Contra factos…, por José Vidal

O facto é que a Feira do Leitão é uma marca de Águeda, integrada nos acontecimentos que todos já esperam e desejam, sendo sem dúvida alguma, um veículo de promoção não só do dito, mas antes de um concelho e uma região.

A feira tem sofrido grande evolução nos últimos anos, envolvendo maior número de parcerias e participantes, assente na melhoria da qualidade das suas instalações, serviços, espectáculos, proporcionando vivências significativas para quem a visita.

Como todos os projectos, é essencial reflectir no que se passou nas suas diversas realizações, de forma a permitir corrigir eventuais erros e programar alterações que permitam a sua evolução de forma sustentada.

Para quem participa todos os anos, existe uma sensação de estagnação, não querendo dizer que a feira não seja válida e de qualidade, permitindo pensar que seria importante tornar algumas situações diferentes, potencializar recursos, abrir a novas áreas de participação, como por exemplo da AEA.

Alguns pormenores afectam sem sentido a feira, pois ela na sua essência deve pressupor a participação do público, a ocupação dos seus tempos de lazer, o contacto com investidores, com vendedores, com entidades e instituições. Refiro explicitamente o pagamento de entrada em determinadas horas, quando pudemos observar num sábado à tarde, o recinto da feira vazio, com actividades de entretenimento sem ninguém, enquanto a margem sul do rio e as suas pontes, estavam lotadas de público a observar as actividades de canoagem.

O financiamento público à feira não pressupõem a obtenção de lucro que deve no entanto perseguir o equilíbrio financeiro, mas são as pessoas que a vivem de alguma forma que justificam esse investimento.

O facto é que as Instituições assentam a sua acção em leis e normativas que quando seguidas de forma literal, tornam as pessoas que nelas estão integradas, peças não pensantes, não opinativas, seguidistas, burocratas, sem sentido de serviço público.

O facto é que uma participação de violência doméstica grave, participada à GNR, ainda não tinha chegado ao Ministério Público e à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens seis dias após a ocorrência, o que é inadmissível, mas legal, pois poderiam fazê-lo em dez dias.

O facto é que feita a participação com carácter de urgência, ao Tribunal de Família e Menores, para protecção dos menores em relação ao eventual agressor, não foi tomada medida alguma, passados dias, pois os procedimentos burocráticos ultrapassam por adormecimento a capacidade decisória de quem tem as responsabilidades de actuar.

O facto é que a vítima tem que sobreviver, às vezes, no meio dos papéis, das normativas, das regras sem sentido que tornam insensíveis pessoas e agentes das instituições que existem supostamente para as proteger. O facto é que o PS e PSD, culpados de quase tudo o que de bom e de mau se passou no Portugal democrático, andam a brincar aos políticos, ao quem manda, ao quem tem mais poder, quem é mais culpado, revelando uma falta de sentido de estado assustadora, contribuindo ainda mais para a descredibilização da política e dos políticos, quando a situação de crise obriga ao recato das discussões, ao encontro de abrangências, à descoberta de soluções comuns. O facto é que no meio disto tudo, os oportunistas financeiros continuam a aparecer, os corruptos a roubar a energia de todos em negócios sem controlo, os dirigentes da coisa pública sem ética alguma, conforme é exemplo o projecto de aquisição de cerca de 400 viaturas de topo, na empresa Aguas de Portugal, tardiamente suspensa pelo Governo., somente depois de tal ser tornado público. O facto é que a crise é grave e é preciso acreditar naqueles que nos dirigem, de forma a conseguir vencer os obstáculos que se nos deparam, para tal o seu comportamento ético tem que ser irrepreensível.

JOSÉ MARQUES VIDAL

presidente da concelhia do PS/Águeda

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