Dislates… sobre um charco , por António Martins (*)

António Martins

Vivemos num Município de “excelência”, pejado de iniciativas de sucesso, futurista, badalado nas quatro partes do mundo – sendo disso testemunho o infindável espólio de prémios, menções honrosas e citações que, amiúde, nos chegam ou se vão buscar- onde a estratégia, de há muito desenhada, tem por objetivo tornar a cidade um ícone e o município uma referência. Num município de realizações de há muito recorrentemente propaladas mas sequencialmente adiadas e que se tornaram, algumas delas, em realidades palpáveis – mesmo que descontextualizadas no tempo, por culpa de uma visão estratégica persistentemente mantida mas tardiamente implementada (ex. PEC) – outras esperando que as mudanças de paradigma (intermunicipalidade) as façam sair do papel o que nem o lançamento precoce da primeira pedra conseguiu (ex. Ligação Águeda-Aveiro).
Nada que deva apoquentar qualquer cidadão de bom senso e bom julgamento intelectual, antes pelo contrário, porque o sucesso se bem que alavancado por uns tantos não deixará de distribuir os seus “dividendos” por quantos o mereçam, o queiram – e saibam – partilhar. Todavia entre o paradigma e o paradoxo não é de todo possível estabelecer uma coexistência pacífica que nos deixe indiferente. Ou seja, entre o tacitamente aceite como um sucesso contínuo e irreversível do Executivo e os paradoxais sinais do “rudimentar desleixo” político desse mesmo Executivo, não é possível ficar indiferente sem denunciar que, afinal, nem sempre o rei vestido!
Em 29/12/2008 – ia Gil Nadais com 3 anos de mandato – chamava João Balreira à atenção do Executivo em sede de AM “ … outra situação tem a ver com o problema das inundações na rotunda da Z.I. Barrô, nomeadamente junto à firma Jamarcol e Cerâmica Primor. Não sei se é do conhecimento do senhor Presidente mas em época de chuvas poderá constatar que se criam ali inundações enormes e não sei o que é que a CMA está à espera para resolver este problema de vez? sic”
Mais tarde, por brincadeira, íamos no segundo mandato, quando na mesma AM “apostei” com Gil Nadais um leitão em como o problema iria perdurar para além do mandato. Perdurou!
O Executivos de Gil Nadais levam mais de 9 anos de exercícios! Entre as muitas obras e os muitos e reconhecidos sucessos – reservando-se-nos o direito à “reserva” sobre a real dimensão dos benefícios de umas quantas – e o constantemente reclamado equilíbrio financeiro, continua a pesar um elementar e primário “charco de vergonha”! Na Z.I. de Barrô, quando a chuva aperta, não se passa! E o Presidente há muito que sabe disso. Mas aqui não há Menções Honrosas para ir buscar e como tal temo que Gil Nadais se vá e o problema fique!?

(*) Colaborador. Membro da Assembleia Municipal de Águeda pelo CDS/PP

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