Escola Marques de Castilho com 90 anos

Escola Secundária Marques de Castilho

A Escola Secundária Marques de Castilho dá início, no próximo dia 3 de fevereiro, às 18h30, às comemorações do seu 90º aniversário, com uma sessão de entrega de prémios aos alunos do quadro de mérito e de entrega de diplomas aos alunos que concluíram o 12º ano em 2015/2016. Nesse mesmo dia, segue-se um jantar comemorativo da data redonda, com início previsto para as 20h30. Todos os que pretendam participar no jantar comemorativo, podem desde já proceder à aquisição do seu bilhete nas instalações da escola, até ao dia 31 de janeiro.

Escola com matriz histórica de ligação ao tecido empresarial e à formação profissional

Oficialmente criada a 29 de janeiro de 1927, a atual Escola Secundária Marques de Castilho recebeu o nome de Escola Industrial e Comercial de Águeda (EICA). A sua criação vinha responder às novas exigências e necessidades criadas pelo desenvolvimento económico da vila de Águeda na década de vinte, nomeadamente no sector da indústria

A certidão de nascimento da escola reside no Decreto nº 13.149, publicado no Diário do Governo nº 32, e retificado no Diário do Governo nº 37, de 29 de Janeiro de 1927. A sua criação resultou da conjugação de diversos fatores, entre os quais a necessidade de dotar o pessoal operário dos “numerosos estabelecimentos fabris de serralharia e carpintaria mecânicas, de cerâmica, de serração de madeiras e outros”, de uma adequada formação profissional.
De resto, Águeda contava à época com uma frequência escolar, a nível do ensino primário, superior a 2000 alunos, facto que, à partida, para o legislador, assegurava e justificava inteiramente “a frequência de uma escola de ensino técnico elementar”.

PROPRIEDADE ADQUIRIDA POR 55 CONTOS

Reconhecida a necessidade da criação de uma escola industrial e comercial em Águeda, para a sua instalação seria necessário que o Município fornecesse as instalações apropriadas. Nesse sentido, no dia 6 de Junho de 1927, o Diretor-Geral do Ministério do Comércio, acompanhado pelo Presidente da Comissão Municipal, Joaquim de Mello, “veio escolher o edifício mais adequado à instalação”. Vistoriadas as casas então consideradas disponíveis, a escolha recaiu sobre a chamada “Casa de D. Matilde”, propriedade do Conde de Águeda, que, desde logo, facilitou a sua venda pela módica verba de 55 contos suportados pelos cofres da Câmara, com dinheiros retirados dos fundos das Minas de Talhadas, destinados “a melhoramentos no concelho”. As despesas com as instalações eram da responsabilidade do Governo.

PRIMEIROS ANOS DIFÍCEIS

Os primeiros anos não foram fáceis. A falta de material didático e a modéstia das instalações eram, no entanto, colmatadas pela boa vontade e empenho do pessoal docente e auxiliar. Na verdade, no relatório do ano letivo de 1928/29, o seu primeiro diretor, Padre José Marques de Castilho, afirmava que o seu pessoal foi “de uma assiduidade e pontualidade inexcedíveis, a ponto de alguns não darem uma única falta durante o ano. O seu esforço foi máximo e o rendimento do seu trabalho comprovou publicamente a sua competência e o seu interesse pela causa que lhes foi confiada”, apesar de todas as deficiências do edifício em que se trabalhou.
De facto, tratava-se de um edifício “acanhadíssimo e pobre de material por falta de dinheiro para o adquirir” (Relatório de 1928/29), deficiências que se ampliaram ao longo do tempo, angustiosamente confirmadas nos relatórios anuais enviados, repetidamente, pelo diretor às instâncias superiores. Todos eles, aliás, afirmam, que “as salas de aulas são pequenas e não chegam para o serviço”.

DOS 129 ALUNOS NO INÍCIO…

A escola abriu oficialmente o 1º ano letivo em 14 de Novembro de 1927, com 129 alunos inscritos, distribuídos pelos dois cursos existentes: o curso comercial e o curso industrial. Funcionava em regime de ensino diurno e ensino noturno.
Como diretor fora nomeado o Pe José Marques de Castilho (que se manteria nessa função até 1939) e do quadro do pessoal docente constavam 11 professores e 3 mestres.
A 22 de junho de 1964 foi inaugurado, com pompa e circunstância, o atual edifício, com a presença do Almirante Américo Tomás, tendo conhecido ao longo da sua história diversas designações e patronos. A atual designação data de 1986.
Em 2011, como é sabido, foi objeto de obras de beneficiação no âmbito do Programa de Requalificação do Parque Escolar. A 28 de junho de 2012, foi criado o Agrupamento de Escolas de Águeda Sul, do qual é escola sede, e que resulta da agregação com os antigos Agrupamentos de Escolas de Aguada de Cima e de Fermentelos.

… AOS MIL ALUNOS AGORA

A escola conta atualmente com cerca de 1000 alunos (2115 no total do agrupamento), distribuídos por 14 turmas do 3º ciclo e 28 do ensino secundário, metade das quais do ensino profissional. Oferece 3 cursos de prosseguimento de estudos (Ciências e Tecnologias, Línguas e Humanidades e Artes Visuais) e tem em funcionamento 10 cursos profissionais (Comércio, Manutenção Industrial, Gestão Equipamentos Informáticos, Análise Laboratorial, Eletrotecnia, Design de Moda, Informática de Sistemas, Apoio à Gestão Desportiva, Produção em Metalomecânica e Restauração) e um curso vocacional de nível secundário (Operador de Máquinas CNC).

MATRIZ HISTÓRICA

“Não obstante manter a sua aposta em cursos de prosseguimento de estudos para o ensino superior, no âmbito dos quais tem estabelecido parcerias com instituições do ensino superior para aqui ministrarem cursos avançados em diversas áreas, designadamente na área das ciências da vida, a escola não abandonou a sua matriz histórica de ligação ao tecido empresarial e à formação profissional”, referiu o diretor Francisco Vitorino, que sublinha o facto de “manter hoje protocolos de colaboração com mais de 140 empresas e instituições, sendo sistematicamente abordada no sentido fornecer às empresas a mão-de-obra qualificada de que tanto necessitam”.
No ano letivo transato, frequentaram estágios em empresas mais de 250 alunos, muitos dos quais integraram os seus quadros após o fim da formação, de acordo com dados fornecidos pela Escola Secundária Marques de Castilho.
No âmbito do novo Programa de Formação e Qualificação de Adultos, o AEAS (Agrupamento de Escolas de Águeda Sul) viu recentemente aprovada uma candidatura a um Centro Qualifica, aguardando-se a sua criação oficial e arranque efetivo para muito em breve.

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