Centenário envergonhado da Batalha das Barreiras

Faria Gomes ofereceu à ANATA três balas republicanas encontradas aquando da demolição da casa das balas em 1994, utilizadas no combate

A comemoração do centenário da Batalha das Barreiras, que historiadores vêm considerando ter sido decisivo para a vitória dos republicanos sobre a rebelião monárquica, foi tão envergonhado como a relação que Águeda vem mantendo com a sua história

Um concerto protagonizado pelo Orfeão de Águeda, no sábado à noite, foi a pedra que assinalou os 100 anos do combate. Um espetáculo bem conseguido pela centenária instituição de Águeda, fundada em 1916 e que – como referiu Júlio Balreira – também sofreu com o impacto da instabilidade da época.
O dirigente e coralista do Orfeão sublinhou o trabalho do maestro Paulo José Neto na produção do momento – “só foi possível concretizar o desafio que nos foi colocado pela ANATA porque o temos como maestro” – mas não deixou de pôr o dedo na ferida: “Cem anos após um registo histórico é importante mas seria bom que o centenário de hoje tivesse outro impacto… Dá a sensação de que Águeda fica, por vezes, muito aquém do que devia”.
Paulo Neto elogiou a prestação: “O coro sem o maestro não é nada, algumas das loucuras deste espetáculo só foram possíveis porque temos este excelente grupo”.
Através da música, do movimento, das dinâmicas habilmente conseguidas, o Orfeão de Águeda recriou um cenário bélico. O público viajou pelo cancioneiro tradicional de Águeda (incluindo a entrada com Senhora do Livramento, tema adequado à efeméride assinalada) e por “canções heroicas” de Fernando Lopes-Graça, marcos históricos em tempos de guerra e de exaltação da liberdade. O reportório apresentado passou, também, por temas contemporâneos e outros de cariz mais popular.

NÃO ESQUECER A HISTÓRIA:
DAS PALAVRAS AOS ATOS

No domingo de manhã, junto ao monumento do combate das Barreiras (entre o centro de saúde e a escola Adolfo Portela), a cerimónia contou com os presidentes da Câmara e da ANATA, Jorge Almeida e Gonçalo Davim, e alguns aguedenses, incluindo o anfitrião Faria Gomes. A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Águeda marcou a presença habitual.
Nada de novo, portanto; e nem o prometido marco a assinalar o centenário. O presidente da ANATA agradeceu todos quando valorizam a data, especialmente às entidades envolvidas e a Faria Gomes. Gonçalo Davim referiu que está planeada a apresentação de um projeto escolar direcionado para o combate das Barreiras, durante o mês de fevereiro.
Faria Gomes alertou para a necessidade de se continuar a valorizar a data histórica e Jorge Almeida confirmou a necessidade de valorização deste dia com futuros planos de melhoramento do espaço, para que a história não seja esquecida.
A batalha que se travou nas Barreiras, no dia 27 de janeiro de 1919, como o reconhecem historiadores e especialistas, contribuiu para o fim da monarquia do norte. Representou um elevado número de baixas entre os monárquicos, que se dirigiam para Coimbra mas acabaram por fugir desordenadamente para norte. Estava aberto o caminho para a reposição da república.

A.S.
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