ESTGA: novo edifício, novos cursos e derrube de muros

Marco Costa, diretor da ESTGA

Marco Costa, diretor da ESTGA, em entrevista ao Região de Águeda, anuncia intervenções no campus, nomeadamente ao nível dos muros, para o tornar uma continuidade da própria zona envolvente e da cidade. Fala ainda dos constrangimentos do espaço e da alta ocupação das instalações, anunciando ainda que faz parte da estratégia da atual direção o planeamento da construção de um edifico de raiz no campus. Marco Costa iniciou o mandato em julho de 2019, mas já exercia o cargo de diretor desde outubro de 2018, em regime de substituição

Marco Costa, diretor da ESTGA

Marco Costa, diretor da ESTGA

P> Tem referido a abertura do portão da ESTGA como uma das primeiras medidas de abertura do espaço à comunidade? Que outras se seguirão?
R> A abertura do portão junto à rotunda no cruzamento das ruas Comandante Pinho e Freitas e Rua José de Sucena, permitindo o acesso pedonal ao campus pela designada “alameda das laranjeiras” foi uma medida simples e concreta, para melhorar a vivência de todos os que utilizam o campus da UA em Águeda. Contudo, não deixou de ser uma medida com um caráter simbólico sendo precursor de outras mudanças. Por exemplo, a abertura da entrada da ESTGA na Rua Infantaria 28, facilitando o acesso à Biblioteca Municipal Manuel Alegre e a circulação pedonal de e para a baixa da cidade através do elevador situado nas imediações. Neste momento, está numa fase adiantada de conceção e preparação uma intervenção no campus de Águeda para o tornar, na medida do possível, uma continuidade da própria zona envolvente e da cidade, através da mitigação dos muros que ladeiam o campus. Espera-se, em particular, que os aguedenses possam usufruir do campus, nomeadamente do jardim que temos no campus e que, também, será alvo de uma requalificação.
P> Isso significa que a tão desejada ligação da comunidade à escola ainda está longe de ser uma realidade?
R> Não, muito pelo contrário. A ligação da comunidade à ESTGA foi, é, será sempre um objetivo de qualquer direção. A ESTGA ostenta (com orgulho) na sua designação a cidade e o concelho que a criou, fez crescer e a acolhe desde 1997. A ligação da comunidade à escola – e da escola à comunidade – é uma realidade desde a sua criação. Contudo, nestes 22 anos o enquadramento organizacional, as necessidades do mercado de trabalho da indústria e de outras atividades económicas locais e regionais foram-se renovando ou sofreram alterações mais ou menos acentuadas. Os desafios que hoje nos são colocados implicam que as ligações entre a ESTGA e os diversos interlocutores e agentes económicos, sociais e políticos, tenham de ser permanentemente reforçadas. É, sempre, um objetivo por atingir em toda a sua plenitude!

P> As instalações da ESTGA constituem um obstáculo ao crescimento da escola? Estão a ser equacionadas soluções para ultrapassar esse constrangimento?
R> Atualmente, a ESTGA desenvolve as suas atividades de ensino, investigação orientada e de cooperação com a sociedade fundamentalmente no conjunto de cinco edifícios requalificados da antiga Escola Central de Sargentos (entre 1926 e 1977) e do antigo Instituto Superior Militar (entre 1977 e 1995), sendo que, também, desenvolvemos atividades noutros campus da UA, principalmente as atividades de investigação e desenvolvimento no âmbito dos centros de investigação. As instalações existentes no campus de Águeda têm já uma elevada taxa de ocupação, devendo-se, essencialmente à natureza técnica e laboratorial que caracteriza a nossa oferta formativa e aos nossos modelos de ensino-aprendizagem, nomeadamente o modelo de aprendizagem baseado em projetos (MABP). Contudo, e apesar do edificado nos colocar alguns desafios temos conseguido tirar partido, tanto das instalações como da excelente localização da escola. Temos apostado na diversidade das tipologias da oferta formativa e áreas de formação, uma vez que cursos diferentes têm necessidades de recursos, físicos, humanos ou técnicos, diferenciados; sem prejuízo da estratégia preconizada por esta direção de, a médio e longo prazos, prever o planeamento da construção de um novo edifício de raiz no campus.

