“ IPSS têm grande dificuldade em fazer face às exigências legais”

Carlos Lemos, presidente da União Concelhia das IPSS de Águeda

A preocupação em torno do futuro das IPSS ’s e o rumo que deverão tomar levou a União Concelhia das IPSS’s de Águeda (UCIPSS – Águeda) e a Câmara Municipal de Águeda e o Projeto ganhar Sorrisos a organizar um seminário que visa “colocar as várias vertentes da sociedade a falar do envelhecimento e das respostas sociais para pessoas idosas”, no dia 13 de março (ver programa em baixo). O tema foi pretexto para uma conversa com Carlos Lemos, presidente da direção da UCIPSS – Águeda, que nos falou sobre os problemas que enfrentam os lares atualmente, os seus principais desafios e ainda sobre o problema que algumas instituições ligadas à infância estão a enfrentar no concelho

P> O que motivou a organização do seminário “O futuro dos lares e os lares do futuro”?
R> Há já algum tempo que a UCIPSS pretendia organizar um evento deste género pois há uma preocupação constante com o futuro das IPSS ’s e o rumo que deverão tomar. Uma vez que esta também é uma preocupação partilhada pelos restantes membros da organização, nomeadamente, Projeto Ga­nhar Sorrisos e Câmara Municipal de Águeda, foram criadas condições para que em conjunto desenvolvêssemos este projeto.

P> O que se espera que saia deste seminário?
R> Com este seminário, o objetivo principal será o de colocar as várias vertentes da sociedade a falar do envelhecimento e das respostas sociais para pessoas idosas, uma vez que é uma temática que toca a todos. Trata-se do nosso próprio futuro e do futuro das gerações que aí virão. Pretendemos que o seminário seja um espaço para expor e debater ideias e responder a algumas questões, de entre as quais: O que se está a fazer no sentido de dar resposta ao elevado aumento do índice de envelhecimento? Como serão as políticas para o envelhecimento no futuro? Que mudanças e desafios vão enfrentar os dirigentes, as direções técnicas e os restantes colaboradores das IPSS ’s?

“Falta de recursos financeiros e humanos”

P> Quais são os principais problemas que enfrentam os lares atualmente?
R> Atualmente, as IPSS ’s deparam-se com diversas problemáticas, no entanto, as principais são a falta de recursos financeiros e humanos. Há, atualmente, uma grande dificuldade em recrutar pessoal com competências e formação específica e em fazer face a todas as exigências legais às quais as IPSS ’s estão sujeitas, e que se encontram em constante alteração.

P> Quais serão os desafios no futuro, na sua opinião?
R> Na minha opinião, os principais desafios serão dar resposta a todas as pessoas que necessitem do apoio das IPSS ’s e que essa resposta seja adequada às necessidades, uma vez que, de acordo com os últimos dados do INE, se prevê que até 2050, a população portuguesa, envelheça, podendo o índice de envelhecimento situar-se nos 398 idosos por cada 100 jovens, isto no cenário mais pessimista. Prevê-se, assim, que o número de idosos quase quadruplique em relação ao número de jovens. Se tal acontecer e nada for feito antes, serão graves os problemas: existirão pessoas suficientes para trabalhar nas IPSS ’s? As pessoas daqui a 50 anos serão mais exigentes e terão diversos hábitos que os idosos de hoje não têm. Como será a oferta de serviços? Que políticas terão de ser implementadas?

“Boa cobertura ao nível das respostas para a terceira idade”

P> Qual a taxa de cobertura, ao nível das respostas sociais para idosos, existente no concelho?
R> Atualmente, no concelho existe uma boa cobertura de respostas para a terceira idade. Existem 17 respostas de centro de dia, 7 centros de convívio, 18 serviços de apoio domiciliário e 14 estruturas residenciais para pessoas idosas.

P> Como vê o problema que algumas instituições ligadas à infância estão a enfrentar no concelho? O que faz a UCIPSS a ajudar as instituições a resolverem o problema?
R> Esse é, de facto, um problema que surgiu com a diminuição do número de crianças e com o aumento de respostas educativas no setor público. Neste âmbito, a UCIPSS procura estabelecer uma rede de comunicação entre as diversas IPSS ’s e trabalha no sentido de as representar, junto das entidades de poder político local e nacional. A título de exemplo, ainda no mês de janeiro do corrente ano, foi levada a cabo uma reunião na qual estiveram presentes a vereadora Dr.ª Elsa Corga, o diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Aveiro Dr. Manuel Ruivo, a deputada Dr.ª Carla Tavares e os representantes de diversas IPSS ’s do concelho com o objetivo de dar conhecimento às entidades representadas, as dificuldades que as IPSS ’s atravessam.

P> Um dirigente de uma IPSS dizia recentemente, em entrevista ao RA, que em Águeda foram criadas demasiadas respostas sociais. Concorda?
R> Sempre que as IPSS ’s propõem a criação de uma resposta social, esta é alvo de uma avaliação e de pareceres que têm em consideração as necessidades locais existentes. Como é óbvio as populações encontram-se em constante mudança, pelo que as necessidades e procura poderão alterar-se. O principal problema prende-se, no meu entender, com a dificuldade em reconverter os espaços em outras respostas, dificuldade essa tanto financeira como legal, o que impede muitas das vezes as IPSS ’s de adequarem as respostas às necessidades da população.

 

O FUTURO DOS LARES E OS LARES DO FUTURO

Programa:
Dia 13 de março (Salão Nobre da Câmara Municipal de Águeda)
Sessão se abertura (9h30) com as presenças do presidente da câmara, vereadora da ação social, e o presidente da UCIPSS; 1º painel: lares do futuro (10h15) moderado pelo presidente da UCIPSS com o tema perspetivas da sociedade, (10h20) comunicação de José Sucena – administrador da empresa CLIMAR e às (10h40), comunicação de Beatriz Garcia – estudante da escola Marques Castilho; 2º painel: futuro dos lares, moderado pela vereadora da ação social Elsa Corga com o tema: perspetivas futuras para as grandes problemáticas, com comunicações de Diana Simões, psicóloga, (11h20) e uma abordagem sobre o sedentarismos às (11h50), por Ricardo Pocinho; (14h30) desafios- Hélder; às (15h00) Apresentação de projetos, exemplos de boas práticas- moderado por Catarina Gomes (UCIPSS), (15H15) – Humanidade, (15h45)- Cycling without age Ole, e (16h15) programa ganhar sorrisos.

Dia 14 de março (Antigas instalações do instituto da vinha e do vinho)
Sessão de abertura (9h30)
-espaço aberto com jogos para interação, com o programa ganhar sorrisos, SIOS life, revista sénior Ruben Amorim e workshops, às (17h00) sessão de encerramento.

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