Miguel Mota: “No início não estava preparado para desafios tão altos como jogador”

Miguel Mota treina os juvenis do Vianense no campeonato nacional

Miguel Mota nasceu em Águeda em abril de 1976. Viveu a sua infância e juventude em Águeda, estudou na Marques de Castilho e jogou futebol no Recreio de Águeda desde os 8 anos. O futebol levou-o a representar clubes do Minho ao Algarve. Num deles, no Vianense, foi campeão nacional. Em Viana do Castelo fixou-se pelo casamento, vai fazer 20 anos em outubro. Hoje, treina os juvenis do Vianense no campeonato nacional

Cedo, ainda não havia competição oficial para a sua idade, deu os primeiros passos no Recreio de Águeda. Tinha 8 anos. Miguel Mota, no clube aguedenses, fez todo o percurso até aos seniores, escalão a que chegou ainda com idade júnior. Foi campeão distrital em infantis, iniciados, juvenis e juniores. Foi convocado para a seleção nacional em sub15, sub16 e ‘esperanças’, embora a internacionalização nunca se tenha consumado. O Recreio, nos anos 80, era assim: ganhava campeonatos jovens e havia jogadores observados para as seleções nacionais.
“Toda a base do que fui como jogador e do que sou como homem devo ao Recreio”, reconheceu Miguel Mota. “O que aprendi faz com que me marque para sempre; era na altura um clube de referência na formação, lutava com os melhores”.

O BELENENSES AOS 19 ANOS

Miguel Mota cumpriu a última época de júnior e a primeira de sénior na principal equipa do Recreio de Águeda, na II divisão nacional. Transferiu-se com 19 anos para o Belenenses (1995/96) do treinador João Alves, recheado de vedetas como Tomislav Ivkovic, Paulo Madeira, Pedro Barny, Fernando Mendes, Lito Vidigal, Taira, Tulipa, Mauro Airez, Rui Esteves, César Brito, Chiquinho Conde, Pacheco e outros jogadores que pontificavam na época.
O Belenenses por um ponto não se qualificou para a ‘europa’ e foi impacto grande para o jovem aguedense, que fez dois jogos como titular e foi utilizado em 15 partidas. “As diferenças eram enormes e claramente não estava preparado”, confessou. Além da grandeza da cidade, a que se adaptou “aos poucos”, “nessa idade estamos muito agarrados às nossas raízes, à família e aos amigos”. Encontrou ainda “um jogo com ritmo mais elevado e outras obrigações”.
Seguiram-se Desportivo das Aves e Vianense. Em Viana do Castelo, conheceu a sua futura esposa na primeira época e foi um dos baluartes do título de campeão nacional da 3ª divisão (1999), ficando assim ligado a Viana do Castelo, onde permanece. Assinou exibições que lhe reabriram as portas do principal campeonato português: no Farense fez 15 jogos como titular. Foi colega, entre outros, de Hajry, Marinescu, Carlos Costa, Tulipa e o goleador Hassan Nader. Um deles, Fábio Felício, na altura com 18 anos, ainda hoje joga.

NO RECREIO NOVAMENTE… MAIS UMA SUBIDA

Miguel Mota regressaria ao Recreio de Águeda já depois de ter atuado no Paredes e Olhanense. Em 2001/02 foi preponderante na subida do clube aguedense à 2ª divisão nacional e na permanência neste escalão na época seguinte.
No seu percurso de jogador, que terminou em 2014, esteve envolvido em mais uma subida do Vianense à 2ª nacional e em duas do Valenciano, da cidade fronteiriça de Valença, à 3ª nacional. Neste clube, entre 2006 e 2009, venceu ainda três taças distritais, regressando então ao Vianense para cumprir mais três épocas. No Vilaverdense, entre 2004 e 2006, tinha dado os últimos passos como futebolista profissional.
Considera “positivo” o balanço da carreira como jogador. “Aprendi muito”, diz, para adiantar: “Cometi alguns erros e no início não estava preparado para desafios tão altos. Não tinha ninguém para gerir a minha carreira e tomei algumas decisões erradas que não me permitiram ter uma carreira mais consistente”.
Miguel Mota considera que os gestores de carreira “são pessoas que andam no meio, aconselham e libertam a cabeça do jogador para que este se possa concentrar no jogo”.

HOJE, TREINADOR DE FORMAÇÃO

Casado, com uma filha de 13 anos, Miguel Mota reside em Viana do Castelo e trabalha na empresa Águas do Norte, com sede na cidade minhota. Fez formação profissional e concluiu cursos de treinador. Treina esta época os juvenis (sub17) do Vianense no campeonato nacional, depois de ter sido campeão distrital com a equipa de primeiro ano (sub16) na temporada passada. Começou há três épocas no Meadela, clube do centro urbano da cidade com uma matriz “muito social”.
Não foi fácil convence-lo ao futebol de formação. “Fui convidado pelo Vianense quando terminei a carreira de jogador mas achava que não tinha perfil”. Reconhece hoje que se enganou. “Na formação sente-se a evolução dos atletas que, sendo jovens, percebem às vezes melhor que os adultos o que se pretende. Estão numa fase das suas vidas em que a formação é decisiva, como atletas e como homens”.
O “gosto” pelo futebol como jogo, e o facto de poder “transmitir valores e ensinar comportamentos de jogo”, está a fazer com que esta experiência decorra “muito acima do expectável”.
A Águeda não vem muitas vezes. “Acompanho pelo jornal e internet o percurso do Recreio e as vivências da cidade. Fico contente por ver o Recreio no campeonato nacional, que é importante para a projeção de Águeda e merecido para a dinâmica de Águeda”.

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