Alunos receberam “Alma” de Manuel Alegre

Manuel Alegre entregou exemplares do livro Alma a alunos da Escola Secundária Marques de Castilho

“É com alguma emoção que estou aqui”, disse Manuel Alegre quando esteve, na Marques Castilho, na sexta-feira, a oferecer exemplares de Alma aos alunos do 12º. ano das escolas Marques de Castilho e Adolfo Portela

“Escrevi Alma como quem faz uma viagem no tempo”, disse o escritor e poeta aguedense perante a plateia de alunos, confidenciando-lhes que Alma foi um livro que se inspirou em Águeda e que muitas das suas personagens são inspiradas “em pessoas reais”, como o seu professor primário que agarrava os alunos pelos pés e batia com as suas cabeças no chão quando erravam a conjugação dos verbos.
Manuel Alegre falou também aos alunos dos tempos de antigamente, da sua infância passada em Águeda, que retrata em Alma, o tempo em que ia nadar para o rio (foi campeão nacional de natação). “Era um tempo de grande desigualdade e pobreza”, destacou o poeta, que se questionava em criança porque é que usava sapatos e os seus amigos não.
O escritor lembrou também o tempo em que era hábito ir para a Casa Camossa saber as novidades da guerra.

“GOOGLE NÃO SUBSTITUI A CONSULTA DOS LIVROS”

Apesar de serem tempos difíceis, Manuel Alegre considerou que a sua infância foi “uma escola de amizade e solidariedade” e que teve “muita importância” na sua formação enquanto cidadão e escritor. “Não havia televisão, as pessoas ainda conversavam e os livros tinham uma grande importância”, sublinhou. “Um tempo de uma Águeda que já não é como era, já não temos a piscina fluvial nem a nora”, lamentou Alegre, defendendo que deveriam ser reconstruídas.
Manuel alegre defendeu ainda a escola pública, mas uma escola pública de “exigência e não de laxismo”.
“Hoje têm aqui condições de trabalho que não tínhamos”, disse ainda Manuel Alegre, acrescentando que “o Google não substitui a consulta dos livros”.
Os alunos, antes de receberem Alma das mãos do seu autor, ainda tiveram a oportunidade de colocar questões, nomeadamente sobre o futuro dos livros com o desenvolvimento das novas tecnologias, admitindo o poeta a ideia de que há autores que mudaram a sua forma de escrever quando passaram a escrever em computador.
Na ocasião, Pedro Sobral, da Leya, classificou a iniciativa de “inédita” e referiu-se a Manuel Alegre como “um dos poetas e escritores mais importantes da literatura portuguesa contemporânea”.

APRESENTAÇÃO DE SONETOS

No âmbito das comemorações do 10.º aniversário da Biblioteca Municipal Manuel Alegre, foram exibidos ao público, no sábado, os diplomas do Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Pádua e do Prémio Camões, atribuídos ao poeta em 2017, que Manuel Alegre ofereceu à autarquia de Águeda e que, agora, passarão também a estar patentes na biblioteca.
Na ocasião, foi também apresentado, por Paulo Sucena, o livro “Os Sonetos”, a antologia que reúne grande parte dos sonetos de Manuel Alegre, publicada no passado mês de setembro.

(reportagem completa na edição da semana – vcersões e-paper e impressa)

 

Foto em cima: Manuel Alegre entregou exemplares do livro Alma a alunos da Escola Secundária Marques de Castilho
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