“Águeda terá mais projetos e mais trabalhadores”

Jorge Fesch, CEO da AAPICO SA

“Estamos muito satisfeitos com esta alteração acionista porque nos abre outros caminhos numa rota que as empresas portuguesas também têm vindo a palmilhar”. Jorge Fesch, chairman & CEO da AAPICO MAIA S.A., sobre a recente alteração da estrutura acionista da unidade instalada inicialmente como Sakthi em Águeda. Considera que “vai reforçar” o projeto inicial. Insiste que “o projeto que se fez em Águeda não é um projeto para uma oportunidade, é um projeto de vida”

P> Qual o reflexo que terá a alteração da estrutura acionista na unidade do parque empresarial do Casarão?
R> Penso que será positiva. O grupo AAPICO é um grupo tailandês, cuja história remonta aos anos 90, com uma atividade muito forte na estampagem e também na forja e uma ligação à indústria automóvel muito próxima. Este foi um primeiro passo numa estratégia de internacionalização do grupo, tendo-se revelado muito interessante a possibilidade de poderem passar a servir empresas portuguesas. O projeto Sakthi, como é conhecido, com as comunidades da Maia, Águeda e Trofa, e a sua carteira de clientes (os construtores de automóvel europeus), responde à necessidade dessa internacionalização, a que se junta as tecnologias disruptivas que as empresas portuguesas conseguiram desenvolver, nomeadamente a indústria 4.0, a inteligência artificial, na investigação de desenvolvimento de produtos adaptados ou desenhados especialmente para motores de automóveis híbridos e elétricos, a que se acrescenta também as frentes de valor acrescentado com os tratamentos dos tecidos ou da quinagem e montagem.

EMPRESA COTADA EM BOLSA

P> Como descreveria o processo de transição?
R> A AAPICO é uma empresa cotada em bolsa, auditada por uma das Big Four. As contas são públicas, o site fala por si, a informação é muito completa e elucidativa sobre a solidez do grupo. Estamos muito satisfeitos com esta alteração acionista porque nos abre outros caminhos numa rota que as empresas portuguesas também têm vindo a palmilhar, da diversificação, reforçando o nosso peso noutras regiões para além da Europa, na introdução de outras indústrias, e ainda no eixo dos materiais, porque a AAPICO tem particular interesse no projeto Buterfly, que acaba de garantir o seu último passo que é a introdução do alumínio e das ligas leves, potenciando o investimento que foi realizado já e que tem uma estratégia de longo prazo, que este novo acionista perfilha e apoia. Portanto, isto caminha no sentido do crescimento e da própria internacionalização das empresas portuguesas. Significa que teremos outros investimentos que vão surgir e com eles a possibilidade de criar mais emprego.

P> O novo grupo dará continuidade ao projeto delineado para Águeda e anunciado aquando da inauguração da unidade aguedense em fevereiro de 2017?
R> Vai reforçar o projeto em si. Está comprometido em desenvolvê-lo, mas é mais do que isso, é maximizar o seu potencial. Isto não é uma má notícia! Acho que é uma muito boa notícia… Quem tiver dúvidas, pode continuar a falar comigo, continuo como presidente do conselho de administração, presidente executivo e vogal do conselho de administração. Nada altera. Tudo se confirma, potenciado.
O projeto que se fez em Águeda não é um projeto para uma oportunidade, é um projeto de vida. A missão da empresa é entregar melhor à geração seguinte. O facto de terem escolhido Portugal e estas empresas portuguesas, é uma boa notícia. Na Europa vivemos num mundo mais cinzento, mais duvidoso, onde as notas de risco, os investimentos, são mais contidos, portanto uma demonstração deste género é uma boa noticia para Portugal e para as empresas portuguesas. Pessoalmente estou na origem do desenho de tudo isto e, portanto, está implicado no meu ADN e o facto de ser reconduzido nas mesmas funções e com a mesma responsabilidade… acho que são boas noticias para Portugal e para Águeda.

ESCOLA TEM FEITO PERCURSO MUITO INTERESSANTE

P> A unidade de Águeda está em risco? Corre risco de fechar ou de reduzir o número de trabalhadores?
R> De todo. É exatamente o contrário. Pensamos que terá mais projetos e mais trabalhadores.

P> O futuro do CITNM – Centro de Inovação e Tecnologia N. Mahalingam fica comprometido com esta alteração na sociedade?
R> A escola tem feito um percurso muito interessante, até de internacionalização. Tem feito vários eventos, para os quais temos trazido a nata da indústria automóvel e a nata científica. Águeda começa, pouco a pouco, a ser reconhecida como tendo um ponto muito importante de investigação de novas tecnologias. Também a escola em si é um projeto de longo curso, é a perseverança, é uma visão muito clara, com muito trabalho que, pouco a pouco, vai tornar esse polo um polo de atratividade, integrado num parque empresarial que também tem outras empresas muito interessantes, que projetam Águeda e os portugueses.

(entrevista completa na edição de 11 de dezembro – versões e-paper e impressa)
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