“Julgo termos conquistado mais adeptos para a verdadeira música”

Cantata Carmina Burana no Centro de Artes de Águeda

No balanço da apresentação da cantata Carmina Burana, que juntou 300 intérpretes no palco do Centro de Artes de Águeda, o maestro Sérgio Brito mostrou-se convicto que o espetáculo contribuiu para “conquistar mais adeptos para a verdadeira música” e que foi prestado “um grande serviço de cultura musical a quem nos ouviu”. “Mesmo o expetador menos atento não ficou insensível à qualidade que lhe foi demonstrada”, disse, falando ainda das dificuldades que foi montar esta mega produção

P> Quais as principais dificuldades que sentiram na organização do espetáculo “Cantata Carmina Burana”, que subiu recentemente ao palco do Centro de Artes de Águeda (CAA)?
R> As dificuldades sentidas são inerentes à grandiosidade e dificuldade da obra que nos propusemos realizar. Trata-se de um projeto com custos elevados, só possível concretizar graças à parceria com a Câmara Municipal de Águeda e com o apoio de muitas empresas e amigos de região. Em termos artísticos, e tendo em conta que iniciámos os trabalhos em julho passado, houve também logo de início obstáculos a transpor, nomeadamente no grande coro, pois estávamos perante um grupo maioritariamente amador, sem leitura musical, obrigando da parte de quem os dirige uma liderança forte e motivante, que fosse um estímulo para que os coralistas alcançassem os resultados pretendidos.

P> Quantos músicos estiveram em palco e como resultou esse trabalho de coordenação e ensaios?
R> Em números redondos, estiveram em palco 300 intérpretes (músicos e cantores). Este trabalho de coordenação foi um sucesso, uma vez que aliámos a minha experiência de direção coral juntamente com vários colegas da mesma área, ao vasto know-how de condução orquestral do maestro Óscar Saraiva. O trabalho de interajuda musical foi o segredo para a excelente performance.

DESAFIO SUPERADO

P> Que tipo de desafios colocou a interpretação de uma obra como esta, que é considerada uma das mais emblemáticas de sempre?
R> Ao lançarmo-nos a esta obra musical, estávamos cientes que seria um desafio aliciante mas ao mesmo tempo arrojado e demasiado responsável. Interpretar uma obra amplamente gravada e difundida como é o caso da Carmina Burana de Carl Orff, levanta vários problemas do que uma obra menos conhecida. Ou acrescentaríamos algo que ainda não existisse, ou então, poderíamos cair na banalidade de ser mais um a realizá-la de uma forma mediana. Mesmo assim, corremos o risco e superámos todas as expectativas, ao termos alcançado uma interpretação única, realizada por uma banda civil e um grande coro amador, juntamente com três solistas de renome internacional.

P> Que experiência é que retiram da organização desta mega produção?
R> Por um lado, a grande logística que fomos obrigados a ter, com uma coordenação forte e coesa entre o Coro da Cruz Vermelha Portuguesa de Águeda e o Orfeão de Barrô, com especial destaque para Rosário Martins, Paula Castilho e Helena Marques, que durante um mês quase se tornaram profissionais do evento. Por outro, sentir a enorme satisfação do público que nos assistiu e aplaudiu, e o reconhecimento da crítica musical ao atribuir-nos nota de excelência.
Provámos assim que é possível realizar grandes obras de compositores célebres da história da música ocidental, juntando várias sinergias, sem ter que recorrer a eventos vulgares para atrair público.
Prestámos ainda um grande serviço de cultura musical a quem nos ouviu. Mesmo o expetador menos atento não ficou insensível à qualidade que lhe foi demonstrada. Tendo em conta que a chamada música erudita é de difícil absorção para a maioria do comum dos mortais, julgo termos conquistado mais adeptos para a verdadeira música. Esta sim, continuará imortal graças à sua vasta e rica história.

A ESCOLHA DA OBRA

P> Porque é que escolheram esta obra?
R> Curiosamente esta obra foi sugestionada numa conversa informal após o concerto de aniversário do Conservatório de Música de Águeda, no ano passado, do qual eu e o maestro Óscar Saraiva somos professores. Optámos pela cantata Carmina Burana pelo gosto de ambos, e por termos conhecimento posteriormente da existência do único arranjo autorizado para a formação instrumental que pretendíamos, sem ser com orquestra clássica.

Foto em cima: ELISABETE ALFÂNDEGA
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