Fanfarra Káustika: da Banda Alvarense para todos os palcos

Fanfarra Káustika

A 19 de julho a Fanfarra Káustika apresentou um novo espetáculo ao público, em concerto no Agitágueda. Trata-se da segunda parte do espetáculo Transe Sinfónico que dá nome ao primeiro álbum da banda, lançado há pouco mais de dois meses, nas Sextas Culturais, em pleno Cine-Teatro São Pedro

Para quem assistiu ao lançamento do álbum Transe Sinfónico, o concerto no Largo 1º de Maio permitiu a continuação da viagem que começou naquela sala de espetáculos de Águeda. Para quem falhou ao primeiro espetáculo, foi muito fácil entrar na festa.
Se do transe se depreende um estado alterado da consciência, uma viagem, já o sinfónico remete-nos para uma sonoridade erudita, requintada, cuidada. Nesta envolvência de conceitos, quase díspares, Transe Sinfónico procura proporcionar uma viagem que abrange vários estilos e linguagens musicais e que os funde de forma própria e única.
O espetáculo, que no dia 19 de julho ficou completo, é totalmente composto por temas originais da autoria dos músicos da Fanfarra Káustika, Marco Freire e Wrainer Samuel. A história de Transe Sinfónico funde-se com a história da própria banda, um projeto musical que abrange músicos especialistas nas mais diversas áreas, desde o jazz ao erudito, passando pela música tradicional do mundo.
O conceito de Transe Sinfónico surgiu durante um concerto, quando um músico da Fanfarra Káustika, que provém da escola dita clássica, o trombonista Júlio Sousa, fez uma improvisação da suíte composta por Gustav Holst, Os Planetas, com estilo sinfónico, sobre uma batida disco/dance. O que parecia mais uma “brincadeira musical”, entre tantas outras que surgem a cada concerto, inspirou Marco Freire e Wrainer Samuel a criarem o Transe Sinfónico.

MÚSICOS QUE SE CONHECEM

A Fanfarra Káustika, definida pela vontade constante de recriar e inovar, consiste num coletivo de músicos que se conhecem pessoal e musicalmente, ligados que estão desde novos à música filarmónica e às bandas.
A banda começou há quase uma década, através da vontade e irreverência de um grupo de amigos que tocavam juntos na Banda Alvarense e que começaram por tocar couver’s de música tradicional balcã. O projeto tomou a sua forma visível, em 2007, por altura da passagem do grupo Fanfare Ciocarlia por Portugal. De forma a fazer a receção à banda, a Fanfarra Káustika reinterpretou algumas das músicas da Fanfare Ciorcalia. O êxito da prestação permitiu então dar uma exposição real do projeto a nível nacional. Até 2009, foi solicitada para mais de 60 atuações por todo o território português, em inúmeros festivais, espetáculos de rua, feiras.
Com a experiência de estrada acumulada, o projeto consolidou a sua forma artística em torno de uma linguagem e performance próprias, adquirindo a sua identidade.

FANFARRA NUNCA PASSA INDIFERENTE

Com uma sonoridade escura (provocada quer pelos instrumentos que compõe a banda, quer pela influência da música erudita), uma forte aposta na improvisação (seguindo as influências do jazz) e um balanço característico (uma clara influência da música tradicional do mundo), a Fanfarra Káustika não passa indiferente em nenhum espetáculo. Com esta mistura de influências e características deu-se o passo para aquilo a que chamam o Punk Filarmónico, no fundo, uma atitude Punk (em que chegam e “partem tudo”, musicalmente falando, entenda-se) envolvida pelo meio filarmónico, onde todos os elementos da banda começaram ou ainda hoje trilham parte dos seus percursos profissionais.

O ESTILO KÁUSTIKO

Baseado no conceito de Punk Filarmónico começaram a surgir os primeiros temas originais da Fanfarra Káustika. É precisamente a partir de 2011, após a estreia do espetáculo “Punk Filarmónico”, que a Fanfarra Káustika apresenta apenas temas originais, pautados num registo único: o estilo Káustiko.
Resultando da convergência de várias influências, uma vez que a banda é composta por elementos especializados nas mais diversas áreas da música, o estilo Káustico tem pois tudo que ver com a vontade de abrir e trilhar novos caminhos musicais, que se revelam em palco numa sonoridade escura combinada com uma atitude eletrizante e altamente contagiosa.
Atualmente a Fanfarra Káustika é composta por João Mortágua e Rodrigo Neves (saxofones), Brian Carvalho e João Condesso (trompetes), Gabriel Dias, Rui Bandeira, Júlio Sousa e Wrainer Samuel (trombones), Marco Freire, Abílio Liberal (tuba/sousafone), Pedro Vasconcelos e Rui Figueiredo (bateria/percussões).

(leia mais na edição impressa e e-paper de 19 de agosto)

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