Águeda quer ampliar museu ferroviário

Atores do TEMA proporcionaram recreação histórica no museu ferroviário

A CP está disponível para apoiar a “aposta estratégica” da Câmara de Águeda no museu ferroviário de Macinhata do Vouga mas não dará apoio financeiro. Carlos Nogueira, presidente do conselho de administração da CP e da Fundação Museu Nacional Ferroviário, deu essa certeza na sede da Junta de Freguesia de Macinhata do Vouga, após a apresentação do projeto de ampliação e requalificação do núcleo museológico

Estação de Águeda, paragem da viagem para proporcionar uma visita à baixa da cidade e aos guarda-chuva coloridos

Estação de Águeda, paragem da viagem para proporcionar uma visita à baixa da cidade e aos guarda-chuva coloridos

A sessão foi preparada no dia em que o comboio histórico do Vouga regressou à linha, ligando Aveiro a Macinhata do Vouga, com o regresso a integrar uma paragem para uma visita guiada à cidade de Águeda. Nas três carruagens, ainda e só puxadas por uma locomotiva a diesel, viajavam entidades oficiais, convidados e também turistas de várias nacionalidades.
Em Águeda, por exemplo, entraram visitantes que encheram a carruagem intermédia, de 48 lugares, viajando até Macinhata do Vouga, participando na visita guiada e recreada ao museu ferroviário, e regressando depois até Aveiro. Haviam reservado antecipadamente o bilhete para participarem na viagem que reabriu o serviço, que a CP se prepara para prolongar até outubro, aos sábados, em parceria com a Câmara de Águeda e a Junta de Macinhata do Vouga.

LOCOMOTIVA A VAPOR SÓ EM DEZEMBRO

A locomotiva a vapor, já estacionada na estação de Sernada do Vouga, fica reservada para o mês de dezembro, devido às condições meteorológicas. De acordo com Jorge Almeida, presidente da Câmara de Águeda, a Autoridade Nacional de Proteção Civil não deu o consentimento para que a máquina movida a carvão e água operasse durante o Verão, devido ao alegado risco de incêndio.
Seja como for, esta viagem inaugural, animada pelo Grupo Folclórico Etnográfico Macinhata do Vouga, confirmou o comboio como elemento de forte identidade para a comunidade. Vários foram as buzinas que se ouviram quando os carros passavam ou se cruzavam em sentido inverso com o comboio, bem como os acenos de quem se quedava na berma da linha ou à janela de casa à passagem da composição histórica.
Em Macinhata do Vouga esse sentido de pertença foi ainda mais vincado, ou não fosse a freguesia umbilicalmente ligada à ferrovia. O próprio Carlos Gomes Nogueira, atual presidente da CP, natural da Moita (Macinhata do Vouga), viajou muitas vezes na sua meninice na linha do Vouga. Voltou a acompanhar a viagem inaugural até Macinhata do Vouga e fez questão em se despedir da equipa de funcionários que operava no comboio, antes deste iniciar a marcha de regresso a Aveiro.

A carruagem mais antiga data de 1908

A carruagem mais antiga do comboio histórico data de 1908

AMPLIAÇÃO DO MUSEU COM PROJETO

Em Macinhata do Vouga, a visita guiada ao museu foi ainda muito bem recreada pelo TEMA- Teatro Espontâneo de Macinhata do Vouga. Os visitantes foram divididos em dois grandes grupos. Foi prestada uma homenagem às “pessoas de Macinhata ligadas ao comboio”, com a presença no local de Fernando Azevedo, antigo chefe da estação de Sernada e de Macinhata do Vouga.
Na sede da Junta, foi feita a apresentação do projeto de ampliação e requalificação do museu ferroviário, com Jorge Almeida a reforçar ideias para que seja desenvolvido na freguesia um centro de atração de pessoas para a prática de atividades de lazer e ligadas ao comboio.
“O complexo está bastante degradado e as oficinas em Sernada trabalham parcialmente, há contudo potencial que pode ser aproveitado como fator agregador e de desenvolvimento pelo concelho e região”, referiu o autarca, num entendimento que se estende a Pedro Marques, presidente da Junta de Freguesia.
“Temos projetos de parceria com Albergaria para prolongar a ecopista de Sever do Vouga até Sernada e precisamos de intervir no complexo: o material está depositado em condições deficitárias em Macinhata e potenciaremos todo o nosso espólio físico e histórico se tudo isto funcionar em sintonia entre Macinhata e Sernada”, referiu Jorge Almeida.

Interior de uma das carruagens

Interior de uma das carruagens do comboio histórico na Linha do Vouga

Para a modernização do museu, a câmara já adquiriu o terreno contíguo e pediu um projeto para o espaço com “custos reduzidos”, indo ao encontro do “essencial”.
“Se isto não andar para a frente que não seja por nossa culpa”, comentou o presidente da Junta, numa sessão que teve António Quaresma, presidente da Assembleia de Freguesia de Macinhata do Vouga, a enaltecer o papel de Jorge Almeida na defesa do comboio.

AUGUSTO SEMEDO
(reportagem completa na edição da semana de 3 de julho de 2019)
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