Danças Ocultas grava disco no Brasil

Filipe Ricardo e Artur Fernandes em estúdio no Rio de Janeiro

Quase a completar 30 anos de carreira, o grupo Danças Ocultas está a preparar o lançamento de um novo disco, que está a gravar no Brasil com músicos brasileiros. Um trabalho que, diz Artur Fernandes, será diferente dos anteriores. “O nosso grande objetivo foi tornar o som Danças Ocultas um pouco mais radiofónico, ou seja, sem hipotecar a nossa estética musical, fazer com que a nossa música seja mais audível, mais visível”, explica em entrevista ao RA, acrescentando que “a ideia é que a sonoridade seja um pouco mais global, menos portuguesa e mais do mundo”

P> O grupo esteve recentemente no Luxemburgo onde realizou uma série de espetáculos. Como foi a experiência?
R> Fomos convidados pela Filarmonia do Luxemburgo para participar no espetáculo “Les Neiges de l’Algarve” (em português “As neves do Algarve”), que recria a lenda das amendoeiras em flor. A Filarmonia do Luxemburgo desafiou-nos a preparar este espetáculo com o encenador Lionel Menard. Trata-se de um concerto visual com encenação e com a participação de um malabarista e de uma bailarina de dança acrobática na corda. Tivemos uma participação não só enquanto músicos mas também como atores.

P> Tratou-se de um espetáculo diferente do habitual?
R> Completamente diferente! É um espetáculo para famílias, para público escolar e foi enquadrado no Festival Atlântico, um festival que a Filarmonia do Luxemburgo faz todos os anos com a temática das músicas e das artes da lusofonia. Este espetáculo começou a ser preparado em Águeda, no Centro de Artes, onde fizemos uma primeira semana de ensaios com o encenador e os atores que se deslocaram à nossa cidade. Aqui fizemos um pequeno vídeo para inserir no próprio espetáculo e, em outubro, fomos mais uma semana para o Luxemburgo para fazermos os ensaios finais e a estreia. Ainda lá voltámos em novembro. No total foram feitas 14 apresentações deste espetáculo. Mas além destas apresentações fizemos também um concerto no grande auditório, muito peculiar, um concerto que eles fazem todos os meses à hora de almoço, designado “Lunch Concert”, em que é servido um almoço volante e as pessoas assistem a meia hora de concerto. A um dia de semana, uma terça-feira, e estava o auditório cheio para nos ouvir. Agora estamos a estudar a hipótese do espetáculo “Les Neiges de l’Algarve” ser apresentado noutros territórios.

P> E isso incluirá Águeda?
R> Vamos ver… Temos de ver primeiro as questões logísticas, porque se trata de um espetáculo que envolve seis pessoas e muito material de cena que tem de ser transportado. Tudo isso está a ser trabalhado mas não é por nós. Mas obviamente que, tendo nós feito os ensaios iniciais em Águeda, gostaríamos de mostrar o espetáculo em Águeda, mas não só em Águeda.
Quando estivemos no Luxemburgo da última vez, estava a decorrer na Filarmonia do Luxemburgo um encontro de programadores de serviços educativos de toda a Europa, onde estava também o Jorge Prendas, que é o programador do serviço educativo da Casa da Música (Porto). E todos esses programadores gostaram bastante do espetáculo, portanto isto à partida tem pernas para andar.

P> Como correu o ano de 2017 em termos de espetáculos?
R> Este ano de 2017 foi um ano de menos espetáculos, porque estivemos concentrados a fazer a pré produção do novo disco que vamos gravar.

Novo disco vai ser gravado no Brasil

P> Vão gravar um novo disco?
R> Vamos para o Brasil agora dia 10 de dezembro e vamos ficar até dia 23 (entrevista feita antes da data de partida). Vamos gravar o disco no Rio de Janeiro porque o produtor, Jaques Morelenbaum, consagrado violoncelista, é de lá e são de lá também muitos músicos que convidámos a gravar connosco. Por isso, entendemos que seria muito mais eficaz irmos nós lá do que virem eles cá. Portanto, como dizia, foi uma temporada de menos concertos porque precisamos de nos concentrar, fazer o trabalho de casa, compor o repertório e ir gravando as maquetes iniciais para depois irmos para o estúdio.

ISABEL GOMES MOREIRA

trabalho completo na edição da semana – versões e-paper e impressa – de 27 de dezembro de 2017

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