Bombeiros contra nova lei orgânica da proteção civil

Nova lei orgânica da proteção civil dominou discursos nos 84 anos dos Bombeiros Voluntários de Águeda (Foto: JA Reportagens)

A proposta de lei orgânica para a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), que vai passar a chamar-se Autoridade Nacional de Emergências e Proteção Civil, dominou as intervenções no jantar de aniversário e simultaneamente de Natal dos Bombeiros Voluntários de Águeda. E todos se manifestaram contrários à forma como o Governo tem gerido o processo

O facto, amplamente noticiado, da proposta não ter refletida “nenhuma das ideias apresentadas” pela Liga dos Bombeiros Portugueses, levou ao protesto dos bombeiros portugueses, que se manifestaram e cortaram relações com a ANPC.
O presidente dos BVA, Manuel São Bento, foi o primeiro a abrir as hostilidades, não sem antes lembrar que a posição de apoio a Liga, assumida pela instituição de Águeda, foi feita “sem precipitações” e refletida. “Fizemos a nossa análise com tranquilidade, sem pressões nem ameaças, só assim pudemos decidir de acordo com aquilo que julgamos ser o melhor para a nossa instituição, para os nossos colaboradores, mas também para a população que jurámos defender e zelar pela sua segurança”.

COMANDANTE DURO

O comandante do corpo ativo, Francisco Santos, foi muito duro em relação ao assunto. “Temos sido muito mal tratados por este Governo!”, afirmou, depois de considerar que ter havido 306 incêndios fez deste um “ano relativamente tranquilo”.
Apesar da tranquilidade do ano, “estes últimos meses têm sido os piores da história dos bombeiros”, considerando que os soldados da paz resolvem “95 por cento dos problemas deste país”. Para Francisco Santos, “não podemos ter apenas generais e esquecer os soldados”.
E deu um recado, assegurando o socorro à população: “Os bombeiros têm compromisso de honra para com a população do nosso concelho, independentemente das formas de luta”, pelo que “o estado de prontidão tem de ser ainda mais elevado” que antes. “Apelo à disponibilidade dos bombeiros, porque este é um momento que vai marcar o futuro dos bombeiros”.
Desejou que “haja bom senso” nas negociações entre a Liga e o Governo mas também que “quem faz estas leis passe uma semana connosco, para ver o que os bombeiros fazem, o seu profissionalismo e a sua prontidão”.

GIL NADAIS SOLIDÁRIO

Gil Nadais, atual presidente da assembleia geral da AHBVA, mostrou-se “absolutamente solidário” com a posição tomada pelos bombeiros. “Não conheço nenhuma parte do mundo onde se aprova uma lei de só depois se vai consultar as pessoas; os bombeiros não foram ouvidos e a lei não teve em conta o seu voluntariado”.
Para o antigo presidente da Câmara de Águeda, os bombeiros “não regateiam o tempo livre para socorrer quem não conhecem” mas, acrescentou, “quem está em Lisboa e governa tem de acompanhar mais de perto, deve ver o que se passa e depois tirar conclusões. Os bombeiros merecem o respeito de quem tem a tutela e o voluntariado neste país tem de ser incentivado”. Exortou, contudo, os bombeiros a fazerem formação, para darem “ainda melhores respostas”.
Brito Salvador, presidente da Assembleia Municipal, disse subscrever “na totalidade” o que haviam dito os seus antecessores, considerando ser “um privilégio” o concelho de Águeda contar com 93 bombeiros “a prestar serviço e segurança à população”.

JORGE ALMEIDA SENSIBILIZADO

O presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida, considerou que os números revelados por Manuel São Bento sobre as operações de socorro, em especial do INEM, “são uma coisa fantástica”. E até glosou com a expressão de Francisco Santos, ao considerar ter sido um ano tranquilo com “apenas” 306 incêndios.
“Não consigo compreender como alguém não compreende a ação dos bombeiros, que é a coluna dorsal do sistema de proteção civil nacional. É verdade que precisamos de evoluir mas esta história do Governo fazer um ‘edifício’ ao lado sem os bombeiros não faz sentido nenhum”, considerou o autarca, que não teve dúvidas em afirmar: “Em Águeda é a nossa proteção civil municipal, é a nossa espinha dorsal, são os mais capacitados… os primeiros a entrar e os últimos a sair!”
Para o edil de Águeda, “a prenda de Natal devia ser dada pelo Governo que vos está a subalternizar”, anunciando para o ano um novo “estatuto do bombeiro” que está a ser “trabalhado” na câmara. “Dará um conjunto de benefícios a partir do próximo ano”, referiu. “É um trabalho que está a ser construído, com todo o cuidado, substituindo mais uma vez o Governo”, acrescentou, dando exemplos em outros domínios que têm investimento municipal quando deveria ser o Governo a fazer a parte que lhe compete.

(informação completa na edição da semana)
Nova lei orgânica da proteção civil dominou discursos nos 84 anos dos Bombeiros Voluntários de Águeda (Foto: JA Reportagens)
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