INSTALAÇÕES NA SUA CAPACIDADE MÁXIMA

P> Com os 900 alunos que tem, a capacidade máxima da escola está atingida?
R> Como referi anteriormente, a ocupação das instalações da ESTGA com as atividades letivas é elevada atual mente, principalmente no horário diurno. Contudo, a dimensão e o impacto de uma instituição de ensino superior não se mede apenas pelo número de estudantes. A ESTGA pretende crescer em diversos eixos da sua atuação, sendo que na vertente da oferta formativa temos condicionantes tanto de instalações como legislativas. As vertentes da cooperação com a sociedade e da investigação e desenvolvimento não necessitam diretamente de espaços novos, uma vez que tanto estudantes como docentes têm acesso a diversos recursos da UA, embora também tenhamos que melhorar as condições existentes no campus neste âmbito.
P> Acha que a ESTGA já conseguiu a tal implantação regional que tanto almeja?
R> A implantação regional da ESTGA é inquestionável. Desde logo através do alinhamento da oferta formativa com as necessidades da região e das suas atividades económicas, evidentemente com graus diferenciados por tipos e níveis das formações. Também temos interagido com a região nas áreas da investigação aplicada e desenvolvimento, por exemplo, através de prestações de serviço a empresas e organizações da região, como pelas relações regulares e cada vez mais intensas com parceiros estratégicos, como a Câmara Municipal de Águeda, a Associação Empresarial de Águeda (AEA), a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) ou a Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA). Estas últimas que, a título de exemplo, connosco colaboram nos programas de tutoria de licenciaturas. Não posso deixar de salientar que a nossa oferta formativa tem sido atualizada em estreita relação com as necessidades da região. Em particular, as áreas dos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) e os próprios planos de estudos que ministramos foram identificadas e construídos em estreita articulação e colaboração ativa com empresas e organizações da região. Os bons resultados que temos tido relativamente à entrada de novos estudantes nos diversos cursos são um excelente indicador desta relação.

P> A oferta formativa da ESTGA tem conseguido adaptar-se às novas exigências do mercado?

R> A oferta formativa da ESTGA tem sido regularmente atualizada de modo a dar resposta às necessidades de profissionais qualificados nas áreas que a região precisa, ou mantendo-se as necessidades em áreas de formação já existentes, fazendo as necessárias atualizações de conteúdos, tecnologias e competências, sejam estas técnicas, pessoais ou relacionais/interpessoais. Esta adaptação contínua está facilitada pelo contacto regular e de proximidade que os docentes e as estruturas organizativas da escola têm com as empresas e organizações da região, por exemplo, através do acolhimento dos nossos estudantes nos mais de 250 estágios curriculares que proporcionamos todos os anos em mais de 140 organizações diferentes. Ou, ainda, através das inúmeras aulas abertas, seminários e visitas de estudo que temos todos os anos, associadas a uma das nossas imagens de marca que são as aprendizagens ativas.

ESTGA - vista aérea

ESTGA, vista aérea

DOIS NOVOS CURSOS PREVISTOS

P> Há novos cursos previstos para o próximo ano?
R> Neste momento, temos dois cursos submetidos à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), cujos processos devem ficar concluídos durante este 1.º semestre. Uma das propostas é de uma licenciatura em Eletrónica e Mecânica Industrial, cujo plano de estudos assenta no MABP. A outra proposta é de um novo curso de mestrado em Gestão da Qualidade Total, enquadrado na estratégia de consolidação da oferta formativa na área da Gestão da Qualidade, na qual a ESTGA se tem afirmado. Contamos abrir vagas para estes cursos já no ano letivo 2020/21.

