Albergaria vergada à mórbida convivência com as chamas? , por José Manuel Alho (*)

José Manuel Alho

A praga dos incêndios voltou a Albergaria. De Vila Nova de Fusos, passando por Valmaior, até à Senhora do Socorro, o pânico e a aflição ganharam terreno deixando esta Páscoa inapelavelmente marcada pelos funestos aromas das chamas.

Contudo, a falta de estratégia e de investimento para a dinamização e valorização do espaço rural faz com que se verifique uma propensão crescente para a desertificação humana dos espaços, originando precariedades várias. Complementarmente, verifica-se a diminuição da atividade agrícola, e da mão-de-obra rural, a divisão das propriedades em pequenas parcelas, com a correspondente pluralidade de proprietários e abandono de propriedades, que potenciam toda a sorte de perigos.
Por tudo isto, a prevenção e a valorização do espaço rural e florestal são fatores crescentemente inseparáveis em matéria de defesa da floresta contra os incêndios.
Todos os anos, aquele concelho é severamente fustigado pelos fogos florestais. Em consequência, surge a interrogação: estaremos perante uma inevitabilidade? Albergaria terá mesmo de, todos os anos, se vergar à mórbida convivência com os incêndios?
Não ignorando a perversa influência da ação criminosa, que cabe às autoridades judiciais investigar e punir, há riscos e circunstâncias que podem (e devem!) ser minorados. Desgraçadamente, continuamos a dar grande realce aos meios de intervenção de grande escala como autotanques de grande capacidade e hidroaviões, sendo negligenciada a fase da prevenção e da rápida intervenção. Defendo que os equipamentos de combate aos incêndios deverão ser o último recurso, a acionar somente quando a prevenção e as equipas de primeira e rápida intervenção fracassassem na sua missão. Enquanto imperar esta lógica de atuação, Albergaria continuará a assistir a grandes catástrofes florestais.
Exige-se maior e melhor articulação entre todas as autoridades que interagem na regulação deste setor específico. A Câmara Municipal de Albergaria deve ser (muito) assertiva na definição de orientações para a proteção e promoção da área florestal do concelho, avaliando, em permanência, a nossa vulnerabilidade aos incêndios florestais e monitorizando a implementação de medidas e ações de curto, médio e longo prazo, no âmbito da prevenção, do combate e da defesa da floresta contra os incêndios florestais.
Também aqui voltamos ao gasto mas sábio chavão: AGIR em vez de REagir.

(*) – Professor. Colaborador do Região de Águeda

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