Evocação: Carlos Rodrigues, dirigente de eleição

Vicente de Melo, fundador de A Bola, e Carlos Rodrigues

Quando o “mestre” Pedroto se deslocava a Águeda para ministrar um treino por semana

O engenheiro Carlos Rodrigues foi uma referência do dirigismo da sua época. Em Águeda, no distrito e a nível nacional. Deu tudo pelo Recreio e até o “mestre” José Maria Pedroto vinha a Águeda ministrar treino

Carlos Rodrigues nasceu a 6 de dezembro de 1917, em Pelotas – Estado brasileiro de Rio Grande do Sul. Cedo veio para Águeda, de onde os pais eram naturais, fazendo aqui todo o seu percurso escolar até entrar para a Faculdade de Engenharia Civil do Porto.
Nesta cidade, foi jogador do Académico do Porto, nos anos 30, solidificando amizades que viriam a colaborar mais tarde com o Recreio Desportivo de Águeda. Uma delas foi José Maria Pedroto, que nos anos 60 se deslocava a Águeda para ministrar um treino por semana.
Carlos Rodrigues foi treinador e dirigente do Recreio Desportivo de Águeda. Como treinador, ficou célebre uma história, contada muitas vezes pelo seu antigo atleta Adolfo: Carlos Rodrigues terá gasto todo o dinheiro que tinha na compra de chuteiras condignas para toda a equipa de futebol.
Este foi apenas um exemplo do muito que Carlos Rodrigues deu materialmente ao clube que tanto amava, para além do tempo que despendia. Dias inteiros ao serviço do clube, em afazeres que as responsabilidades que assumia impunham, no rigor que incutia e nas ações que desenvolvia por sua iniciativa só ao alcance de quem gosta muito do que faz. Passava, por exemplo, horas intermináveis à descoberta de novos talentos no campo de São Sebastião (atual Praça do Município), para onde se dirigiam os miúdos vindos da escola.
Carlos Rodrigues marcou uma época no Recreio, mas também no dirigismo distrital e nacional. Foi membro do Conselho Técnico da Federação Portuguesa de Futebol entre 1963 e 1966. Depois disso, foi presidente da Associação de Futebol de Aveiro entre os anos de 1967 e 1974. Neste cargo, travou célebres lutas contra a inércia da Federação Portuguesa de Futebol e contra os seus regulamentos e procedimentos obsoletos. Algumas dessas causas foram bem sucedidas, como foi exemplo o regulamento disciplinar adotado.
Carlos Rodrigues foi docente na antiga Escola Industrial e Comercial de Águeda. Faleceu de forma súbita no dia 18 de dezembro de 1974, com 57 anos, quando acompanhava uma viagem de finalistas a Espanha. Era, também na altura, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Águeda.
Do blog “Memórias de Aveiro”, ligado ao SC Beira Mar, comentando uma fotografia antiga: “Jantar oferecido ao Sport Club Beira Mar por ocasião de um jogo de beneficência com o Recreio de Águeda. Ao centro, a discursar, o Eng.º Carlos Rodrigues, presidente do Recreio de Águeda durante larguíssimos anos, provavelmente o mais empenhado divulgador do futebol aguedense e dos valores dos desportistas regionais; tornar-se-ia, mais tarde, presidente da Associação de Futebol de Aveiro. Com ele, pela primeira vez, Aveiro passou a ter voz na Federação, o que só pela sua cultura, frontalidade e um dom de palavra notável lhe terá sido permitido! Se a inesperada morte não o tivesse surpreendido, outros voos lhe estariam reservados. Daí que o seu nome deva prevalecer do número obviamente restrito, no quadro de honra dos grandes dirigentes aveirenses.”

AUGUSTO SEMEDO
Autores

Notícias Relacionadas

*

Top