Do sucesso de Arouca aos 12 trilhos do concelho de Águeda

Macieira De Alcôba

Praticar exercício físico, usufruir da natureza, conhecer o património natural e edificiado, a geologia, a fauna e a flora. Mais do que uma moda, os trilhos pedestres chegaram a Portugal.
São há muito uma componente turística de referência em países europeus, muito frequentados, e um destino por excelência das atividades de lazer. O destino praia, culturalmente lusitano, relega outras práticas para plano secundário, embora paulatinamente estejam a ganhar adeptos. Há uma certeza: a variedade e a complementaridade de ofertas, num espaço geográfico próximo, enriquece a nossa região.
Águeda, junto ao litoral, pode beneficiar com essa complementaridade. São 12 os trilhos já referenciados no concelho – um dos quais ainda por inaugurar – com particularidades que entusiasmam à descoberta e ao conhecimento. São frequentados, embora não seja possível quantificar o número de visitantes. São sobretudo “grupos grandes e famílias” que acedem através do sítio municipal na internet ou que descobriram a existência dos trilhos por via de provas desportivas em que participaram, ou acompanharam, ou ainda através de eventos que os trouxeram anteriormente até Águeda. É essa a convicção de Edson Santos, vereador municipal para o desporto e o turismo.

O SUCESSO DE AROUCA
O caso de Arouca é de sucesso, com os massificados “Passadiços do Paiva”, reabertos na quinta-feira após os estragos causados pelo incêndio de agosto de 2016. Pelo segundo ano consecutivo em dois anos de abertura. O investimento foi grande mas o retorno está assegurado. O projeto é estruturante – trouxe dinâmicas novas que se refletem em oportunidades – para a vida de aldeias isoladas, para as pessoas que lucram com o turismo (emprego direto e atividades e serviços associados) e para a vila de Arouca (movimento promove serviços), pela diversidade da oferta.
Uma terra do interior com acessos deficientes (bom piso mas curvas até mais não…), pelos vistos bem sinalizada desde as principais vias rodoviárias, está no mapa. E nem só pelo mosteiro de Santa Maria de Arouca (do sec. X) que já atraía estrangeiros, nem só pela geologia própria (como as pedra parideiras…), nem só pelo futebol (quinta época consecutiva na elite portuguesa)…
Arouca tem vida com gente de lá e gente de fora. Que agora vai até mais longe, às margens do Paiva, subir e descer para contemplar a natureza e se envolver com ela. Mesmo que ainda nos cruzemos com senhoras emperiquitadas como se passeassem pelos Aliados no Porto, a baixa pombalina em Lisboa ou os chapéus coloridos de Águeda.
Não, naquela transpiração da caminhada, que levanta pó nos trilhos de terra, cruzam-se portugueses que vão na maioria preparados para o esforço de 8,5 kms (para um só lado) ou de 17 kms (ida e volta), espanhóis muitos e também de outras nacionalidades. É prático ir cedo, evitando que o carro fique longe e obriguem a mais quilómetros de caminhada; é conveniente ir com a mochila preparada com líquidos e comida a condizer com o assunto. Um euro de entrada pelo sítio na Internet (funciona bem) ou dois no local. Apreciando a envolvente, duas horas e meia a três horas para cada lado faz-se bem. (Ver trilhos na edição da semana)

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