 50 à China e agora são as funcionárias da casa da criança que as vão produzindo.

3 MIL EUROS EM MATERIAL POR DIA

Ainda de acordo com o provedor, a Santa Casa está a gastar cerca de 3 mil euros por dia em material e equipamento de proteção individual. “Os funcionários estão a fazer um grande esforço e precisam de ter confiança e sentirem-se seguros”, sublinha Mota Rodrigues. “A Santa Casa compra e paga, ainda não nos faltou qualquer equipamento”, acrescenta o provedor, defendendo que a Segurança Social “deve ter em conta estes gastos elevados em material e ajudar as instituições”.
Mota Rodrigues chama ainda a atenção para a “especulação” existente ao nível da compra de material e equipamento, dando o exemplo de batas impermeáveis compradas por 2 euros num dia e 19 euros no dia seguinte, o que levou o advogado da instituição a pedir explicações à empresa.
Entretanto, na passada sexta-feira, a Santa Casa iniciou testes de despistagem a 158 trabalhadores nesta primeira fase, custeados pela própria IPSS.
A Associação Os Pioneiros foi a primeira IPSS a anunciar que iria ter uma equipa de colaboradores e residir na instituição durante 15 dias, que depois seria substituída por outra, que se encontra em casa também em isolamento. Uma medida que, de acordo com o presidente José Carlos Arede, “está a dar resultado e se afigura como a melhor opção para travar o contágio e a propagação do vírus”.
“Não impusemos nada aos nossos funcionários, eles é que perceberam que era a melhor forma de preservar os nossos idosos”, acrescentou o dirigente, dando nota que alguns deles até estavam disponíveis para ficar um mês na instituição.
Entretanto, a direção já deu início ao processo para colocar 28 funcionários das valências de infância em lay off e outros irão prestar apoio aos idosos.

“Governo tem de ser sensível ou as instituições acabam por sucumbir”

“O governo tem de ser sensível ou as instituições que já estavam com problemas acabam por sucumbir”, alerta José Carlos Arede, sublinhando que “as despesas são as mesmas, apenas há uma redução de custos ao nível da alimentação, mas as receitas diminuíram”, sublinha o dirigente, dando nota da redução de 50% nas mensalidades, na linha do que acontece com as restantes instituições. A instituição tem mais de uma centena de funcionários, incluindo prestadores de serviços.
O Centro Social de Belazaima do Chão foi a segunda IPSS do concelho a divulgar publicamente que iria ter uma equipa no interior da instituição durante 15 dias seguidos para depois ser substituída por outra.
O presidente Vasco Paulo Antunes revela que os 15 utentes que estavam no centro de dia passaram a ser apoiados em casa através do apoio domiciliário. “Os utentes estão em casa, não sei se voltarão… ninguém consegue prever o que vai acontecer”, sublinha o dirigente. “As nossas instalações são das mais antigas da região, mas estamos a conseguir criar áreas de confinamento”.
A instituição está a debater-se com a dificuldades de arranjar máscaras, apesar da oferta de viseiras da Inspeágueda, e equaciona passar a produzi-las nas suas instalações.

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