Driving.Range @ Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Alberto Marques

Na última sessão ordinária da Assembleia Municipal de Águeda (conforme dei conta num recente artigo neste jornal), os membros do partido socialista deste areópago manifestaram – de forma muito veemente, ruidosa e irada – a sua indignação com a minha proposta de fixação de taxas de derrama inferiores ao máximo, classificando a minha posição como “amoral” e defensora de “roubar aos pobres para dar aos ricos”, entre outros mimos tradicionalmente gritados em comícios do PCP por alturas do PREC.

O que terão agora para dizer os mesmos membros socialistas, quando na próxima sessão desta Assembleia forem votar a proposta do executivo municipal de gastar 28.000 euros no projecto, mais 100.000 euros na empreitada (já em 2015), e ainda mais 424.000 euros no ano seguinte (2016), num Driving Range de golfe?

Provavelmente para compensar o meu feroz e infame ataque capitalista contra o “Povo”, eis que a nossa Câmara Municipal avança com mais de meio milhão de euros para um equipamento destinado ao treino dos praticantes de golfe, como sabemos um desporto muito apreciado e praticado pelo proletariado e pelas classes mais desfavorecidas.

O senhor Presidente da Câmara, perante a minha referência a este assunto na Assembleia Municipal Extraordinária dedicada ao Estado do Concelho, afirmou que estes valores, a estarem no documento das Grandes Opções para 2015, estarão errados. Que não pode ser. Mas estão lá. Não restam dúvidas. Aguardo com curiosidade a eventual correcção dos montantes previstos, apenas para confirmar se tratam de cinco centenas de milhares de euros, ou “apenas” duas ou três…

Aliás, ao escrever estas linhas senti-me até um pouco deslocado, pois não tenho acompanhado devidamente o canal televisivo dedicado a este desporto, e queria evitar algumas eventuais gaffes. A verdade é que não estou bem certo se devo pronunciar “gôlfe” ou “gólfe”, pelo que espero que os meus amigos socialistas, mais dados a estas “coisas do Povo”, possam esclarecer-me nesta dúvida existencial…

Quanto às verdadeiras prioridades deste executivo, penso que estamos conversados. Afinal de contas, será este o tal “caminho certo”? Se a ideia é trilhar verdejantes “fairways” entre “greens” e “tees”, a Câmara Municipal de Águeda prepara-se para um belíssimo “hole-in-one”; já o facto de os munícipes acabarem num enorme “bunker” de areia, não deve ser relevante nem constitui qualquer “handicap”…

Após uma brevíssima consulta a um simples glossário deste desporto, descobri que existe um grito (“fore!”) com que um jogador avisa os restantes jogadores em campo de um desvio significativo numa pancada de jogo. Portanto, caros munícipes aguedenses… FORE!!!

(*) – Membro do PSD na Assembleia Municipal de Águeda

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