Está.bem@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

A confirmar-se a intenção do Presidente da Câmara Municipal de Águeda em endurecer posições no presente conflito de interesses entre a autarquia e a empresa AdRA – Águas da Região de Aveiro, penso que se trata de uma boa notícia para o concelho.

Segundo a imprensa regional, a que se juntam algumas recentes intervenções do Dr. Gil Nadais na Assembleia Municipal, a autarquia terá enviado uma proposta à AdRA tendo por objectivo “colocar um ponto final nos sucessivos adiamentos dos investimentos que são necessário no concelho”. O jornal Diário de Aveiro avançou que “o documento-proposta remetido à AdRA é assinado pelo presidente da autarquia, referindo que “os investimentos previstos para o concelho estão irremediavelmente atrasados, não sendo realista pensar que possam ser recuperados de forma a que as expectativas criadas às populações sejam concretizadas, uma vez que estava previsto terminarem em Dezembro de 2012”.

Recordo que, aquando da concessão dos serviços de águas e saneamento, a mesma pressupunha obrigações de ambas as partes: por um lado, a CMA assegurava que os utentes iriam suportar taxas muito mais elevadas do que as praticadas até então; por outro, a AdRA, graças a esta revisão de tarifários, e à possibilidade de obter financiamentos externos em condições mais vantajosas, garantiria a construção das infra-estruturas ainda necessárias, bem como a manutenção das existentes. O resultado é conhecido: os preços da água e do saneamento subiram em flecha, mas a AdRA não realizou um centímetro das obras a que estava obrigada.

Bem pode a AdRA (e o presidente da Câmara) alegar que a culpa é do Governo, que as obras não avançam por este ou aquele motivo. A verdade é que a AdRA é uma empresa que assinou um contrato e assumiu responsabilidades. Nós, os consumidores, cumprimos – dolorosamente – a nossa parte, pagando o que nos exigiram. Eles não.

Não conheço em profundidade a situação financeira da Câmara Municipal mas, se o Presidente garante que está em condições de assumir a responsabilidade de executar os investimentos necessários (presumo que, com recurso a capitais próprios, verbas a receber da Adra e eventuais financiamentos dentro dos limites permitidos à autarquia), então é de avançar, sem medos. Pior do que estamos, certamente, não ficamos…

Mas há mais: o Dr. Gil Nadais avançou com a possibilidade de também sair do programa “Polis Litoral Ria de Aveiro”, exigindo que o município seja ressarcido das verbas entretanto avançadas, sem que o projecto tenha trazido quaisquer vantagens para o concelho.

Quando se paga adiantado – e bem – por serviços contratualizados, o mínimo esperado é que as partes cumpram as suas obrigações. Não sendo o caso, para mais tratando-se de dinheiros públicos, há que dar um murro na mesa e resolver de uma vez o problema. Duplos parabéns, portanto, por ambas as iniciativas, Dr. Gil Nadais. Espero que seja bem sucedido nestas negociações, e que as mesmas se concluam com a maior brevidade. Águeda não pode esperar mais.

Está.mal@Águeda.pt

Certas medidas, por mais bem intencionadas que sejam, quando aplicadas de forma cega e exagerada, podem revelar-se contraproducentes. A autarquia aguedense decidiu – e bem – que era necessário poupar nos gastos com a iluminação pública. A decisão de apagar, de forma intercalada, algumas lâmpadas e postes em diversas ruas, foi acertada e deve ser aplaudida. Já a insistência, muito para além do razoável, em manter apagada a totalidade da iluminação em diversas zonas da cidade e zonas limítrofes, é uma tontice. Não sei se o controlo é feito de forma automática (sensores de luminosidade) ou se são programações horárias arbitrárias. O resultado é que não podia ser pior: ruas em plena escuridão ao anoitecer, zonas industriais no mais escuro breu quase toda a noite, enfim, um autêntico “manto de  trevas” que nem a crise pode justificar, e que acrescenta vários perigos para todos os cidadãos.

Havia mesmo necessidade?…

(*) – Membro da Assembleia Municipal de Águeda (PSD)

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