Jovens de Águeda falam da sua experiência humanitária no deserto de Marrocos

Olavo Abrantes e Miguel Felisberto: dois jovens de Águeda em missão humanitária no deserto de Marrocos

Dois jovens de Águeda – Olavo Abrantes (Oronhe) e Miguel Felisberto (Assequins) – contam-nos a aventura solidária que realizaram, em fevereiro, para distribuir material escolar e didático por crianças de escolas de aldeias em Marrocos. “A reação das crianças foi o que mais nos impressionou”, revelam os jovens estudantes da Universidade de Aveiro.

P> Como correu a vossa aventura solidária por terras de Marrocos? Sabemos que tiveram alguns problemas mecânicos pelo caminho…
R> No global, podemos considerar que correu bem. O objetivo que tínhamos era entregar todo o material solidário que angariámos e também conseguir completar a viagem. Sim… mas nem todos os dias foram fáceis, tivemos alguns problemas mecânicos, mas que foram ultrapassados com a ajuda dos mecânicos.

P> Quais foram as principais dificuldades que enfrentaram ao longo da viagem?
R> Foram exatamente esses problemas mecânicos que tivemos, pois nenhum de nós está na área da mecânica, mas acabámos por conseguir superar tudo.

P> Quantos quilos de material entregaram?
R> O mínimo que tínhamos de entregar eram 40kg, no entanto, conseguimos entregar 150kg. A acrescentar a isso, conseguimos entregar também duas bicicletas e uma baliza de futebol, cumprindo assim dois projetos que todos os participantes da Universidade de Aveiro se disponibilizaram a realizar.

P> Onde entregaram o material?
R> Na primeira etapa (segunda feira) foram entregues 140kg no acampamento a crianças de oito escolas escolhidas pela or­ganização, os restantes 10kg (bolas, balizas inclusive) fomos entregando durante a passagem por várias aldeias a grupos de crianças que encontrávamos pelas aldeias que íamos passando.

P> Como descreveriam a reação das crianças ao ver o material?
R> A reação das crianças foi o que mais nos im­pressionou. Quando pa­rámos a primeira vez para entregar material a um grupo de crianças que en­contrámos, constatámos que ficaram muito empolgadas e contentes só ao avistar o nosso carro. Quando começamos a distribuir canetas, todas elas guardavam e abriam a mão para que lhes déssemos mais. Achamos que todas elas ficavam contentes só por estar a receber algo novo, ou mesmo por sermos nós a dar. Nos grupos de crianças existia alguma variedade de idades, mas o carinho e apreço que elas tinham pelo que estavam a receber era igual e conseguimos ver isso através dos sorrisos e olhar feliz que demonstravam.

“Algo que para nós é simples, como uma caneta, lá é algo tão raro”

P> O que acham que ganharam com esta aventura solidária?
OLAVO ABRANTES: A preparação da viagem fez com que desenvolvesse a minha capacidade de planeamento e de empreendedorismo. Isto porque, apesar de termos tido uma importante ajuda de amigos e familiares, todo o projeto foi organizado por nós.  No que diz respeito a tudo o que aconteceu em Marrocos, acho que ganhei uma melhor perceção da realidade marroquina e de todas as suas necessidades. Não imaginava as reais dificuldades que sentiam as pessoas e isso ficou completamente claro nos momentos em que parávamos em aldeias para entregar material. Algo que para nós é simples como uma caneta lá é algo tão raro que pode mesmo criar alguma confusão entre as crianças.
MIGUEL FELISBERTO: A preparação desta aventura ajudou-me a ga­nhar técnicas de empreendedorismo devido à necessidade de angariar patrocinadores para o projeto. Com esta viagem ganhei uma visão muito diferente sobre o que é viver em Marrocos, desde as condições de vida da população à diversidade existente. Com a passagem por várias cidades e aldeias, tive uma noção que existem diversas carências. No geral, este projeto mostrou e fez-me ver e perceber o que é viver realmente em condições precárias e mesmo assim ser se feliz com tudo o que se tem.

“Foi uma experiência que nos vai marcar imenso”

P> Repetiriam a experiência?
OLAVO ABRANTES: Sim, obviamente. Foi uma experiência que me vai marcar imenso. Acho que repetir a experiência e modificar algumas coisas que não correram tão bem nesta edição seria ótimo.
MIGUEL FELISBERTO: Sim, repetia. Esta aventura marcou-me imenso. Gostava de participar na próxima edição.

P> O que mais vos impressionou nesta viagem?
OLAVO ABRANTES: Algo que me impressionou bastante foram as condições de vida em algumas zonas de Marrocos, levando-me a pensar como era possível alguém viver ali?. Víamos as pessoas a tomar conta dos seus animais que andavam a pastar, mas a vegetação era quase nula… e não se via água.
MIGUEL FELISBERTO: O que mais me impressionou foram as crianças das aldeias por onde íamos parando, que mostravam sempre uma alegria imensa com o que lhes trazíamos para lhes oferecer. Sem dúvida o que me marcou mais foram todos aqueles sorrisos verdadeiros que tivemos o privilégio de ver quando entregávamos algo a cada criança.

(entrevista publicada na edição impressa e e-paper em 18 de março)
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