Dificuldades financeiras das IPSS debatidas nos 160 anos da Santa Casa

Conferência da Santa Casa da Misericórdia de Águeda

A atualização da remuneração mínima mensal sem a correspondente atualização das comparticipações do Estado e a não revisão das tabelas salariais têm levado à saída de trabalhadores experientes e a dificuldades de contratação. Esse foi um dos problemas em debate na conferência de economia social promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Águeda

A conferência sobre economia social, na quinta-feira, integrou o programa de comemorações dos 160 anos da Santa Casa da Misericórdia de Águeda. A iniciativa contou com a participação de intervenientes ligados à área social, políticos, representantes nacionais das instituições de solidariedade social, académicos e dirigentes.
Na ocasião, foi realçada a importância das instituições particulares de solidariedade social (IPSS) na sociedade, reconhecidas ao longo dos tempos como “parceiros imprescindíveis do Estado na ação social”.

DESAFIOS E DIFICULDADES

O debate centrou-se nos desafios e dificuldades das IPSS, comuns às instituições sociais de norte a sul do país, e assentes nas preocupações de alerta generalizado para a “falta de sustentabilidade económico-financeira”. Esta situação é criada essencialmente por força da “atualização da remuneração mínima mensal, sem a correspondente atualização das comparticipações do Estado e a não revisão das tabelas salariais”, que “tem culminado na saída de trabalhadores experientes e na dificuldade de contratação, problemas de motivação, etc.”.
Tema central das expo

sições, e de debate, foi a adequação das respostas ditas tradicionais às novas realidades e exigências, quer legais quer dos utentes e famílias. Foi dado especial enfoque aos lares – Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) -, “cada vez mais próximos de unidades hospitalares, e do serviço de apoio domiciliário como resposta de eleição no futuro, e da imperiosa adequação das comparticipações do Estado em conformidade”.

PAPEL DAS AUTARQUIAS NA AÇÃO SOCIAL

O papel das autarquias na ação social foi outro dos temas que esteve em cima da mesa. Foram apresentadas perspetivas e práticas já realizadas. O futuro “passará, inevitavelmente, por um maior envolvimento do poder local na ação social e no fortalecimento das parcerias com as instituições no terreno, em projetos cada vez mais de continuidade, de aposta em relacionamentos duradouros, e não apenas de ações pontuais ou a prazo” – referem as conclusões do encontro.
A concluir os trabalhos, foi abordada a vertente mais humana da ação social, nomeadamente a que se prende com a dignidade da pessoa, “numa sociedade que cada vez mais marginaliza os ditos não ativos idosos, crianças e deficientes”.
Os intervenientes instaram os profissionais, dirigentes e entidades tutelares a quebrar as amarras que tendem a tratar todos por igual, fugindo assim às rotinas e a condicionantes que possam condicionar as liberdades de cada indivíduo. O caminho passará por combater “a indiferença”, promovendo “a valorização do ser humano na sua especificidade”, com exemplos de boas práticas, nacionais e internacionais, de promoção da inclusão.

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