João Anjos, Presidente da direção do CASAS: “Foi um início de mandato bastante atribulado e cheio de complicações”

João Anjos

João Anjos diz que vai repensar a sua continuidade à frente do CASAS, lamentando o facto de não ter apoio dos órgãos sociais da instituição. Em entrevista, fala ainda em mandato “atribulado” e “cheio de complicações”, com algumas surpresas à mistura

P> Foi eleito presidente da direção para o quadriénio 2017/2020. Que balanço faz deste primeiro ano e meio à frente da instituição?
R> O nosso plano de atividades foi integralmente cumprido. Realizámos o nosso passeio anual e, no mês de setembro, vivemos momentos únicos com a realização da festa “Recordar Sempre” – reunir para fortalecer laços de afeto. Aqueles meninos que passaram pelo CATL e AAAF, hoje alguns já homens e mulheres, tiveram a oportunidade de reviver tempos passados conjuntamente com os seus familiares, amigos, sócios, entidades parceiras e comunidade em geral.
De referir ainda que, nos 25 anos de vida da nossa instituição, foi publicado o primeiro número do nosso boletim informativo. Este sonho só foi possível graças à colaboração de algumas empresas parceiras e amigas.
No final do ano, e pela primeira vez, tivemos nas nossas instalações o Sr. diretor da Segurança Social, Dr. Manuel Ruivo. Durante um almoço informal, onde estiveram também presentes os membros diretivos e alguns dos nossos clientes, tivemos oportunidade de expor as nossas dificuldades atuais e os nossos projetos futuros.

P> Quais as principais dificuldades com que se deparou?
R> Foi um início de mandato bastante atribulado e cheio de complicações. Constatou-se uma situação que não estava acordada com a segurança social. Os acordos de cooperação que temos são para as valências de SAD e centro de convívio, mas também funcionava um centro de dia, sem que tivéssemos acordos para isso.

“Estado tem
de rapidamente rever o valor das comparticipações às IPSS”
P> Acabaram com esse serviço?
R> Após reunião com a técnica da segurança social, foi-nos concedido um prazo para resolução dessa mesma situação, para não sermos penalizados financeiramente com coimas. Com a saída “forçada” de alguns clientes, a nossa faturação mensal passou a ser mais reduzida. Conjuntamente com este caso e tendo já a consciência de que a situação financeira do CASAS não era a melhor, o que se veio a comprovar mais tarde em assembleia geral, tiveram de ser adotadas medidas no sentido de podermos iniciar o caminho da recuperação financeira e sobrevivência. Atualmente, o acordo de cooperação que temos com a segurança social respeitante à valência de SAD é de 24 clientes. Por limitações financeiras do Estado, temos protocolados apenas 19, ou seja, recebemos apenas comparticipação sobre esses 19 clientes. Pelos serviços que prestamos diariamente a cinco clientes não recebemos qualquer importância por parte do Estado, o que se traduz, anualmente, em muitos milhares de euros que deixam de entrar nos cofres da instituição. Apenas a parte familiar é contabilizada. Considerando que a zona onde estamos inseridos é desfavorecida, devido às baixas pensões/reformas, esta situação causa-nos também sérias dificuldades em termos de gestão financeira.
Repare, as IPSS recebem anualmente do Estado 12 comparticipações, mas pagam aos seus funcionários 14 meses, incluindo o subsídio de férias e de Natal. Está tudo dito! Ou seja, o Estado tem de rapidamente rever o valor das comparticipações às IPSS para não vir a colocar em causa o futuro das mesmas e das pessoas que nelas trabalham. As IPSS têm de ter uma comparticipação estatal adequada aos seus encargos.
O que aconteceria se uma pequena parte das instituições de solidariedade social deixassem de prestar os seus serviços durante um, dois dias?

Requalificação aguarda aprovação
do projeto
P> Anunciou a intenção da instituição de aumentar a capacidade das suas valências de SAD e centro de convívio com vista a ter maior sustentabilidade. Como está esse processo?
R> O projeto de requalificação, já entregue na segurança social, além de ser uma exigência da mesma entidade, também tem como objetivo o pedido de aumento da capacidade da valência de SAD de 24 clientes para 40. Serão feitas obras no piso superior do edifício, gabinetes, casas de banho, vestiários, zona de sujos, zona de frios e algumas obras na cozinha. Na parte exterior, serão realizadas algumas obras, ligadas nomeadamente às acessibilidades, passando, depois das obras concluídas, todos os serviços a funcionar na parte superior do mencionado piso.

P> Quando prevê o arranque das obras?
R> Estamos a aguardar pela aprovação do projeto para, seguidamente, iniciarmos as obras. As paredes exteriores do piso superior do edifício, construídas em madeira, encontram-se bastante degradadas pelo que terá de ser feita uma intervenção nas mesmas antes do próximo inverno. O valor orçamentado para o custo total destas obras ascende a mais de 20 mil euros. Dado que a nossa situação financeira não é nada favorável este ano, conforme tem acontecido em anos anteriores, concorremos aos apoios da Câmara Municipal de Águeda e também esperamos que a União de Freguesias da Trofa, Segadães e Lamas do Vouga nos apoie.
Não nos candidatámos ao Portugal 2020 dado que o valor do projeto para a apresentação da nossa candidatura não estava dentro das nossas possibilidades financeiras. Também não nos era garantida a sua aprovação. Os apoios solicitados são para nós imprescindíveis porque se os mesmos não vierem a ser concedidos, certamente poderá estar em causa a continuidade do CASAS. Deixo aqui também um apelo a todos os sócios, à comunidade, às empresas parceiras e outras e também aos amigos do CASAS para que nos ajudem.

P> Como está a instituição em termos financeiros, tendo em conta que anunciou que tinha invertido o passivo que tinha de 30 mil euros?
R> Atualmente, a nossa situação financeira está um pouco mais equilibrada, depois de termos conseguido, no exercício de 2017, inverter o passivo de cerca de 30 mil euros, referente ao exercício do ano anterior.

P> O que está previsto em termos de projetos e iniciativas para o futuro?
R> Fundamentalmente a consolidação financeira da instituição para permitir salvaguardar os postos de trabalho das nossas funcionárias e consequentemente a continuidade dos serviços que prestamos aos nossos clientes. Queremos igualmente substituir algumas viaturas do nosso parque automóvel e dar continuidade à normal atividade da instituição.

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