P> A ESTGA apresenta bons níveis de empregabilidade?
R> A elevada empregabilidade dos cursos ministrados na ESTGA é um dos fatores que nos tem caracterizado, desde os CTeSP, às licenciaturas e aos mestrados mais recentemente. O sucesso que os nossos graduados têm no período após a conclusão dos seus cursos não tem segredo. É, na verdade, o resultado do trabalho de equipa dos docentes e pessoal técnico e administrativo, das empresas e organizações que connosco colaboraram e dos planos curriculares que estão alinhados com as necessidades profissionais da região. A ESTGA dispõe de um corpo docente altamente qualificado, tanto pelo facto de termos uma larga maioria de docentes de carreira doutorados ou com o título de especialista, como pelo alargado número de docentes convidados que connosco colaboram, sendo muitos destes profissionais que exercem paralelamente a sua atividade profissional relevante nas áreas de formação da ESTGA. Consideramos que este é um dos fatores de sucesso na empregabilidade dos nossos estudantes. As empresas e as organizações da região têm contacto regular com os estudantes, seja pelo facto de terem seus colaboradores a lecionar na ESTGA ou por colaborarem nos programas de tutoria ou no acolhimento de estagiários. Outro aspeto relevante, é a possibilidade dos nossos graduados prosseguirem os seus estudos, em dedicação exclusiva ou já como trabalhadores-estudantes.

 

MOBILIDADE
“Transportes públicos rodoviários condicionam mobilidade interconcelhos”

P> Que outros constrangimentos identificaria que impedem o crescimento da escola? A falta de residências? Os transportes?
R> Os constrangimentos relativos às residências, mais propriamente ao alojamento de estudantes, e aos transportes nas ligações de e para Águeda são alguns dos fatores estruturantes que, naturalmente, são tidos em consideração pelos nossos potenciais estudantes. A inexistência, até ao momento, de residências universitárias em Águeda tem, de facto, sido um desafio no início de cada ano letivo. Por isso, estamos muito otimistas com a disponibilização de mais 63 camas nas residências universitárias que estarão ao serviço da comunidade ESTGA, após a conclusão das obras que estão em curso, e que estão a ser executadas através de um acordo de comodato entre a Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal de Águeda. Quanto aos transportes, em qualquer cidade industrial e socialmente dinâmica como Águeda, as questões relacionadas com a mobilidade são muito relevantes. A partir dos últimos dados recolhidos aos novos estudantes neste ano letivo, estimou-se que cerca de 35% dos estudantes deslocam-se para a ESTGA em veículo próprio com utilização individual, 29% deslocam-se a pé, 21% utilizam o comboio e 11% partilham as viagens em veículo próprio, sendo residual outras formas de deslocação. Pensamos que uma maior oferta de camas na cidade, desde logo através das residências, irá contribuir para uma maior fixação dos estudantes no concelho, diminuindo, principalmente as deslocações em carro privado e potenciando a economia local. Por outro lado, estamos a estudar estratégias de modo a melhor conciliar os horários das atividades letivas com os do comboio. Se, por um lado, a existência do comboio é uma mais-valia para a ESTGA e para a cidade, apesar dos problemas relativos ao conforto e à fiabilidade do serviço, a oferta residual de transportes públicos rodoviários entre os concelhos da região condiciona a mobilidade inter-concelhos.

 

FALTAM QUARTOS
“Aveiro é o concelho que tem mais residentes a estudar na ESTGA”

P> De onde são oriundos a maioria dos estudantes da ESTGA?
R> Temos estudantes de todos os distritos portugueses e dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, com a exceção do distrito de Beja. Atualmente, cerca de 75% dos nossos estudantes têm residência permanente no distrito de Aveiro. Numa análise por concelho, em termos absolutos, o concelho de Aveiro é o que tem mais residentes a estudar na ESTGA (19% do total de estudantes) seguido do concelho de Águeda (15% do total de estudantes). Adicionalmente, temos um número significativo de estudantes dos distritos do Porto, Coimbra, Braga, Viseu e Leiria.

P> Tem conhecimento se continuam a faltar quartos em Águeda?
R> Da informação que dispomos, os novos estudantes têm tido algumas dificuldades em arranjar quarto. Contudo, os serviços de ação social da UA disponibilizam todos os anos várias ofertas de alojamento qualificado existentes na cidade de Águeda que os novos estudantes e as suas famílias podem consultar. A própria escola reencaminha os estudantes que nos solicitam apoio na identificação de alojamento para o Núcleo Associativo de Estudantes da ESTGA que tem tido um papel fulcral nessa ajuda e na integração dos novos estudantes na cidade.

P> Para quando está prevista as tão desejadas residências universitárias? Em que fase estão as obras?
R> A reabilitação das antigas residências dos oficiais teve início em 20 de maio de 2019 e tem decorrido dentro do previsto e a bom ritmo. Se não houver imprevistos, prevê-se que as obras terminem em junho deste ano.

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