ÁGUEDA TEM PROBLEMA COM A SUA HISTÓRIA?! , por Augusto Semedo (*)

Do conjunto de alterações que as obras de regeneração urbana provocaram na cidade (considerando o conceito, a novidade, a funcionalidade e o efeito real e objetivo do investimento) há algo que se assume como inequívoco perante a subjetividade de várias apreciações que foram e vão sendo feitas.

- Posso até compreender o conceito e ele nada significar para a maioria (afinal, para todos aqueles que até circulam com os seus carros por cima das vias cicláveis – falta de civismo ou ausência de capacidade interpretativa?);

- Posso até apreciar o novo espaço ou entende-lo apenas como uma camisa nova que a pouco e pouco (e com tantas nódoas que o dia a dia vai acumulando…) se vai deixando de gostar e, se houver entretanto outra melhor, de usar;

- Posso até abrir uma frente de discussão sobre se a evolução dos espaços públicos deve fazer-se em continuidade ou em rotura praticamente total com os hábitos das pessoas (sujeitos ativos das comunidades)…

- Posso considerar tudo isso – e mais se a hipotética valorização do espaço público é, por si só, suficientemente apelativo para que as pessoas o frequentem – que daria para interessantes discussões.

 

A ESTÁTUA

 

Há algo, porém, que não deveria oferecer discussão possível: o da Identidade, ou a sua preservação, que advém da sua história e tradições. E ainda mais agora, quando muitos se viram mais para fora e mostram alheamento sobre as coisas que os rodeiam. Como se pode viver o presente se não se sente o passado?

Não serão muitas as referências de Águeda mas sempre são várias, em variados domínios. E uma delas, às portas da Marques de Castilho (escola), marcou uma época extraordinária do hospital. António Breda teve uma estátua, que deve ser considerada no seu conjunto e não apenas pelo busto, possível através de subscrição pública. Bonita ou não, majestosa ou não, era a estátua de um Homem referência.

Haverá legitimidade para alguém alterar a estátua original, neste caso erigida graças à contribuição da própria população? Boa questão…

A estátua foi alterada e, hoje, o busto perde-se na granítica área que o envolve e na escuridão mal a noite cai. Nem uma placa indica quem é, ali mesmo junto a uma escola por onde passam as novas gerações de Aguedenses que nem desconfiam quem foi aquele ilustre Aguedense.

Tenho dificuldade em compreender como esta indignidade passa quase despercebida.

Águeda terá algum problema com a sua história?

(*) – Diretor-adjunto do Região de Águeda

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