Equitação: Jorge Capela, campeão nacional de atrelagem

Jorge Capela em plena competição

“Senti que estava a honrar a minha família, a minha cidade natal e o desporto português”. O aguedense Jorge Capela sagrou-se campeão nacional de atrelagem, conquistando a medalha de ouro, na prova que decorreu, no Complexo Desportivo da Companhia das Lezírias, em Monte de Braço de Prata, nos dias 20 e 21 de outubro. Em entrevista ao RA, o jovem fala da conquista e das exigências da modalidade

Jorge Capela

Jorge Capela, campeão nacional de atrelagem

P> Sagrou-se campeão nacional de atrelagem recentemente, conquistando a medalha de ouro. O que representa para si a conquista deste título?
R> Esta conquista é o reflexo de todo o trabalho dedicado por mim e por toda a minha família aos cavalos durante todos estes anos, sentindo uma sensação de objetivo comprido no momento em que recebi a medalha e a faixa e que ouvi o Hino Nacional, com a sensação que estava a honrar a minha família, a minha cidade natal e o desporto português.

“PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS É O OBJETIVO”

P> Que outros títulos conquistou para além deste?
R> Ao longo destes anos, tenho participado em várias provas e conquistado vários títulos a nível nacional. Destaco a participação na taça de Portugal e a consagração de vicecampeão nacional na classe de iniciados no ano de 2016. A partir daí o meu objetivo foi alcançar o título de campeão nacional. Neste momento, surgiu um novo objetivo, que é a participação em competições internacionais e quem sabe um dia poder participar no campeonato do mundo de cavalos singular.

P> Há quanto tempo está ligado à equitação e à atrelagem especificamente?
R> Relativamente à ligação à equitação, esta já vem desde há vários anos, pois desde que me lembro, o meu pai sempre teve cavalos e sempre mantive um contacto muito próximo com o meio equestre. Em relação à disciplina de atrelagem, desde muito cedo, sensivelmente pelos 10 anos, conduzia póneis, mas numa perspetiva lúdica. No que diz respeito à competição, esta é uma paixão relativamente recente, surgindo em 2015, através do contacto com o Eng. Eduardo Ribeiro e Eng. Manuel Alegria, ambos também apaixonados pela atrelagem e grandes impulsionadores desta disciplina de competição.

“10 HORAS DE TREINO AOS FINS-DE-SEMANA”

P> Onde treina e quanto tempo investe nos treinos?
R> Só consigo realizar esta disciplina porque existe uma coordenação familiar muito boa e um trabalho de equipa excelente. Como me encontro a estudar fora de Águeda, apenas consigo treinar os cavalos “a sério” no fim de semana, contudo, a minha irmã é a pessoa encarregada de treiná-los, durante a semana, na quinta da família, situada em Albergaria-a-Velha. Aos fins de semana, costumo deslocar-me a Oliveira de Azeméis para treinar mais aprofundadamente com o grande amigo, treinador e, também, campeão nacional na classe de parelhas Eduardo Ribeiro. Normalmente, dispenso cerca de 10 horas durante os fins-de-semana, no entanto, a minha família dispensa cerca de 3/4 horas por dia durante a semana.

P> É fácil conciliar a equitação e os estudos?
R> Como diz a expressão, “há tempo para tudo”. Há tempo para estudar, tempo para os cavalos e tempo para diversão e lazer, porém, por vezes, torna-se difícil conciliar tudo. O que faço é tentar organizar a minha agenda no início da semana, de forma a distribuir muito bem o tempo que tenho nas diversas atividades, dedicando-me a 100% em tudo o que faço. Contudo, na altura das competições tenho que deixar de lado um pouco os estudos. No entanto, tenho a sorte de ter grandes amigos que me facilitam um pouco o trabalho nas semanas que antecedem a competição

P> O que o motiva e o que o atrai nesta modalidade?
R> A atrelagem sempre teve um papel importantíssimo na nossa sociedade, passando pelo meio de transporte, pelo trabalho agrícola e veículos de guerras. O que me motiva é o facto desta competição ser o tipo de prova de tração animal mais completo, pois exige uma grande versatilidade, tanto da parte dos cavalos como dos condutores. Esta prova exige um elevado grau de ensino dos cavalos e simultaneamente rapidez, coragem e flexibilidade, exigindo também que o condutor tenha a capacidade para executar exercícios de dressage e ao mesmo tempo tenha perícia para conduzir os seus cavalos a grandes velocidades em pequenos obstáculos, permitindo assim testar a versatilidade da equipa.
Apesar de não ser uma disciplina muito conhecida, na minha opinião, cabe aos seus participantes divulgá-la, pois esta é a única modalidade na equitação que permite a participação de indivíduos dos 8 aos 80 anos.

“É UMA MODALIDADE MUITO CARA”

P> É uma modalidade cara? Conta com apoios?
R> A Atrelagem é uma modalidade muito cara. Tudo o que envolve cavalos é sinónimo de despesas porque todo o material necessário para a competição é extremamente caro. No mundo da equitação, a atrelagem é das disciplinas que exige uma maior logística, pois ao contrário da disciplina de dressage ou dos saltos de obstáculos, que apenas é necessário levar o cavalo e a sela, nesta disciplina é necessário transportar cavalos, arreios, duas charretes, sendo uma para a prova de maratona e outra para a prova de ensino e maneabilidade/cones, entre outras coisas indispensáveis. Neste momento, apenas conto com o apoio financeiro do meu pai e com o apoio da Câmara Municipal de Águeda.

Isabel Moreira (texto)
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