Mão criminosa nos incêndios – diz autarca

Os sucessivos focos de incêndio obrigaram a esforço redobrado

A GNR está em campo para saber se houve mão criminosa e a Polícia Judiciária (PJ) “está a acompanhar” os processos de investigação aos últimos incêndios florestais que consumiram dois mil hectares de terreno no município de Albergaria-a-Velha e 500 hectares no município de Águeda – referiu o presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida, que não tem dúvidas de que houve “mão humana” protagonizada por quem “está doente” e precisa “de ajuda”

Os vários incêndios verificados entre quinta-feira e domingo nas freguesias de Travassô/Ois da Ribeira, Trofa/Segadães/Lamas do Vouga, Valongo do Vouga e Macinhata do Vouga não registaram uma área ardida significativa. Os 500 hectares consumidos pelas chamas ficaram muito longe dos 9.000 hectares ardidos no grande incêndio de 2016, que incidiu numa mancha florestal contínua.
Contudo, a situação da última semana – que se prolongou já esta terça-feira – foi grave e colocou dificuldades acrescidas. Por dois motivos: pela sucessão de incêndios e pelas zonas em que os mesmos se verificaram, próximas de habitações e de empresas. Várias estiveram em perigo e na Tupai uma projeção do fogo da Veiga chegou mesmo ao interior da unidade fabril, sendo prontamente debelado pelas equipas de socorro.
Já em Albergaria-a-Velha os incêndios envolveram uma mancha florestal contínua, grande parte da qual na confluência com o município de Águeda, tendo ardido cerca de 2.000 hectares.

MUITA GENTE A AJUDAR

Mais de 500 homens e de 200 meios terrestres e aéreos estiveram nas operações, com corporações vindas dos distritos de Setúbal, Lisboa, Santarém, Coimbra e Viseu, para além de equipas especiais de intervenção da Proteção Civil nacional e distrital e dos bombeiros, das associações de proteção civil do concelho de Águeda e da GNR. A colaboração de populares e de funcionários das empresas foi importante contributo para minorar os danos.
O apoio logístico da Delegação de Águeda da Cruz Vermelha e de várias IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social -, além de juntas de freguesia que não foram diretamente afetadas mas que solidarizaram, foram ações relevadas pelo presidente da Câmara de Águeda. “Houve situações que podiam ter sido complicadas”, admitiu Jorge Almeida ao Região de Águeda, que anotou agradavelmente os “constantes telefonemas” do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e de governantes.

“Tem de haver aqui vontade em fazer isto”

Jorge Almeida é perentório: “Há indiscutivelmente mão humana” nos incêndios da última semana. “Não é apenas negligência, tem de haver aqui vontade em fazer isto”.
Para o presidente da Câmara de Águeda “não há justificação técnica” para que os vários focos de incêndio se sucedam fora do “alinhamento “, por força do vento que impele “as projeções das chamas”. Ou seja, surgem focos de incêndio simultaneamente “atrás e completamente ao lado” do que seria natural.Tal aconteceu – garante o autarca – em Águeda e em Albergaria-a-Velha.
“É tudo muito estranho!”. Jorge Almeida não considera eventuais interesses económicos, muito menos políticos, por detrás da ação incendiária. “Vou mais por alguém doente, perturbado, que precisa de ajuda”. O edil aguedense considera que estes incêndios “estragam mais do que a madeira que queimam”.

MIRONES PARA MIRAR A DESGRAÇA

Houve ações de prevenção durante o incêndio, por isso houve convite em Serém para que alguns habitantes – designadamente crianças e idosos – abandonassem as respetivas habitações. “Por algumas horas”, pormenorizou Jorge Almeida, para quem uma das situações mais complicadas de gerir foi na quinta-feira, com o incêndio a coincidir com a saída dos empregos.
Os mirones “prejudicaram” a ação das equipas que operaram no terreno. “Na chamada rotunda do Milénio, no domingo, havia mais gente a assistir ao incêndio do que as pessoas que estavam na Festa do Leitão. É triste, mas é verdade!”. Jorge Almeida referiu-se ainda a outros locais, como o do alto da igreja de Lamas do Vouga, com “centenas de pessoas” a mirar as chamas como se tal fosse um espetáculo que se contemple.

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