Covid-19 | O atribulado regresso de uma viagem ao estrangeiro

Máscara Covid-19

Foi atribulado o regresso de um pequeno grupo de aguedenses de uma viagem ao estrangeiro, entre 8 e 17 de março. Chegaram todos com sintomas da Covid-19 mas só um fez o teste, que deu positivo; e todos permanecem isolados até ao dia 4 de abril. Também neste caso a diferença fez-se pela sua consciência e cidadania dos intervenientes: desde que se meteram no carro em Madrid não contactaram com mais ninguém, cumprindo todas as normas de segurança

Apenas um destes aguedenses está contabilizado nos números oficiais de infetados com Covid-19. Foi o único a fazer o teste, no Hospital de Aveiro, no quinto dia após a chegada do estrangeiro.
“Começámos a ligar para a Saúde 24 na quarta-feira mas não conseguimos ser atendidos; insistimos na quinta-feira logo de manhã e só perto do meio-dia fomos atendidos. Depois de pedirem os dados, disseram-nos que alguém nos iria contactar mas isso não aconteceu. Só no sábado à noite nos comunicaram para que fossemos ao hospital fazer o teste, perguntámos se era já, disseram que sim…”

SÓ UM FEZ O TESTE

R.P. (iniciais fictícias) contou ao Região de Águeda que perante a demora no contacto posterior ao atendimento viram-se obrigados a solicitar a intervenção de uma mão amiga, que por sua vez contactou a SNS24, para que fossem fazer os testes.
Chegaram nesse sábado à noite a Aveiro. “A enfermeira de serviço já estava para sair, tinha tirado o fato de proteção, e informou-nos que não iria fazer os testes”, contou R.P.. “Voltámos no domingo às 10 horas, para uma tenda que tinha mais pessoas à espera, algumas desde as 7 da manhã”. O teste foi feito… mas apenas à pessoa do grupo que “estava mais afetada”, apresentando “maiores sintomas”.
As outras pessoas do grupo não ficaram satisfeitas. “Não foi correto, nós também devíamos ter feito o teste”. Deu positivo e todas elas voltaram ao isolamento nas suas residências, onde permanecem. R.P. considera ter havido, neste processo, “muita negligência”. Desde logo porque permaneceram várias horas no mesmo espaço com outros potenciais infetados.
A partir daí têm sido seguidos por um enfermeiro. “Telefona todos os dias, dá-nos recomendações”. Felizmente, “os sintomas estão a baixar” e todos se revelam mais otimistas depois do susto e da apreensão.

“SOMOS PESSOAS CONSCIENTES”

“Somos pessoas conscientes”, referiu R.P. para sublinhar que o isolamento foi imediato. “Não contactámos com mais ninguém desde que saímos de Madrid”, assegurou.
De Madrid tinham partido de avião, que no regresso não pôde voltar à capital espanhola, já a contas com a pandemia. O avião foi desviado para Paris, onde se depararam com uma “enorme pressão” dos inúmeros passageiros que se encontravam em situação idêntica. “Eram algumas 300 pessoas e os funcionários fugiram… Ficámos por conta própria!”
Ninguém conseguia voar para Madrid mas uma mão amiga descortinou um voo a partir de Paris-Orly. Deixaram o aeroporto de Charles de Gaulle – o principal da cidade – e apanharam o carro que havia ficado estacionado no aeroporto inicial desta jornada.
De Madrid até às suas casas tinham de passar pela fronteira de Vila Formoso. “Tinham anunciado que haveria restrições na fronteira mas quando lá chegámos só nos pediram a identificação. Quando viram que eramos portugueses desejaram-nos boa viagem”.
Todavia, “vínhamos conscientes que não devíamos parar e não fomos a lado nenhum. Chegámos, metemo-nos em casa e começámos a ligar à Saúde 24”.

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