Aniversário em tempos de crise… , por Abrunhosa Simões (*)

Era sobre Águeda que hoje deveria falar, como o sugerido por Augusto Semedo ao solicitar-me texto para o número comemorativo do 14º Aniversário do Região de Águeda.

Antes de tudo um sincero abraço de parabéns ao Director e a todos os colaboradores do Região de Águeda por mais este aniversário. Um aniversário triste como os tempos que vivemos. Triste por culpa de outros, mas triste…

Não deixarei pois de falar na nossa terra ainda que de forma muito rápida, mas seria insensível se não abordasse também a tragédia que assola a vida dos portugueses.

Quando em Águeda o tema forte é a redução do número de freguesias do concelho, redução feita de forma arbitrária, injustificada e incoerente, considerando apenas o falso motivo da redução da despesa e esquecendo as relações sociais que ao longo da história uniram povos em torno de interesses comuns, que tinham no seu território o “leitmotiv” da sua existência. No país o tema correspondente é o aumento do desemprego, o definhar da economia, a perda de soberania, a fuga dos jovens que, com o esforço colectivo ajudámos a formar e agora têm de emigrar para poder sobreviver.

É o caos, que no limite pode conduzir a que, quase 1.000 anos de história como nação, se esboroem com a tempestade a que nos conduziram.

Tal estado de coisas só foi possível porque temos um governo insensível e incompetente, pela forma contraditória como lança medidas e rapidamente as deixa cair para apresentar outras ainda mais ridículas e gravosas, totalmente desconhecedor das regras básicas das ciências sociais e que em nome da ciência económica, que também desconhece, como prova a situação a que conduziu em pouco mais de um ano o país com as fronteiras mais antigas da Europa.

Só um Governo formado por gente culturalmente rasteira e sem qualquer sentido de dignidade e de patriotismo, vendida ao grande capital financeiro internacional, cuja imagem pode ser tipificada pela Goldman Sachs, considerada consensualmente em todo o mundo como o POLVO, que tem em Portugal como peões um Moedas como Secretário de Estado e um Borges como conselheiro governamental, se poderia prestar a tal traição.

Mas falando também de Águeda e das consequências da crise no nosso concelho, consequências económicas de todos conhecidas (encerramento de empresas, desemprego brutal, fome, ,,,) e também politicas, resultantes do comportamento da generalidade dos deputados municipais (com minúsculas pois!…), ao abdicar do seu direito inalienável de gerir a organização do território do concelho e de defender a vontade dos seus munícipes.

Tanto que haveria para dizer!

Será que tudo isto não chega para que de uma vez por todas, os portugueses e portuguesas que criam a riqueza que o país produz, consigam congregar os seus esforços para correrem com esta gentalha definitivamente da nossa frente?

E que de novo juntos, ajudemos a que Portugal saia do buraco onde nos quiseram enterrar!

(*) – Membro do PCP/Águeda

Autores

Notícias Relacionadas

*

Top