Banco de Leite em causa com cortes no apoio do governo

Banco de Leite

A intenção do governo de cessar o acordo de cooperação com o Banco de Leite de Águeda pode inviabilizar o apoio a crianças carenciadas através da distribuição de leite. Angelino Ferreira, presidente do Banco de Leite de Águeda, instituição criada pelo Lions Clube de Águeda, não tem dúvidas que será impossível manter “a dinâmica atual” da estrutura, uma vez que, sem essas verbas, terá de prescindir dos recursos humanos ao seu serviço (uma assistente social a tempo inteiro e uma enfermeira a meio tempo).

Entretanto, os deputados do CDS-PP João Pinho de Almeida e António Carlos Monteiro questionaram o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre as razões que estão na origem da cessação do acordo de cooperação do governo com o Banco de Leite, que presta apoio a crianças dos 0 aos 6 anos, apoio esse que, de acordo com os deputados, “não são prestados por nenhuma outra instituição local”.
O CDS-PP alerta ainda para o risco a que estas crianças serão sujeitas com a cessação do acordo de cooperação e questionam o ministro sobre que alternativas estão a ser preparadas para compensar a falta deste apoio.

Acordo cessa em junho

Ainda de acordo com os deputados, a direção do Banco de Leite foi informada, pela Unidade de Desenvolvimento Social e Programas/Núcleo de Respostas Sociais, da intenção de não renovar o acordo de cooperação em vigor a partir de 30 de junho de 2018, justificando a decisão alegando que “os fundamentos que estiveram na origem da celebração deste acordo de cooperação atípico deixaram de existir, devido ao aparecimento de novos modelos de intervenção ao nível da ajuda alimentar a carenciados, encontrando-se o concelho de Águeda totalmente abrangido neste âmbito”.
“O Banco de Leite tem, no âmbito do acordo em causa, desde a sua celebração em junho de 2001 até à data, dado resposta a todas as solicitações e apoiado crianças oriundas de famílias com carências económicas ou com fatores de risco de ordem social ou emocional, sinalizadas pelos serviços de saúde locais”, sublinham os deputados.
Ainda de acordo com os deputados, na resposta enviada à UDSP/NRS, a direção da instituição frisa que “apesar de no concelho de Águeda terem surgido novos modelos de intervenção ao nível da ajuda alimentar a carenciados, nenhum presta apoio a crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 6 anos de idade, estando este apoio apenas a ser efetuado pelo Banco de Leite”.

“Não há duplicação de apoios”

Assim, concluem os deputados, o trabalho desenvolvido pela instituição “não é uma duplicação dos apoios prestados por outras instituições daquela área, já que nenhuma outra apoia as crianças no fornecimento de leite de lata de forma sistemática, e em tempo útil à necessidade detetada”.
Em colaboração com várias outras IPSS, com a autarquia de Águeda e com os serviços de saúde do concelho, o Banco de Leite apoiou com leite de lata ou UHT, em 2016, uma média mensal de 95 crianças, num total de 123.
Atualmente, o Banco de Leite apoia e acompanha 97 crianças de 74 agregados familiares.

Fim do acordo inviabiliza trabalho

A cessação do acordo de cooperação irá “inviabilizar”, segundo o CDS-PP, todo o trabalho da instituição e “deixar estas, e outras, crianças sem o apoio necessário a um crescimento saudável”.
Disso mesmo já foi dado conta à UDSP/NRS através, nomeadamente, de testemunhos do Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco de Águeda, da Equipa Local de Intervenção/Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância do Centro de Saúde de Águeda, da Comissão de Proteção a Crianças e Jovens de Águeda, da Instituição Bela Vista – Centro de Educação Integrada, do Centro Social Paroquial da Borralha e da Santa Casa da Misericórdia de Águeda, revela o CDS-PP.
O presidente do Conselho Local de Ação Social de Águeda considera mesmo, num testemunho escrito, que é “fundamental garantir que as crianças [apoiadas pelo Banco de Leite] continuem a manter esta resposta, com o devido trabalho de distribuição de leite/acompanhamento […], visto que esta resposta faz a diferença nas crianças do concelho de Águeda, sobretudo na faixa etária dos 0 aos 6 anos”.

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