João Almeida: O que faz um atleta confinado pela pandemia?

João Almeida (Recreio de Águeda)

João Almeida foi o reforço que colocou o RD Águeda/Ferrão e Guerra na disputa das posições cimeiras nas provas nacionais de estrada e corta-mato também em seniores masculinos. Com 23 anos, estava a fazer a sua melhor época, como o próprio admite, quando a pandemia provocou a suspensão das competições

O calendário competitivo foi interrompido justamente na semana em que se iria disputar o nacional de corta-mato longo em Vale de Cambra. Até aí, João Almeida fora 10.º classificado no nacional de estrada (com recorde pessoal nos 10kms de 29m56s) e 9.º no nacional de corta-mato curto, no Jamor e na Figueira da Foz respetivamente, competindo mano a mano com os melhores do país. Sagrara-se ainda campeão distrital nestas duas disciplinas, vencendo com grande autoridade, ao que juntou o 2.º lugar no distrital de corta-mato longo.

PROCURAR A EVOLUÇÃO

Sem competir desde meados de março, João Almeida tem-se “focado nos treinos” com o objetivo de “procurar sempre” a evolução”. Mantém duas sessões diárias, a primeira às 5h30 da manhã e a segunda depois de um dia de trabalho, ao fim do dia.
“Apesar de não haver competições, e de por vezes ser difícil manter o ânimo, eu sempre gostei muito de treinar… é algo que me dá prazer”, referiu ao RA. “Também aproveitei para rever algumas corridas que realizei esta época”.
A maior consequência que a pandemia lhe trouxe foi “não poder treinar com os meus colegas de treinos e nem ter o treinador presente”. Mas há outra condicionante: “Ter que treinar sempre no mesmo local e por vezes não ter zonas onde possa fazer aquele treino específico que tenho no plano, tentando encontrar uma alternativa”.
Para João Almeida “o treinar sozinho tem, por vezes, a sua vantagem: podemos ouvir o nosso corpo, podemos ver como ele reage aos estímulos dos treinos”.
O ansiado regresso à competição “é incerto”. “Tenho esperança que ainda se possa competir no verão, pelo menos realizar as competições de pista. Era algo que eu ambicionava muito esta época. Queria muito fazer os 10 mil metros em pista e tentar os mínimos para a Taça da Europa”.

UMA PASSAGEM PELO SPORTING

João Almeida iniciou-se no atletismo aos 9 anos de idade no clube da sua aldeia – ADC Macieira de Sarnes – onde esteve sete temporadas. Aos 17 anos assinou contrato com o Sporting, permanecendo quatro épocas.
Ingressou em 2019/2020 no RD Águeda. “Tem sido uma época fantástica”, referiu. “Ingressar no Recreio de Águeda era um desafio, porque se tratava de uma mudança de clube e de treinador. Todos conhecem o Recreio de Águeda, é uma equipa com vários atletas medalhados a nível nacional desde as camadas jovens até aos veteranos. É uma equipa de relevo a nível nacional. Eu senti que precisava de uma mudança, queria deixar de ser considerado ‘atleta popular’ e passar a discutir grandes competições. Por isso abracei este projeto”.
O atleta de 23 anos adiantou que inicialmente o objetivo passava por conseguir um bom resultado individual e coletivamente nos distritais e nacionais de estrada e de corta-mato. Porém, “à medida que a preparação para as competições avançava, eu ia-me sentido melhor e decidimos subir um pouco a fasquia: tentar vencer todos os distritais e entrar no top10 a nível nacional, o que à partida seria difícil mas não impossível”.
Os objetivos es­tavam a ser amplamente cumpridos. “Considero-me muito competitivo e quando chego à competição consigo-me abstrair de tudo, focando-me na corrida, e parto determinado”, confidenciou. João Almeida realça o “espírito de equipa” no RD Águeda. “É bom quando uma equipa se une toda, ajudamo-nos todos mutuamente. A cumplicidade que consegui criar em tão pouco tempo com o meu treinador Ricardo Esteves fez com que eu acreditasse nos objetivos traçados. Tudo isto ajudou-me para que conseguisse evoluir e alcançar os resultados desta época. Tenho consciência que fiz uma boa época, a minha melhor até à data”.

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