Festa.do.Leitão-Maioridade@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Passei junto ao rio, e lá vi a primeira tenda a ser montada. Está aí a 18ª edição da Festa do Leitão à Bairrada. Como o tempo passa… Parece que foi ontem que eu, os meus colegas de direcção, funcionários, e vários amigos da ACOAG, saíamos noite dentro para afixar centenas de cartazes em postes e sinais de trânsito, puxando pela cabeça para escolher os melhores locais onde pendurar as tarjas que tínhamos, durante horas, pintado à mão na sede da associação. (É importante dizer que, alguns dias após a festa, dávamos a volta de novo para recolher a publicidade, pois não poderia ficar a poluir os locais onde tinha cumprido a sua função de divulgação). No fim, com as mãos pretas e com calos, ainda havia disposição para umas cervejinhas e algum petisco providencial que nos aparecesse… Cada ano tentávamos enriquecer o evento com mais algumas atracções, o que obrigava a longas maratonas nocturnas à beira rio, com a planta do Largo 1º de Maio na mão, tentando encaixar restaurantes, bares, stands, artesanato, diversões infantis, palcos, estacionamentos, bilheteiras, sanitários, entradas, enfim, montando o puzzle de cada Festa do Leitão. Depois, era a azáfama da montagem do recinto. Todos os directores e funcionários punham a mão na massa. Alguns, “esqueciam” os seus trabalhos durante alguns dias e “assentavam praça” na praça. Por vezes, saía da festa de madrugada, e ainda ia trabalhar para a minha empresa, pois o trabalho não aparecia feito por magia… Os dias de inauguração eram os piores. Tanto para fazer, e tão pouco tempo para resolver. Era a luz que falhava, a água que não saía, o esgoto que entupia, o expositor que não tinha espaço, os amigos que ligavam a pedir bilhetes, o espumante para descarregar, o jantar dos convidados para preparar, e o discurso ainda por fazer. Era pousar o martelo e o alicate, ir a casa para um banho rápido, ao mesmo tempo que “ensaiava” o que iria dizer às personalidades que vinham inaugurar a festa. Chegámos a ter três ministros e dois secretários de estado numa inauguração, o que atesta a relevância que a Festa do Leitão assumiu a nível nacional.

 

Não, não se trata de saudosismo… Ou talvez trate, pouco importa. São memórias que anualmente revivo, orgulhoso por ter feito a minha parte em prol de uma das iniciativas mais marcantes da nossa terra. Eu e os dirigentes da ACOAG que me acompanharam nos meus mandatos, não esquecendo os que nos antecederam, e que lutaram com ainda mais dificuldades. Imagino o que o Gil Abrantes não terá passado nos primeiros anos de Festa do Leitão, na praça antiga, com chão de terra e sem as “mordomias” que, mais tarde, nos disponibilizaram… E que dizer dos nossos sucessores… O José Pires e o Castilho que, com as suas equipas, conseguiram fazer a festa dar o salto de que precisava para se manter apelativa. No primeiro ano após a minha saída, ainda estive muito ligado à organização mas, nas últimas edições, tem sido “à distância” (mas muito atento e colaborante conforme posso) que tenho acompanhado o excelente trabalho dos organizadores. Um dos objectivos, alicerçar a almejada auto-suficiência financeira, ainda não está garantido, pelo que, todos anos, a ACOAG luta pela angariação de patrocinadores, expositores e apoiantes da Festa do Leitão, tarefa facilitada – há que reconhecê-lo – pelo espírito empreendedor de muitos empresários aguedenses (quase sempre os mesmos…) que têm associado as suas marcas ao evento. Papel fundamental teve, também, a Câmara Municipal de Águeda, parceiro da ACOAG nesta organização desde a primeira hora, apesar do incompreensível (ou talvez não…) afastamento iniciado no ano passado e confirmado este ano. A autarquia resolveu apostar noutro evento de animação, em claro detrimento da Festa do Leitão. São opções discutíveis mas, obviamente, legítimas, que este executivo tomou, das quais, temo, virá a arrepender-se. Mas isso são contas de outro rosário, e não faltarão ocasiões para escalpelizar os meandros desta “viragem municipal”…

 

Já o escrevi neste jornal, na Festa do Leitão, porém, nem tudo é perfeito… Todos os anos, apesar dos insistentes esforços em sentido contrário, há quem continue a servir o leitão com batatas fritas, a impingir aos visitantes uma bebida chamada “frisante”, remotamente parecida com espumante (do mais fraco), a servir leitão frio, a descurar a apresentação das travessas, enfim, pequenos e grandes pormenores que, sendo tão fáceis de corrigir, poderiam garantir a excelência que o produto merece. Tem-se verificado, no entanto, uma clara melhoria de ano para ano, o que atesta a qualidade do trabalho desenvolvido pela ACOAG na sensibilização dos agentes económicos envolvidos no negócio do leitão. Num período de crise económica como o que atravessamos, este tipo de iniciativas assume primordial importância, e deve ser aproveitado não só pelo sector envolvido, mas também por todos os comerciantes e empresários que podem aproveitar uma das principais “montras” à sua disposição para dinamizarem e divulgarem os seus negócios. Foi essa, aliás, a ideia que este na origem da Festa do Leitão, há mais de dezoito anos…

 

Quanto a si, caro leitor, repito o convite para que nos encontremos à beira rio para, entre uma sandes de leitão e um pastel de Águeda, erguermos as taças ao sucesso da Festa do Leitão, num brinde com espumante da Bairrada, sempre “bruto e fresco”…

(*) – Membro do PSD na Assembleia Municipal de Águeda

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