Cancioneiro, 60 anos: “O momento atual é de alguma serenidade”

Cancioneiro de Águeda

A terminar o seu terceiro mandato, Rosa Irene Noronha, presidente da direção do Grupo Típico O Cancioneiro de Águeda, destaca a comemoração dos 60 anos da instituição, que vai a votos em janeiro. Em entrevista ao RA, a dirigente, que admite recandidatar-se, refere que “o momento atual é de alguma serenidade” e diz que em 2019 a aposta vai passar por “atrair novos componentes, novos públicos e novas abordagens em termos de folclore”

P> O Cancioneiro de Águeda acaba de comemorar 60 anos no decorrer de mais uma edição do seu festival outonal. Como descreveria o momento atual vivido pela coletividade?
R> Penso que o momento atual é de alguma serenidade, em que baseados em todo o nosso passado, continuamos a tentar incutir dinâmicas mais atuais e potencialmente mais atraentes numa tentativa de cativar um público exigente, mas eclético.
O festival de 21 de outubro foi certamente um dos momentos mais emblemáticos da comemoração dos nossos 60 anos. Pelo espaço em que decorreu – CAA (Centro de Artes de Águeda), pelo numeroso público que compareceu, mas provavelmente pela qualidade dos grupos presentes, que permitiu elevar sobremaneira o nível do festival. Temos com os grupos que participaram uma relação de reconhecimento e amizade mútuas, no entanto, essa relação permite ter um distanciamento crítico que tornou as diversas atuações inolvidáveis.

P> E que balanço faz do ano que agora termina?
R> Passando em retrospetiva este ano de 2018, tivemos participação em festivais fantásticos, muitos deles internacionais, de público conhecedor do verdadeiro folclore.
Fomos galardoados pela Confraria Sabores do Botaréu, o que nos deixa satisfeitos e reconhecidos pelo trabalho que temos desenvolvido.
Gostaria de destacar a nossa participação no 23º. desfile nacional do traje nacional Português, que decorreu em Gondomar, onde perante um desafio, solicitação expressa da Federação de Folclore Português, estivemos presentes com três trajes em três quadros distintos.

P> Sendo um dos mais prestigiados grupos e, atendendo ao seu papel relevante nomeadamente ao nível da recolha feita, poderemos falar num momento menos ativo da coletividade?
R> Em termos de recolha, neste momento, pouco haverá a fazer, pois se as nossas recolhas se baseiam na etnografia e do folclore do concelho de Águeda nos finais do séc. XIX, início do séc. XX, neste momento, em termos de testemunhos será de acontecer muito pouca coisa. O que não invalida que ainda tenhamos algum material em arquivo, que ainda não foi divulgado.
Continua, isso, sim, a ser uma preocupação em, por um lado, manter uma fidelidade a essa recolha, que foi feita essencialmente há 60 anos atrás, e por outro, em preservar esse acervo nas melhores condições possíveis. Pode citar-se como exemplo, que possuímos material resultante das gravações em fita magnética (o original) e em pauta manuscritas, porém temos esse material em formato digital e de acordo com as tecnologias mais recentes.

OBRAS NA CASA MUSEU EM 2019

P> Em relação à casa museu está alguma coisa prevista?
R> A nossa casa museu está aberta a todos quantos a queiram visitar, desde que solicitem previamente. Temos recebido inúmeros visitantes, particularmente em grupos maiores, associações, coletividades, escolas, etc., no entanto, também recebemos grupos mais pequenos. Em particular em julho, estivemos abertos, para possibilitar a todos os visitantes, e foram centenas, que puderam admirar as nossas exposições e parte do acervo. Iremos continuar com esta disponibilidade para quem pretenda visitar o espaço. Em 2018, fizemos algumas obras para eliminar alguns problemas que não nos permitia ter os materiais acondicionadas nas melhores condições e poder manter a exposição mais disponível e acessível para o visitante. Em 2019 continuaremos a efetuar estas obras essenciais.

(entrevista completa na edição da semana – versões e-paper e impressa)

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