Filipe Ricardo, Trio Porteño: “Abordamos o futuro sem expectativas mas com uma intenção, a solidificação de processos artísticos”

Trio Porteño
Filipe Ricardo

Filipe Ricardo, um dos quatro elementos do Danças Ocultas, integra o Trio Porteño

Filipe Ricardo forma, com António Justiça e Davide Amaral, o grupo Trio Porteño. Em entrevista ao RA, explica como nasceu o grupo, os concertos que tem dado e os seus projetos para o futuro. O grupo explora a combinação entre uma concertina e duas guitarras, tendo como ponto de partida o “nuevo tango argentino”.

P> Quando e como nasceu os “Trio Porteño”?
R> Os “Trio Porteño” nasce de forma muito espontânea aquando da preparação de um concerto de professores do Conservatório de Música de Águeda. A curiosidade de cruzar sonoridades de um acordeão diatónico (mais conhecido como concertina) e duas guitarras deu origem a um ensemble peculiar, que suscitou uma reação nos músicos de satisfação face ao resultado conseguido. Paralelamente a essa feliz necessidade houve um conceito transversal a todos os membros, a admiração e o prazer que temos pelo nuevo tango argentino e a sua execução. Quando os conceitos estéticos são comuns torna-se mais fácil criar uma dinâmica de grupo.

P> Contam já com muitas atuações no país e recentemente abriram um festival em Espanha. O que se perspetiva nos próximos tempos?
R> Sim, de facto tivemos um ano bastante preenchido com concertos um pouco por todo o país, sendo alguns deles em salas importantes e festivais conceituados. A participação no Douro Jazz Festival foi sem dúvida um marco importante, pois trata-se de um festival com muitos anos de existência e por onde passaram grandíssimos nomes não só do jazz mas também das mais variadas áreas da música no mundo. Foi uma grande honra poder englobar uma programação deste nível.
Outra presença importante foi o concerto no auditório do departamento de comunicação e arte da Universidade de Aveiro integrado nos Festivais de Outono, que também conta com muitos anos de atividade com uma programação direccionada para a música erudita. Neste sentido não deixa de ser surpreendente a presença de uma formação pouco convencional como a nossa e com um sentido estético bastante diferente do que normalmente é praticado num festival desta dimensão.
Recentemente, estivemos em Ponferrada-Espanha para o concerto de abertura do festival internacional de guitarra, festival que já recebeu grandes lendas da guitarra clássica.
Os próximos tempos serão um pouco mais calmos, o que nos dará oportunidade de construir reportório original e avançar necessariamente para um registro discográfico.

“ABORDAMOS O FUTURO SEM EXPECTATIVAS”

P> Quais são os vossos projetos futuros enquanto grupo?
R> Não fazemos grandes projeções pois sabemos que em determinadas áreas da música os circuitos esgotam-se com facilidade. Também sabemos que para construir uma carreira sustentada ao nível performativo é preciso tempo. Neste sentido abordamos o futuro sem expectativas mas com uma intenção, a solidificação de processos artísticos, pois só assim será possível pensar a longo prazo.

P> Porquê o nuevo tango Argentino?
R> Todos nos identificamos muito com a nuevo tango argentino, com a beleza e o dramatismo das suas melodias, com a impetuosidade, ansiedade e sensualidade dos seus ritmos. Para além destas características intrínsecas, as composições são muito boas, não deixam ninguém indiferente e onde normalmente os músicos conseguem passar uma mensagem. Essa mensagem vai mexer com as emoções da audiência, e isso é a pedra de toque de qualquer espetáculo.

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