Desafios da escola na era digital

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Rosália Coelho, psicóloga do Agrupamento de Escola de Águeda, abordou os desafios da escola na era digital, defendendo o uso adequado da tecnologia. “O uso e abuso tem impacto no desenvolvimento da criança”, defendendo “métodos ativos envolvendo os alunos”, nomeadamente criando hábitos de leitura, e condições para que possa haver “silêncio, concentração e memorização” favoráveis à aprendizagem


Aquela psicóloga, em seminário promovido pela CPCJ – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens – de Águeda, considerou que a internet condiciona a opinião e que provoca a diminuição da reflexão, porque “quando estamos online estamos a viver o que outros querem que nós vivamos (…) O engenheiro informático criou um espaço interativo, intuitivo e fácil, por isso, ao contrário do que dizem alguns pais, não é o filho que é inteligente por saber utilizar e dominar aquele espaço mas sim o engenheiro que o soube atrair para ele!”

“SERENIDADE, CONCENTRAÇÃO E MEMORIZAÇÃO”

Há, principalmente em crianças, “muita informação que provoca sobrecarga ao nível do nosso cérebro”, com reflexos na forma como se lê e se escreve, e no regresso aos símbolos que são criados para a comunicação online. Porém, é preciso “dar sentido” para aprender. “Serenidade, concentração e memorização” são essenciais para a criação de condições favoráveis à aprendizagem. “Leituras profundas”, acrescentou.
“O que melhor podemos fazer é ler, para aprender mas também para prevenir demências no futuro. Ler com os alunos, ler em voz alta… O bom leitor vai ter mais gosto, vai aprender melhor e vai ter sucesso”.
Sendo este o “desafio” da escola, Rosália Coelho disse ainda ser de “ouro” os primeiros anos de ensino para as crianças; e que a leitura e a escrita devem ser prioritários. Incluindo em locais mais desfavorecidos e com alunos que apresentem dificuldade na leitura e na escrita (5 em cada 100 alunos). “Ler para eles e assuntos para eles”, incluindo-os no processo de aprendizagem e diluindo as dificuldades. “Fazê-lo em grupo, fazendo uma leitura compreensiva, desde os manuais até ao mundo que está à sua volta. Não ir atrás do que a internet nos diz, mas das nossas coisas”.
Por isso, advertiu, é importante “dar recursos às escolas para poderem superar as dificuldades das crianças com esses problemas”.
Rosália Coelho refere que este é o caminho da escola para combater o “síndroma do pensamento acelerado” que as tecnologias provocam. Uma “aceleração que não corresponde à vida real”. Porque, justificou, “para aprender é preciso serenidade mental e profundidade; não sendo assim, tudo se arrisca a ser superficial”.

(reportagem completa na edição de 18 de setembro de 2019 – versões e-paper e impressa)
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