Mão criminosa, dizem os autarcas

Fotografia que se tornou num ícone deste incêndio: sinalética destruída pelo fogo

Parecem não restar dúvidas de que na origem do incêndio no município de Águeda esteve mão criminosa. É pelo menos essa a convicção de quem esteve e conhece bem o terreno

Pedro Vidal acha mesmo que quem ateou o fogo sabia muito bem o que estava a fazer. “Ateou o fogo no dia do vento de cima”, disse. Vento de Cima é um termo usado na serra para descrever vento forte e que dura três dias. O presidente da União de Freguesias de Préstimo e Macieira de Alcoba não acredita que o autor o tenha feito por interesses económicos, considerando que só pode tratar-se de “uma pessoa doente”.
“Não acredito em interesses financeiros por detrás deste incêndio, até porque a madeira desvaloriza… também se fala nos interesses ligados aos aviões… mas também não credito porque na minha freguesia não apareceram”, referiu o autarca.
E podia ter-se evitado este incêndio?, questionámos. “Havia muito vento e muito calor, até arderam os terrenos limpos”, recorda Pedro Vidal, que espera que, no futuro, deixem de haver árvores plantadas junto às habitações.

AÇÃO ORGANIZADA

Na opinião de Vasco Oliveira, presidente da União de Freguesias de Belazaima do Chão, Castanheira do Vouga e Agadão, que viu cerca de metade da área ardida com este incêndio, que atingiu drasticamente Castanheira e uma parte de Agadão e Belazaima (Alvarim), foram vários os fatores que concorreram para que o fogo atingisse tamanha proporção, falando numa “ação organizada para que isto ardesse no momento certo e com as condições climatéricas favoráveis”.
“Este foi efetivamente o maior incêndio no concelho, mas não podemos atribuir culpas à floresta mal ordenada ou aos eucaliptos, porque se não não ardia também no Gerês ou Na Serra da Estrela…”, considera Vasco Oliveira, frisando que, embora haja aspetos a melhorar, a área da sua união de freguesias “nunca esteve tão limpa e teve tantos caminhos e estradões abertos”. O autarca fala, contudo, na necessidade de serem criadas leis que obriguem os proprietários a cortarem as árvores junto às habitações, dando o exemplo da castanheira, onde próximo das casas há silvados e eucaliptos.
Também para Carlos Alberto Pereira, autarca da freguesia de Valongo do Vouga, é “no mínimo estranho” termos vários incêndios à mesma hora e em sítios diferentes.
Para Pedro Marques, presidente da Junta de Freguesia de Macinhata do Vouga, a par das condições meteorológicas, com temperaturas elevadas, “há o desleixo que deixa as matas não tratadas e uma certa negligência de algumas pessoas e malvadez de outras”. Pedro Marques defende que “o Estado deve ser mais atuante em casos de não tratamento dos terrenos, sobretudo daqueles junto às casas”.

As chamas duraram uma semana no município de Águeda, envolvendo seis das 11 freguesias/uniões de freguesia: Macinhata do Vouga; Valongo do Vouga; Préstimo e Macieira de Alcoba; Águeda e Borralha; Belazaima do Chão, Castanheira do Vouga e Agadão; e Aguada de Cima.

(leia mais na edição da semana – versões e-paper e impressa – sobre causas, consequências, meios de combate, programas de apoio e algumas polémicas)

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