Enquanto te exploram… tu gritas gooooolo!! , por João Graça (*)

Em Portugal multidões de indignados descobriram que uma Democracia que não dá dinheiro afinal não presta e, nesse contexto, pouco importa a Liberdade. Precisamos desesperadamente de dinheiro para sentir e gozar a plenitude da Liberdade.

Pouco nos importa o comportamento do mundo que nos rodeia . Nem parece sequer dizer-nos respeito. Não nos sentimos na obrigação de participar no esforço colectivo do que quer que seja. Exigimos, isso sim, a partilha dos dividendos daí resultantes.
Estamos a ficar uma sociedade desmiolada, sem sentido crítico, que exige de tudo a troco de nada apenas e só, porque sim.
Participamos maciçamente na proliferação de lixo que, hipocritamente, condenamos. Por isso mesmo, não nos perturba que os programas televisivos líderes de audiência sejam “reality shows” da mais variada espécie e que as exéquias da última jornada de futebol se prorroguem semana adentro, martelando-nos os tímpanos, em todos os canais televisivos.
Por um lado subscrevemos petições que visem impedir o abate de um qualquer canídeo envolvido numa das muitas tragédias que nos vão relatando, por outro lado assistimos impávidos e serenos à mortandade quase diária de milhares de pessoas, com a serenidade própria de cidadãos do mundo ocidental.
Achamos perfeitamente aceitável, ou então desconhecemos por completo, que um treinador da 1ª divisão ganhe mais para treinar uma equipa de futebol do que todos os ministros de um Governo para dirigirem uma Nação. Estamos incomparavelmente mais atentos e interessados em discutir assuntos de lana caprina do que assuntos deveras importantes. Extasiamo-nos com jogos florais e deslumbramo-nos com foguetes de lágrimas…
Temos imensa dificuldade em perceber onde assenta a nossa liberdade. Temos imensa dificuldade em distinguir uma proposta séria e credível de um convite para fazer bolinhas de sabão.
Somos sistematicamente manipulados sem oferecermos um mínimo de resistência. Cedemos a nossa vontade ao primeiro troglodita que nos prometa um futuro fantástico a troco de coisa nenhuma. Acreditamos pateticamente em tudo o que nos convém como adolescentes imberbes incapazes de olhar além do que a vista alcança.
A verdade é que a Liberdade interessa a poucos e não faz falta nenhuma para ver novelas, jogar no computador, passear de carro e ir ao futebol.

(*) Colaborador

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