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Desbaste@Águeda.pt

O desbaste das árvores que (ainda) nos restam tem sido tema recorrente de alguns colegas cronistas no Região de Águeda. Correndo o risco de redundância, não resisto a partilhar convosco o meu desabafo.

Nos últimos anos, temos assistido ao corte massivo das mais relevantes e frondosas árvores da nossa cidade. Ainda no tempo dos executivos PSD, foi a razia no Largo 1º de Maio, cuja importante reconversão pecou pela eliminação total das árvores ali existentes. Mais recentemente, o desbaste acentuou-se: nos Abadinhos, junto ao Rio, no Cais das Laranjeiras, no Largo Dr. António Breda, na antiga esplanada do Zip-Zip, culminando, na semana passada, com mais cortes na Praça Conde de Águeda. E cito apenas estes exemplos mais gritantes que me vêm à memória, pois mais árvores de porte considerável têm sido cortadas, ora devido às habituais obras de remodelação, ora alegando motivos de segurança. Não sou técnico nesta área, mas tenho algumas dúvidas de que todas estas árvores estivessem a colocar em risco os cidadãos. Recordo-me, efectivamente, da situação dos Abadinhos, em que o perigo era evidente, mas não imaginava que houvesse tantas árvores em risco eminente de queda.

Será que era mesmo necessário um desbaste tão generalizado? Um executivo que propagandeia insistentemente a sua Agenda XXI e políticas ambientais de referência, não conseguiria enquadrar algumas destas árvores centenárias nos seus planos de regeneração urbana? Se estes são os sinais da modernidade, acho que preferia o “antigamente”. Pelo menos, sempre usufruía de alguma sombra e muito mais verde…

 

Espertinhos@Águeda.pt

Esta minha “irritação” é bem mais comezinha do que o preocupante assunto das árvores, mas acreditem que me apoquenta quase todos os dias…

Quem me conhece sabe que, à falta de outros vícios, sou um adicto (é assim que agora se diz, certo?) de revistas e jornais. Leio um ou mais jornais diários, compro assiduamente o Sol e o Expresso, sou assinante dos semanários locais, da Visão, da Sábado, da Time, e da Fortune, compro semanalmente várias revistas especializadas de automóveis, informática, fotografia, puericultura (um hábito mais recente) e, ocasionalmente (porque um homem não é de ferro), algumas revistas desse fenómeno que é o “mundo do social”. Não é coisa pouca, portanto. Em vez de, por exemplo, gastar dinheiro em tabaco, invisto numa coisa que gosto – os media.

Posto isto, passo a explicar o que me tem irritado: em alguns dos locais de venda onde me abasteço de jornais e revistas, é prática comum os “clientes” pegarem nas diversas publicações, jornais e revistas, desfolhando-as exaustivamente, enquanto tomam um café ou, simplesmente, enquanto fazem horas para ir trabalhar. Acho perfeitamente normal que um potencial cliente folheie, de forma rápida, uma revista que pondera adquirir. Pode procurar um assunto específico, uma informação, enfim, pode até pretender uma vista geral da publicação. O que não acho normal, é sentar-se e desfolhar, página a página, uma ou várias revistas, lendo os artigos que lhe interessam, voltando a colocá-las na respectiva prateleira.

Dir-me-ão, e bem, que a culpa não é só desses “clientes”, mas sim dos lojistas. Claro que é. A culpa é de quem permite comportamentos deste tipo, dia após dia, às mesmas pessoas que repetem o abuso sem sequer receberem uma chamada de atenção. Não sei se os distribuidores das publicações têm conhecimento destas práticas, mas quero acreditar que não ficariam muito satisfeitos.

O elevado preço de algumas publicações e a crise económica que a todos afecta, não podem ser desculpa para esta injustiça. Sim, é uma questão de justiça. Não me sinto “otário” (como já me disseram) por comprar e pagar as revistas que leio; sinto-me, sim, injustiçado perante os espertinhos que consomem de borla aquilo que me custa a pagar.

Por mim, depois de, sem sucesso, ter apelado aos proprietários para que tomassem providências, resta-me uma solução: apesar de um destes postos de venda ser o mais prático para a minha rotina, vou fazer o esforço de me deslocar a outras lojas que respeitem quem lhes dá o dinheiro a ganhar…

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